Carta de despedida de Bruninho



Bruninho cansou de esperar e resolver deixar o RJ (ex-RJX).

O levantador anunciou, na manhã desta sexta-feira, que aceitou a proposta do Modena, da Itália, clube que defendeu três anos atrás.

O motivo da saída é óbvio: os salários atrasados. Os principais atletas do atual campeão da Superliga estão sem receber desde que a OGX, uma das empresas em crise de Eike Batista, deixou o projeto. Uma vergonha para a competição chamada de “melhor do mundo” recentemente. O atual campeão aos pedaços e sofrendo desmanche no meio da competição.

A saída de Bruninho talvez marque uma debandada geral na equipe carioca, já que outros selecionáveis estão na mesma situação e receberam propostas do exterior nas últimas semanas.

Veja abaixo a íntegra da carta de Bruninho.

A situação do RJ Vôlei, como é do conhecimento geral, não é das melhores. Recebi propostas anteriormente, mas acreditei que pudéssemos resolver o problema do clube e tinha a esperança que conseguiríamos outros parceiros para a manutenção de todo o elenco.

Mas eu e alguns companheiros de elenco recebemos apenas um mês desde o início da temporada, situação que me levou a tomar a decisão mais difícil da minha carreira: a de deixar o Brasil por algum tempo.

Estou aceitando a proposta de jogar o restante da temporada em Modena, cidade da Itália onde já atuei em 2011 e pela qual tenho um grande carinho.

Jamais gostaria de deixar amigos, companheiros e uma torcida que nos apoia no meio de uma competição como a Superliga. Mas a situação se torna inevitável e, na nossa curta carreira de atletas, não podemos abrir mão dos nossos direitos como profissionais por praticamente uma temporada inteira.

É claro que continuo acreditando no vôlei do Brasil e jogar aqui sempre será minha primeira opção. Mas vejo que devemos nos preocupar com a situação geral do esporte em nosso País.

O problema do RJ Vôlei não é um fato isolado. Colegas de profissão estão em outras equipes passando por problemas semelhantes e muitas vezes até piores do que o nosso no Rio de Janeiro.

É preciso valorizar o esporte coletivo que mais medalhas olímpicas e mundiais conquistou para o nosso Brasil.

Se isso acontece em uma modalidade com tanta visibilidade, e considerada por muitos a segunda mais importante do País, imaginem o que se passa com as que não têm o mesmo espaço na mídia.

Sempre é bom lembrar que estamos a dois anos de uma Olimpíada, que além do mais será realizada aqui mesmo no Brasil, e no Rio de Janeiro.

Desculpem o desabafo, mas não poderia me calar diante dessa situação.

Espero que vocês entendam minha decisão e saibam que nesses últimos meses não faltou empenho para resolver o problema.

Desejo todo o sucesso aos meus companheiros e integrantes da comissão técnica. E agradeço o carinho que recebi da maravilhosa torcida do RJ Vôlei durante todo o tempo em que tive a honra de vestir a camisa 1 do clube.

Muito obrigado e conto com vocês sempre.



  • Bethania

    Situação vexatório para o vÔlei brasileiro. Isso será divulgad no mundo todo. Sucesso ao Bruno, esperou com dignidade até onde deu!

  • Cadu

    Só agora ele percebeu a situação do esporte no país? Enquanto o salário caia todo mês ele não devia ter muito tempo para pensar sobre isso né, dá para entender.

    • Paulo

      Quanto drama para uma tragédia anunciada, o time já tinha passado por problemas temporada passada, na atual foi confirmado de última hora, todo mundo ali sabia em que barco estava entrando, ao ser anunciado, Rodrigão falou sobre o risco de não receber, recentemente o Lucão foi questionado em uma entrevista sobre o fato de não possuir identificação com nenhum a camisa porque está sempre trocando de equipe, ele disse que não é bem assim, é que as equipes que ele deixou (CIMED, Vôlei Futuro e RJX) foram porque as mesmas estavam falindo… O Eike está quebrado e ninguém é obrigado a bancar um projeto com uma folha salarial tão inflacionada, aluguel do Maracanãzinho e ainda no Rio de Janeiro, cuja exposição é menor porque nem um campeonato estadual descente existe. O barco afundou e o capitão foi um dos primeiros a pegar seu bote e fugir, e não venha falar que é só no Brasil que isso acontece porque o time da mesma cidade que ele está indo abandonou a competição no meio da temporada passada e nessa já está de volta como se nada tivesse acontecido.

  • Paulo

    A CBV não consegue cumprir nem a data que ela mesma estipulou para divulgação do local da final da SL, imagina “monitorar” os clubes para que esse tipo não situação não venha acontecer novamente…

  • Marcelo

    Times meramente financeiros, sem nenhum compromisso com o esporte, como é o caso do ex-RJX deveriam ser proibidos. Está passando da hora de começar cobrar e valorizar equipes comprometidas com vôlei, como Minas Tênis Clube, Praia Clube e Pinheiros.

    • emanuella

      tu ta de sacanagem né??? a condição do esporte é impossível e tu quer ainda inventar regras??? kkkkkkkkkk

      • Marcelo

        Emanuella,

        Essa é apenas uma opinião de valorização do esporte como base, formação de atletas e cidadãos.

  • Maria

    E fica mais difícil patrocínio quando se tem uma liga onde os jogos só passam em canal fechado e nunca se fala o nome dos patrocinadores aqui no Brasil para uma empresa privada patrocinar os esportes Olímpicos é muito difícil só vemos empresas estatais patrocinando enquanto as empresas privadas brigam para patrocinar qualquer timizinho de futebol o vôlei era uma exceção mais graças a essa parceria danosa globo/cbv esse sucesso do nosso vôlei parece ter se esgotado.

    • Exatamente, por quê, não tem um clube como Corinthians, Flamengo…, só tem o Cruzeiro, mas, mesmo assim o Presidente do Sada é o único que fala contra essa aberração que é o tal de Ari Graça,presidente da federação e hoje eleito presidente da federação internacional, com que dinheiro ele fez a campanha dele, federação rica, e os principais atores, nesta situação ridícula, só times de empresas, pagando taxas de inscrição e arbitragem altíssimos, vejam o caso do presidente da federação paulista de voleiball, está há mais de 20 anos no cargo, as taxas são as mais caras do Brasil, coloquem o Bernardinho como presidente da CBV, e não com cargo político, ele vai ser mais um, que que vai jogar todo o seu prestigio na LAMA.
      Vários clubes de futebol tem categoria de base de volei, como o Pinheiros, São Bernardo, São Caetano, o dinheiro de transmissão tem que ir para os clubes e não para federação, só assim teremos clubes com tradição e não times de temporadas

  • GABRIEL ESTEVES SILVA

    Primeiramente, Feliz Ano Novo a todos e ao Daniel que sempre está trazendo tudo com o máximo de imparcialidade.
    A saída do Bruninho do RJX era apenas uma questão de tempo, quando vi a foto no Instagram apenas constatei o que já estava pra acontecer. O que pode se levantar aqui é a falar na falta de valor que outro time de esporte, exceto o futebol possui no Brasil. Não estou falando isso apenas porque ocorreu a transferência do melhor levantador do mundo, bicampeão pan-americano e campeão mundial e pela falta de investimento ser no time do Rio de Janeiro(a cidade maravilhosa e sede dos Jogos Olímpicos), estou falando em um modo geral. Meu sentimento nesse momento é de revolta por essa situação. Somos o melhor vôlei do mundo tanto no Masculino e no Feminino, construímos gerações desde a década de 1980, suamos como nenhum outro país pra provarmos que éramos melhores sim, por mérito(quantos match points salvamos na final de 2003 da Liga Mundial Masculino contra Sérvia e Montenegro, 31 x 29 no Tie-Break com milhões de erros de arbitragem) e salvar 6 match-points numa Olimpíada(os próprios brasileiros falaram que a Seleção Feminina era a maior vergonha da história) e assim que somos tratados. Um descaso total e quando temos um presidente brasileiro na FIVB ele impõe regras ridículas(como 28 times na Liga e 21 pontos).
    Nesse momento não me saem palavras de tanta revolta e tristeza, tantas empresas nesse país que podiam dar um crédito pelo menos por uma temporada, como teste, os resultados seriam sim satisfatórios. É triste ver essa situação no único esporte coletivo que confio que podemos sair com duas medalhas de ouro na Olimpíada dentro de nosso país. Realmente, sem palavras.
    Cabe também parabenizar à empresas que acreditam há bastante tempo no nosso vôlei, agradeço de verdade. Unilever, Banana Boat Protetores Solares, Vivo(desde a época de Telemig Celular), Sada Transportes, Sistema FIESP, E.C.P. Pinheiros e Nestlé, Kappesberg e Amil, que mais recentemente estão mostrando acreditar no nosso vôlei. Parabéns especial ao Ginásio do Campinas.
    Ao Bruno, desejo toda sorte do mundo, fez o certo, e te dou meus parabéns, te vi jogar ao vivo já na crise e quanto comprometimento, amor pelo que faz, garra e concentração, não é a toa que você é o melhor do mundo. E que possamos ser tricampões mundiais e assim, quem sabe um dia esse esporte passe a ter o valor que merece.

  • Lilika

    Que tal metralharmos Nuzman e Ary? Afinal nada fazem para melhorar o nosso esporte, não vão fazer falta para a humanidade. Uma lástima essa história toda….parabéns aos patrocinadores e clubes que ainda mantém a esperança nos esportes mesmo com o desdém dos dirigentes acima citados…voltando ao assunto, Bruno é bom (prefiro o Rapha, mas…..), deve crescer profissionalmente com certeza no modena pois vem para atuar não somente nos playoffs como foi antes, e tomara que perca a velha teimosia de insistir em jogador bloqueado rs, boa sorte pra ele.

  • Daniel,
    Na minha modesta opinião, a culpa não é única e exclusivamente das empresas. Sem um grande público (como o do futebol, por exemplo), sem visibilidade na mídia, sem menção da marca na cobertura jornalística e, muitas vezes, sem o apoio da própria CBV, não é de se esperar que as empresas queiram ser patrocinadoras.
    Tudo bem que com a OGX foi falência mesmo, mas, como escrevi no meu blog, essa saída do Bruninho e o pouco retorno para as marcas é uma equação diretamente proporcional.
    http://www.primeiroset.com.br/2014/01/despedida-de-bruninho-e-pouco-espaco.html

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