Carta aberta



Amigos, abro espaço na coluna para reproduzir uma mensagem que recebi no meu e-mail.

“Caro colunista, apelo à sua colaboração para poder me defender de ofensas e calúnias ditas a meu respeito recentemente em sites, jornais e na TV. Desculpe, mas não poderia ficar em silêncio agora depois de algo tão sem graça assim. Tenho 20 anos e, ao longo desse período, sempre busquei forças de onde não tinha, fui chamado de amador, de vagabundo, passei por dificuldades, faziam pouco de mim dizendo que era apenas uma brincadeira de fim-de-semana, um passatempo de verão, e precisei trabalhar muito, de sol a sol, com chuva e vento, sem feriados ou festas em família, de forma séria, honesta, com a ajuda de pessoas importantes, para que pudesse ser respeitado pelos quatro cantos do planeta. Quero e preciso agradecer muito a alguns companheiros que foram fundamentais para que eu chegasse hoje onde cheguei, ‘monstros’ como Emanuel, Ricardo, Zé Marco, Márcio, Fábio Luiz, Sandra Pires, Adriana Behar, Jackie Silva, Shelda, Mônica Rodrigues e Adriana Samuel, para citar apenas os medalhistas olímpicos. Afinal, são oito medalhas… Mas que todos os outros, do mais famoso ao anônimo, aos que militam por mim, se sintam abraçados por mim, com um ‘muito obrigado’ com o mesmo carinho.

Hoje, após uma semana estafante na Itália, estou realizado. Dei em quadra, na bola, a melhor resposta que poderia àqueles que, há poucas semanas, me criticaram, me desmereceram, me diminuiram, questionando sobre meu profissionalismo, criando uma situação desnecessária, sem sentido e absolutamente sem graça. Fiquei muito triste, pois sei que o público gosta de mim, me acompanha aonde eu vou, e não entendi o motivo desse ataque gratuito, não entendi porque falar mal de mim se meu único objetivo sempre foi tornar as coisas um pouco mais alegres. Mas eu venci a batalha contra o mundo, mesmo sabendo que alguns podem não ter gostado. Eu venci. Para trás ficaram times americanos, alemães, suíços, holandeses e espanhóis e deixei Roma consagrado.

Passo semanas, meses, às vezes anos inteiros como um indigente, não tenho o status e o bolso cheio como o meu ‘meio irmão’, que está sempre na TV, sempre em belas festas, com pompas, reconhecimento – merecido, é verdade -, sempre cercado de muita gente. Não é inveja, acho isso um sentimento vazio, sem graça. Sou mais humilde, sim, mas não me importo, sempre quis fazer o meu bem feito. E sempre fiz. Meu currículo está aí para mostrar isso. Não sou daqueles que passeiam em marcha lenta pelo calçadão da zona Sul ou só aparecem para tirar foto quando as coisas estão bem. Eu estou ali, dia-a-dia, roendo o osso, e não é nada fácil essa vida, tem muita gente boa por aí que está precisando de ajuda, sofrendo debaixo de sol forte e calor de mais de 40o C, enquanto alguns se acham no direito de falar mal de mim de dentro de uma sala com ar condicionado, andando de carro importado e viajando de primeira classe. Sinceramente? Não vejo graça nenhuma nisso.

Desbravo esse enorme país continental ano a ano, viajo muito, às vezes voos malucos, com várias escalas, às vezes de ônibus, em estradas ruins, mas nada disso me abala. A recompensa está no rosto de cada um que me espera chegar, que me acompanha no Brasil e pelo mundo, é contagiante e revigorante ver a alegria que esse pessoal tem de poder conviver, nem que seja por poucos dias, poucas horas, com esses ídolos, sim, ídolos, mais do que isso, heróis, que estão sempre me cercando e que nunca poderão ser questionados porque sempre foram exemplos, sempre deram exemplo e sempre serão respeitados pela história que me ajudaram a construir.

Estou magoado, chateado, triste, porque, faltando apenas um ano para os Jogos Olímpicos de Londres-2012, uma época feliz, que me motiva, que me inspira, levo um banho de água fria assim, vindo do nada, sem propósito ou explicação. Quando eu mais precisava de apoio, vejo que não posso contar com muita gente, especialmente com quem eu sempre esperava poder contar nesse momento tão importante. Nada vem de graça, tudo o que conquistei até hoje foi fruto de muita dedicação, muito empenho e muito profissionalismo. É ruim, muito ruim, ser tratado como sou tratado. Mas tudo bem. Infelizmente, me acostumei. Enquanto não se importam com a minha desgraça, eu sou grato, muito agradecido, aos que gostam de mim, que me apoiam e me empurram para a frente.

O último fim-de-semana em Roma foi maravilhoso, foi mágico. Obrigado, Emanuel, Alison, Ricardo, Márcio, Juliana e Larissa, muito obrigado por me ajudarem a escrever esse desabafo.

Obrigado pela oportunidade,
Atenciosamente,
Vôlei de Praia Brasileiro”



  • Mauricio

    Maravilhosa a vitória da Juliana e Larissa, no domingo. E o Alison é fenômeno. Tomara que seja um sinal para grandes vitórias em Londres 2012.

  • Emerson

    Muito sério isso Daniel.
    Ainda não identifiquei o atleta em questão, mas sem duvidas ele fala 100% verdade.
    Muitos atletas profissionais de acham só por estarem nas seleções de voleibol, tanto fem como masc, vários que esnobam os fãs desse grande esporte por pura vaidade, orgulho e por se sentirem fundamentais num plano tático.
    Presenciei isso várias vezes com jogadores de volei, como por exemplo Jaqueline, Taissa, Dani Lins, Dante, Sidão etc…
    Se acham, mal sabem elas que iremos todos para o mesmo buraco um dia, que a idade chega e interromperam suas carreiras, lastimável e R-I-D-I-C-U-L-O.
    Apesar dos nomes citados, temos muito no lado bom, como Nathalia, Sheilla (um exemplo, me surpreendi com tal comportamento), Ade, Brait, Sassa, Virna, Fofão, Serginho, Murilo, Wallaces etc.

  • Gláucio Melo

    Daniel, esta carta aberta foi enviada para o sr. Ary “Todo-Poderoso” Graça? Era bom ele ler isso. Assim cairia na real e ia parar de falar tanta besteira. Ou será que não? Parabéns!

  • Rafael

    Parabéns pela iniciativa e coragem do Volei de praia!
    O Volei brasileiro, seja indoor ou de praia, é sinônimo de títulos. O indoor conta com o apoio da CBV, o de praia nem tanto. Outro dia li uma reportagem do Ari Graça que esboçava o desejo de levar as duplas pra treinar em Saquarema. Isso submeterá nossos atletas a CBV. Será q as duplas querem realmente isso???
    Particularmente, não curto o discurso de primo pobre ou q sofre perseguição.
    A meu ver, o Volei de praia deveria se submeter a CBV e aí sim reclamar de tratamentos diferenciados. Nem poderia opinar já q nao sei o q se passa nos bastidores. Só sei q torço para o Brasil sempre, indepente do esporte.
    Abraços

    • marião

      Ele pode até não apoiar muito o Volei de Praia, mas que ele estava em Roma pra receber os “louros” junto com os nossos CAMPEÕES ah..sim.. ele estava.
      Se a carreira do indoor é dolorosa (treinos, concentrações, viagens,ausencia de família) não estou falando só das seleções masc. e fem. falo tambem dos clubes, que tem que sangrar para poder dar a esses atletas um status de dignidade para poderem disputar os campeonatos regionais e super ligas.
      Agora, com certeza, se a CBV desse um pouquinhos mais de apoio ao Volei de Praia, “meu Deus”
      ai não teria pra ninguem……mesmo…..
      Imaginem voces, se raspando o fundo da panela, correndo particularmente atraz de patrocínios, eles chegam aonde chegam…imaginem com um pouquinho a mais de ‘ GRANA’ e suporte técnico.
      RESULTADO: Medalha,medalha,medalha

  • Diogo Marcio

    Não tem o que reclama do volei de praia, assim como o de quadra, enche muitos brasileiros de orgulho e medalhas! õ/° o/°

  • tigrao

    Daniel, vc não acha uma vergonha que em PAÍSES como AÚSTRIA e SUÍÇA, que nem tem praia, os jogadores de volei de praia tenham mais apoio do governo e patrocinios da iniciativa privada do que o BRASIL que tem um litoral imenso?
    Nao foi à toa que JEFERSON BELAGUARDA optou por defender a SUIÇA e não mais o BRASIL no volei de praia, assim como a dupla de PARAIBANOS GEOR e GIA que trocaram o BRASIL pela GEORGIA.
    Os irmaos INGROSSO que nasceram no CEARÁ e defendem a ITALIA.

    • Daniel Bortoletto

      Vale lembrar também, Tigrão, que alguns jogadores recebem boas propostas financeiras e acabam de naturalizando. Sabem que não estão no nível dos melhores do país e vislumbram um futuro melhor fora.
      Concordo que poderia existir mais apoio da iniciativa privada, algo que no vôlei de praia faz diferença para as viagens.

  • Ismael

    Não tenho o que dizer do voleibol de quadra ou praia..o vôlei é minha paixão hoje, amanhã e sempre.

    E nesse país que hoje se joga um futebol mediocre o vôlei é de longe…muito de longe o nosso esporte mais vitorioso e faz tempo.

    Mas eu queria saber demais quem escreveu essa carta. Mas parece demais que foi escrita em conjunto pelos atletas brasileiros junto das comissões técnicas.

    100 % voleibol

    • Rafael

      Nao acredito ter sido um, e sim vários atletas. O final da carta me induziu a pensar q ela foi escrita pelas 3 duplas finalistas do Brasil…

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