Caramuru usa artifício jurídico para jogar a Superliga



Os bastidores do vôlei brasileiro estão fervendo para a resolução do caso Botafogo. E a última cartada do Caramuru pode ser decisiva.

O time paranaense, 11º colocado na última edição da Superliga masculina, utiliza uma estratégia jurídica para ficar com a vaga do time carioca na elite nacional.

Devedor de salários na temporada passada (varia entre quatro e cinco meses), Caramuru não teve o termo de regularidade financeira assinado por atletas e integrantes da comissão técnica. E essa comprovação do fair play é uma exigência da CBV para inscrição nas competição subsequentes. Para driblar o impedimento, o clube resolveu entrar com um processo contra os credores.

Estratégia semelhante foi usada pelo América Montes Claros, que neste ano voltou a utilizar o CNPJ emprestado na temporada passada ao Corinthians/Guarulhos. Como os paulistas também ficaram devendo, o CNPJ dos mineiros ficou “negativado”. Para recuperar a vaga, Montes Claros entrou com processo contra os atletas credores do Timão.

Existem diferenças entre as situações, mas com a jurisprudência aberta no caso anterior a CBV pode não ter como escapar de confirmar a vaga ao Caramuru.

Como publicado pelo Web Vôlei hoje, a CBV decidiu dar um prazo até segunda-feira para o Botafogo tentar arrumar um patrocinador e ficar com a vaga. Em paralelo, avançou no processo obrigatório de substituição dos cariocas. Respeitando a ordem estipulada no regulamento (os dois rebaixados da última Superliga e na sequência do terceiro colocado em diante da Superliga B), a CBV abriu a lista de interessados. E, como esperado, ela é composta por Caramuru (PR), São Judas (SP), Anápolis (GO) e Lavras (MG). E justamente por estar no “topo” desta lista, Caramuru passa a ser o primeiro a ter a situação analisada para ficar com a vaga.

Caramuru contra o Corinthians na última Superliga (Divulgação)

Em agosto, a inscrição do time paranaense na Superliga C já havia gerado reclamação de atletas e integrantes da comissão técnica. Relembre aqui a carta enviada por Victor Hillmann, então técnico do time. Em quadra, Caramuru garantiu vaga para jogar a Segunda Divisão. E agora pode saltar para a elite sem passar pela B.

Com a Superliga a uma semana do início, o imbróglio arranha a imagem da competição. E as brechas no regulamento permitindo o drible na lei do fair play são um perigo enorme para o presente e para o futuro do esporte.

A ver as cenas dos próximos capítulos.



MaisRecentes

Não sei em quem apostar na Superliga feminina



Continue Lendo

Coluna: Um por todos, todos contra Taubaté na Superliga?



Continue Lendo

Coluna: A situação do Botafogo exige uma reflexão



Continue Lendo