Cachopa e Negro venceram as críticas mais cruéis



A temporada 2019/2020 do vôlei nacional ainda não terminou. Para dois personagens, porém, ela já pode ser considerada um sucesso. O levantador Fernando Cachopa, do Sada Cruzeiro, e o técnico Nicola Negro, do Itambé/Minas, literalmente calaram os críticos.

E, quando falo em críticas, quero deixar claro que são as piores possíveis. Xingamentos, agressões pessoais e gratuitas, perseguição. Nada construtivo. Às vezes tento me colocar no lugar de quem as recebe. E admito ser muito difícil lidar.

Atualmente, no mundo das redes sociais, virou o esporte predileto de alguns ser “hater”. Muitos, sem a necessidade inclusive de mostrar o rosto, criam o péssimo hábito de ofender o mesmo personagem, faça chuva ou faça sol. Criam a verdade absoluta de que tudo de ruim com o time de vôlei, neste caso, tem um único culpado. E assim funcionou com Cachopa e Negro.

Em comum, eles carregavam nos ombros, além da desconfiança dos haters, o sucesso dos antecessores. No vitorioso projeto do Sada Cruzeiro, Cachopa viu William se transformar numa referência da posição no Brasil. Foi uma engrenagem importante na criação de uma hegemonia, com títulos nacionais, continentais e mundiais. Com a saída do Mago para o Sesi, Cachopa passou a trabalhar com o argentino Uriarte. E o hermano também foi decisivo em conquistas cruzeirenses. O peso aumentou.

No caso do técnico italiano Nicola Negro, a responsabilidade também era enorme. Substituir o compatriota Stefano Lavarini, comandante do Minas na conquista da Copa Brasil, do Sul-Americano, da Superliga, neste caso após um longo jejum, além do vice-campeonato mundial.

As pesadas críticas começaram quando os resultados iniciais de Cachopa e Negro não repetiram os dos antecessores. Para os imediatistas de plantão, estava decretado: faltava capacidade para os dois. Não era apenas hora de mudanças no Cruzeiro e Minas. Era preciso esculhambar, esculachar, humilhar os “culpados”. E nisso as redes sociais são realmente cruéis.

Cachopa

Cachopa em ação (Agênciai7/Divulgação)

Mas, como diz o sábio ditado, “o tempo sempre se encarrega de colocar tudo em seu lugar”. Cachopa foi convocado para a Seleção Brasileira e, a partir do segundo semestre do ano passado, aproveitou uma folga maior para o titular Bruninho para mostrar serviço. Ganhou confiança. Na volta ao Sada Cruzeiro, nesta temporada, parecia outro jogador. Mais preciso, mais corajoso na escolha das jogadas, mais cascudo. Passou a ser protagonista, ajudando o time, após a maior mudança no elenco em dez anos, a conquistar títulos. No último, o Sul-Americano, foi eleito o MVP.

Com Negro, o tempo nem foi tão grande assim. Passou a ser cobrado após as derrotas para o arquirrival Dentil/Praia Clube nas duas primeiras competições no comando do Minas. O fato de o time precisar substituir Natália e Gabi não era capaz de dar paciência para a torcida. E a “cabeça” do treinador era um pedido constante. O clima começou a mudar com a vitória sobre o mesmo Praia, a primeira do ano, na disputa do quinto lugar do Mundial. E definitivamente ficou ensolarado com a conquista do Sul-Americano, mais uma vez após duelo com a equipe de Uberlândia.

Hoje, o levantador e o treinador são sobreviventes das guerrilhas virtuais. E merecem aplausos pela forma com que lidaram com o linchamento.



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