Memória: Brasil mundial juvenil feminino em 2005



Ana Tiemi, Regiane, Fê Garay, Suelle, Adenízia, Thaísa e Suelen. Poderia ser um time concorrente ao título da Superliga 2017/2018, não? Na verdade essa formação foi a base titular da Seleção Brasileira feminina na conquista do Campeonato Mundial de 2005.

Escolhi essa geração para iniciar uma série de textos sobre conquistas do Brasil nas categorias de base e jogos históricos das Seleções adultas. Particularmente o time acima me chamou a atenção pela quantidade de jogadoras que atravessaram a difícil transição do juvenil para o profissional e atualmente fazem acesso pelas quadras mundo afora.

Na Turquia, o time comandado por Antonio Rizola conquistou a medalha de ouro ao bater Sérvia e Montenegro na decisão, de virada, por 3 sets a 1, parciais de 22-25, 25-12, 25-16 e 25-14.

O time brasileiro no Mundial juvenil de 2005 (FIVB Divulgação)

Regiane, atualmente no vôlei polonês e por muitos anos jogadora de Bernardinho no projeto do Rexona, foi a maior pontuadora da final com 19 acertos. Curioso ver a ponta usada naquela Seleção na saída de rede por Rizola.

Fernanda Garay marcou 15 pontos na decisão contra as sérvias, seguida pelas centrais Adenízia (12) e Thaísa (11). Suelle terminou com oito, três a mais do que a levantadora e capitã Ana Tiemi. Já Suelen, até então levantadora, disputava a primeira grande competição como líbero.

– Foi uma geração diferenciada. Depois da geração que foi campeão mundial juvenil em 2001, com muitas jogadoras chegando à Seleção adulta, como Fabíola, Ana Cristina, Paula Pequeno, Sassá, Jaqueline, Sheilla, Andreia Sforzin e Veridiana, esta foi a geração que também serviu de fortalecimento para a Seleção adulta com um grande número de jogadoras – admite Rizola, atualmente treinador da seleção adulta da Colômbia e coordenador do programa do setor feminino da federação local.

Na véspera, o Brasil fez uma semifinal eletrizante contra a Itália. Após 2h17min, triunfo no tie-break, parciais de 28-26, 31-33, 21-25, 25-19 e 15-13. Luciano Pedulla, técnico da Azzurra, havia trabalhado com Rizola durante alguns anos na Liga Italiana. Ambos se conheciam muito e taticamente o duelo foi um jogo de xadrez.

Regiane terminou com 23 pontos e a equipe se acabou em lágrimas na quadra após a classificação para a decisão.

– A partida contra Itália foi a mais difícil da campanha, decidida nos detalhes. Um jogo no qial os bloqueios de Thaísa e Adenízia fizeram a diferença, não tanto pelo número de pontos mas para a organização da defesa. Fernanda Garay mostrou sua força e Ana Tiemi teve uma ótima atuação – relembra Rizola.

O elenco brasileiro contava ainda com Michele Pavão, Natasha, Camila Torquete, Veronica e a saudosa Natalia Manfrin, que faleceria um ano depois do Mundial, após sofrer um acidente automobilístico na Rodovia Régis Bittencourt.

– Natalia era uma menina muito inteligente e a que organizava as bagunças, mas sem aparecer. Querida por todos, ela era uma craque de bola. Jogava em qualquer posição e era muito competitiva. Eu a conhecia desde quando nasceu, pois é filha de Marcio Manfrin e da Verônica, dois atletas que convivi muito, pessoas queridas. Natalia organizava com as colegas, durante os intervalos de treinos e jogos, “curtas-metragens”, de danças ou de cenas de novelas da época. Ela era uma figura muito animada e querida – conta Rizola.

Veja galeria com imagens da campanha:

CURIOSIDADES:

  • Chefe da delegação brasileira era Potengi de Lucena, presidente da Federação Paraibana, o Popó. Um dos grandes incentivadores do vôlei no Nordeste, ele faleceu em 2014. A CBV batizou com o nome dele uma de suas principais competições de base, para crianças abaixo de 15 anos.
  • A única brasileira no time-ideal da competição foi Adenízia, eleita a melhor bloqueadora. A maior pontuadora do Mundial foi a estrela japonesa Saori Kimura. A melhor jogadora do torneio foi Jovana Vesovic.
  • Regiane foi a maior pontuadora do Brasil na competição: 108. Ela ficou na quinta posição geral, atrás da japonesa Kimura (148), da italiana Sandra Vitez (118), da sérvia Jovana Vesovic (116) e da turca Seda Tokatlioglu (115).
  • Aquele foi o terceiro título brasileiro consecutivo do Brasil, o quinto na história. Atualmente o país soma seis conquistas.


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