Brasil deixa Montreux sem medalha e com preocupações



A campanha da Seleção Brasileira feminina no Torneio de Montreux foi encerrada neste domingo. A derrota para a Turquia por 3 sets a 2 foi a terceira em cinco partidas. E, agora com o Campeonato Mundial cada vez mais próximo, o time de José Roberto Guimarães preocupa pelo desempenho inconstante na temporada.

A disputa do bronze com as turcas foi mais um bom exemplo para ilustrar a irregularidade brasileira. Os dois primeiros sets foram assustadores. Uma equipe com guarda baixa, errática em quase todos os fundamentos, sem vibração. A Turquia fechou em 25-16 e 25-18 sem tomar conhecimento. Parecia encaminhar um 3 a 0 avassalador.

A impressão deixada pelo Brasil até então era a pior possível. Como escrevi no Twitter e falei durante a transmissão na ESPN, o time mudou da água para o vinho na sequência. O bloqueio apareceu com Adenízia e Carol, o passe teve momentos de estabilidade, a virada de bola foi mais efetiva. E assim o jogo ficou equilibrado, com a definição apenas pela diferença mínima a favor das turcas no tie-break: 15 a 13.

Curiosamente, as três derrotas do Brasil no torneio foram no quinto set (Polônia na fase de classificação e Itália na semifinal).

Gabi no duelo contra o bloqueio turco (Divulgação)

Tecnicamente, o passe segue como o fundamento que mais me preocupa na equipe. Em jogos deste nível, uma líbero como a Suelen precisa oscilar menos. Ainda mais a partir do momento da saída de Fernanda Garay. E talvez esse seja o ponto mais preocupante deste texto.

No fim do primeiro set, a ponta pediu para sair depois de atacar uma bola. Se minha leitura labial não está equivocada, ela falou ombro para Zé Roberto antes de ser substituída por Drussyla. Tudo o que o Brasil não precisa atualmente é mais um problema físico. Garay passou o restante do jogo no banco, com um semblante carregado. Torço para não ser nada grave.

Vale lembrar que Tandara e Bia ficaram em tratamento no Brasil também por problemas no ombro. Natália, em processo de recuperação após tratamento de um tendinite crônica no joelho, viajou com o time para Montreux, mas fez apenas passagens pelo saque. Ainda faz um trabalho inicial de saltos e não pode ser usada para atacar e bloquear. Thaisa, outra voltando de grave lesão, jogou o máximo de dois sets por jogo. Mesmo Drussyla e Suelen voltaram de lesões após a Liga das Nações.

Um cenário que impossibilita Zé Roberto escalar força máxima e ter uma sequência. Em resumo, é um Brasil ainda longe da forma e do ritmo ideais. Com o Mundial se aproximando, é para ficar sim preocupado.

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