Brasil fatura sul-americano no sufoco. Mas que virada foi aquela no quarto set?



“De virada, Brasil mantém hegemonia continental e fatura vaga na Copa dos Grandes Campeões”, foi a mensagem que escrevi no Twitter quando o Brasil fez 24 a 20 no quarto set, tendo 2 a 1 no placar diante da Argentina, na final do Sul-Americano masculino.

Seis incríveis pontos seguidos dos hermanos, com Uriarte no saque fazendo estragos em cinco deles, porém, me obrigaram a apagá-la, em uma daquelas reviravoltas que iremos lembrar pelo restante de nossas vidas. Veio o tie-break, a Seleção não sentiu o baque e fechou o jogo em 3 a 2, garantindo a 29ª conquista da competição ao país em 30 torneios jogados. E assim pude escrever, desta vez somente após o jogo ser fechado, que fique claro: “Ufa. Brasil fatura Sul-Americano no tie-break,  mantém hegemonia continental e garante vaga na Copa dos Grandes Campeões no Japão”.

Fiquei pensando, após essa parcial, que talvez tenha sido a última vez que vi tal fenômeno. Culpa da tal regra do set de 21 pontos, proposta que ainda não digeri e cada vez mais percebo a adesão de gente (graúda) do meio. Mas deixemos esse assunto para depois…

Em um campeonato já fraco, que perdeu a Venezuela por falta de vôo (!?!), o time de Bernardinho só tinha este jogo de nível para fazer. E o fez aos trancos e barrancos em vários momentos. Algumas conclusões para vocês discutirem aqui:

– O sistema de passe precisa melhorar. O Brasil, que nunca teve a equipe mais alta do mundo, sempre se caracterizou por jogar em velocidade, ousando, já que não tem na força sua principal virtude. E, para isso, uma recepção primorosa é quase obrigação. Os rivais já perceberam que minar Lucarelli é a alternativa mais viável atualmente. E o novato-sensação precisa ser mais constante no fundamento, ganhando confiança assim para executar seus poderosos ataques. E fica claro também que Murilo faz muito falta.

– A presença de Sidão é uma arma poderosa, tanto no saque quanto no bloqueio. Foi a melhor notícia que a Seleção teve em Cabo Frio, após o jogador se recuperar de um problema na coluna, que o afastou da Liga Mundial. Ainda faltam ritmo de jogo, a condição física ideal e até um pouco mais de confiança.  Mas já se percebe um setor de meio de rede mais forte.

– Segue a alternância entre Vissotto e Wallace na saída de rede. O gigante titular não esteve bem neste sábado, acabou substituído e viu o companheiro mostrar, mais uma vez, bons e maus momentos. A boa notícia é que Wallace foi bem no tie-break, algo que pode dar-lhe uma confiança maior, por justamente estar sendo mais cobrado em situações de decisão nos sets.

Por fim, nas entrevistas ao SporTV pós-jogo, Lucão e Bernardinho alfinetaram o calendário, sempre ele. O central reclamou que não tirou férias nos últimos 15 meses e o treinador pediu compreensão aos clubes. Assunto mais do que polêmico, já que são eles, os clubes, que pagam os salários e quase sempre pagam também o pato.

Para mim, é simples: não é apenas o calendário nacional que precisa mudar, algo que começará a acontecer em 2013/2014. Mas é preciso rediscutir também o calendário mundial da FIVB, que vem ganhando ainda mais competições (Mundial sub-23 é um exemplo), além de inchar torneios já existentes com mais seleções. Hora de refletir, Ary!



  • Iuri

    Daniel, por favor complemente seu texto…o sul americano deu 2 vagas (Argentina e Brasil) para o Campeonato Mundial do que vem na Polônia, e não apenas a vaga do Brasil pra Copa dos Campeões.

    • Daniel Bortoletto

      eu sei. mas ninguém tinha dúvida que os dois ficariam com as vagas, depois da ausência de Venezuela, né?

      • Iuri

        Sim, sim, claro! Falei isso porque nem a própria seleção sabe disso. O líbero reserva Alan falou ao vivo na Sportv – tentando consertar o repórter – que eles não tinham ainda a vaga do mundial, e que esse torneio só serviu pra Copa dos Campeões. Como achei uma desinformação absurda, só quis mesmo ratificar no seu post.

        • Daniel Bortoletto

          desconhecia tal gafe

  • Júnior – RS

    Eu acho que não deveria ter tantos torneios internacionais…por exemplo essa Copa dos Campeões, na minha opinião não deveria ter. A Liga Mundial e o Grand Prix no fim das contas estão mais inchados ainda, enquanto que deveria ser pelo contrário, um torneio menor, mas mais qualificado. No fim, isso acaba prejudicando todas as reformas que se buscam no calendário dos clubes. Espero que as reivindicações dos clubes sejam realmente atendidas.
    Aproveitando para desejar um feliz dia dos pais a todos!

  • Jairo(RJ)

    Daniel,
    Você acredita mesmo que o Dr. Ary irá promover alguma mudança?

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