Coluna: Brasil precisa abrir o olho com a base



O vôlei brasileiro precisa discutir com rapidez e muita seriedade as categorias de base. O país está revelando em menor quantidade, com qualidade inferior e os resultados em quadra já não são mais os mesmos.

Técnicos e jogadores das Seleções adultas já falam abertamente no aumento da preocupação com o futuro. E eles não falam em um horizonte de duas décadas ou mais. O temor já é o próximo ciclo olímpico. Manter-se no topo no cenário adulto internacional está cada vez mais difícil. O que se vê é uma necessidade frequente de estender a carreira de alguns ícones, já que a reposição não é à altura. Exemplos não faltam nas Seleções Brasileiras masculina e feminina. Também é nítida, ao fazer uma análise nos times da Superliga, a carência de novos talentos. Atletas demoram mais tempo para se firmar no cenário nacional, aumentando a dependência de várias equipes em atletas acima dos 35 anos. Nada contra quem mantem o alto nível já sendo chamado de veterano(a), que fique claro. Mas faltam jovens talentosos para fazer a “seleção natural” do esporte.

Os resultados nos Campeonatos Mundiais são a ponta do iceberg. Em 2017, dos cinco torneios já disputados, o Brasil não subiu ao pódio. Falta apenas o Mundial sub-23 feminino, na Eslovênia, onde a Seleção defenderá o título em 15 dias. Performance bem abaixo da tradição do país neste tipo de competição.

Brasil venceu em 2015, na Turquia, o Mundial sub-23 feminino (FIVB Divulgação)

Brasil venceu em 2015, na Turquia, o Mundial sub-23 feminino. Em setembro, defenderá o título na Eslovênia (FIVB Divulgação)

Dados para deixar a tradição mais clara. No Mundial sub-18 feminino, o Brasil lutará pelo nono lugar. Na história da competição, em 15 edições, o país foi ao pódio nove vezes, com três títulos. No sub-19 masculino, a Seleção, com seis títulos e um total de nove pódio em 15 disputas, disputará do quinto ao oitavo lugares. No sub-20 feminino, o país soma seis títulos, cinco vices e dois terceiros em 17 edições. Na atual, terminou em quinto lugar, após perder para Polônia, Turquia e Rússia. Já no sub-21 e no sub-23 masculino, a medalha bateu na trave, com o Brasil terminando em quarto.

Neste caso, não dá para escolher a Confederação Brasileira como única vilã. O problema é mais grave e profundo. Começa pela extinção das categorias de base em clubes tradicionais, o fechamento de escolinhas em projetos renomados, falta de incentivo aos clubes formadores, o esvaziamento de competições e também uma certa acomodação geral pelos resultados do vôlei em um passado recente.

É preciso uma reflexão geral de toda a comunidade do vôlei sobre o assunto. A criação do Campeonato Brasileiro Interclubes, com torneios do sub-15 até o sub-21, entre outubro e dezembro, é um primeiro sopro de esperança. Mas ainda é pouco.



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