Brasil 1 x 3 Estados Unidos. Dois “Brasils” em quadra



O Brasil não resistiu ao favoritismo dos Estados Unidos, nesta segunda-feira, em Londres. 3

A derrota por 3 a 1 pode ser dividida em duas partes: o avassalador domínio americano nos dois primeiros sets e o jogo parelho nas duas parciais seguintes.

A partir do segundo tempo técnico do primeiro set, o time americano brincou de jogar vôlei. Passa com perfeição (Davis é uma excelente líbero), tem muito volume de jogo (Logan Tom é bom sinônimo) e as atacantes definidoras estão em ótima fase (Hooker e Larson jogaram demais). Some-se a isso o passe instável de Paula Pequeno e Jaqueline em boa parte do jogo, a distribuição pouco precisa ontem de Fernandinha, uma defesa inconstante e um ataque que sofre demais para colocar a bola no chão. Assim, as parciais de 25-18 e 25-17 provam a disparidade entre as duas seleções.

Daí para frente, o jogo ficou equilibrado. Como o Brasil conseguiu isso: Dani Lins teve uma distribuição mais segura, já que Fernanda Garay deu mais constância e passe, além de virar uma boa opção ofensiva. Sheilla, que vinha apagadíssima, entrou no jogo e passou a virar alguns contra-ataques. A defesa tocou em mais bolas e Fabiana passou a bloquear (foram cinco dos sete pontos da Seleção no fundamento).

Se tivesse mais tranquilidade, o Brasil poderia ter levado a decisão para o tie-break. Os erros de saque na reta final do set foram decisivos. O time ainda perdeu contra-ataques e viu Larson, com a ajuda da fita, fazer um ponto decisivo, que poderia deixar a vantagem em apenas um ponto.

Os números mostram algumas constatações

– Thaisa, que fez 11 pontos no ataque, passou todo o jogo sem pontuar no bloqueio. Akinradewo também zero.

– Paula e Jaqueline tiveram pouco mais de 60% de eficiência no passe. Como comparação, Garay teve 73% e Logan Tom quase 80%.

– O ataque brasileiro teve aproveitamento de apenas 26%, quase dez pontos percentuais a menos do que as americanas.

– Comparem o desempenho das opostos: Hooker (42% no ataque e 23 pontos); Sheilla (16,6% e 15 pontos).

Se o Brasil do terceiro e quarto sets voltar à quadra nas próximas rodadas, pode sonhar com algo mais. Mas o Brasil das primeiras parciais deve se retirar com urgência de Londres.



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