Brasil 0 x 3 Coreia. E não é Primeiro de Abril



Bem difícil acreditar no que os olhos estavam vendo.

É muito fácil, em um momento como esse, descer a linha em quem perdeu, ainda mais pela forma com que a derrota incontestável aconteceu. Criticar técnico, todas as jogadoras, dirigentes e pronto. Eu seria aqui aclamado por 95% das pessoas. E alguns iriam pedir ainda mais ênfase nas críticas.

Mas acho que o momento é propício, sim, para uma reflexão. O que acontece com a Seleção feminina de vôlei?

É fato, ninguém duvida, que o time está jogando mal. Já vinha demonstrando instabilidade no Grand Prix. Mas em Londres esses altos e baixos aumentaram consideravelmente.

Difícil apontar uma ou outra jogadora que esteja se salvando. Em alguns momentos dos três primeiros jogos da Olimpíada, eu, me colocando no papel de técnico, tive vontade de trocar o time todo junto. E logo depois, ainda insatisfeito, senti  vontade de mudar as sete novamente.

Parece que uma peça em tarde/noite ruim contamina a outra que está ao lado. Deveria ser o contrário. Se uma consegue ir bem, as outras deveriam se contagiar.

Muitas vezes as expressões faciais dizem tudo. Uma olha para outra tentando entender. “Você sabe onde meu jogo foi parar?”. Ninguém desaprende. Mas é possível ninguém se entender em quadra.

Contra a Coreia, até gostei da defesa, para não ser injusto. Tivemos volume, geramos contra-ataque, fizemos as orientais atacarem mais vezes em busca de um mísero ponto. Mas os demais fundamentos deixaram muito a desejar. E, numa Olimpíada, não se ganha do segundo time mais fraco do seu grupo quando quase toda a engrenagem do time está mal. Mas se perde para esse mesmo rival por 3 a 0, como visto nesta quarta-feira.

Deixando aspectos técnicos e táticos de lado, a pergunta “O que acontece com a Seleção feminina de vôlei?” pode ser feita sob a ótica dos cortes de Mari e Fabíola. O grupo que está em Londres ainda sente?

À distância, me parece que sim. Não sei precisar se muito ou pouco. Eram queridas, por muito tempo titulares, tinham ascendência sobre o grupo.

Mas dizer que somente esse aspecto explica tudo, como tenho ouvido nas redes sociais,  é ser simplista ou comodista ao extremo. Não gosto de pensar no “se”. Se a Mari estivesse lá, perguntam os fãs, seria diferente? Talvez. Mas ela não está. E a recuperação deste time vai precisar acontecer sem ela.

No papel, a situação é bem clara. O Brasil é o QUINTO colocado, com dois pontos. EUA (9), Coreia e China (6) e Turquia (4) seriam hoje as classificadas para as quartas de final. A Seleção ainda vai encarar China e Sérvia, lanterna que ainda não pontuou. Vencer os dois jogos (sem tie-break) passa a ser obrigação para, no mínimo, avançar.  Depois, um jogo só, mata-mata e talvez outro espírito em quadra. E, a frase mais batida, tudo pode acontecer.

Vai ser difícil esse time dormir hoje. Espero que a reflexão, ao menos, leve para essa equipe, que não é qualquer uma, uma atitude diferente em quadra daqui para frente.



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