Bons líberos fazem muita diferença



Ainda no clima de provável despedida de Escadinha, a Coluna Saque do dia 27/2, no LANCE!, é sobre os líberos. Confira abaixo, na íntegra.

Normalmente eles são baixinhos, em um esporte cada vez mais tomado por gigantes. Não podem atacar, bloquear ou sacar, por consequência, não pontuam. Vestem até um uniforme diferente do que os companheiros de equipe. Em média, não brigam pelos maiores salários no momento da montagem de um time. Ainda assim, é raro ver no vôlei atual uma equipe ou seleção vencedora que não tenha um(a) “grande” líbero(a).

A valorização dos líberos, talvez, só acontecerá, quando alguns desbravadores da posição pararem de jogar e provarem por A + B que fazem muito falta. É o caso, por exemplo, do gigante Escadinha. Na semana passada, em entrevista ao LANCE!, ele deu novos indícios de que a passagem vencedora pela Seleção terminou. Uma pena! Ele ficou quase uma década como titular absoluto do time de Bernardinho, ganhou tudo e virou referência.

Durante a cobertura de Liga Mundial, Copa América, Olimpíada ou Mundial, ouvi de alguns craques internacionais, do porte de Nikola Grbic, Lloy Ball e Alessandro Fei, para ficar apenas com o trio peso pesado, de que o sucesso do Brasil passava pelo “fenômeno, showman e iluminado Sérgio”, como alguns preferem chamá-lo. Dividindo o vôlei como AL (antes do líbero) e DL, ninguém na nova posição foi tão eficiente na defesa e no passe quanto Escadinha.

A categoria de um líbero acima da média minimiza, inclusive, a deficiência que alguns pontas possuem, principalmente, na recepção. E dá segurança para que eles foquem mais o ataque. Muitos técnicos de ponta, atualmente, estão preocupados com a carência de pontas que sustentem a linha de passe com maestria e também sejam atacantes de alto nível. Para deixar a discussão apenas em nível nacional, José Roberto Guimarães sofre para dar consistência ao passe da Seleção feminina, já que Paula Pequeno, Mari e Natália, por exemplo, não passam tão bem quanto atacam. Sobra para quem? Para a líbero Fabi, outra fora de série na função. Bernardinho não sofre tanto, já que Murilo, Dante e Giba são passadores acima da média, mas já deu, por exemplo, atenção especial para Samuel, antes de o talentoso jovem sofrer com lesões no ombro a partir de 2008.

Pensando no futuro, o Brasil tem material humano para ser lapidado e com potencial para substituir Escadinha (neste caso, imediatamente) e Fabi (um pouco mais à frente). Mário Júnior, que não vive boa fase, assim como o restante do Vôlei Futuro na Superliga, já tem um título mundial no currículo, mas ainda precisa melhorar na defesa. Entre os jovens talentos, Thales, 22 anos, e titular da Cimed, é uma aposta para o futuro. No feminino, Camila Brait, de 23 anos, já foi testada em nível nacional e precisa, agora, de rodagem internacional para ganhar a maturidade. Me arrisco a dizer, usando emprestada uma expressão do futebol, que um grande time de vôlei, hoje, começa com um grande líbero.
Deu gosto de ver

Já que o assunto é líbero, um jogo na sexta-feira à noite teve um duelo à parte entre Camila Brait, do Sollys/Osasco, e Stacy Sykora, americana do Vôlei Futuro. A estrangeira levou a melhor no placar (vitória de virada do time de Araçatuba por 3 a 1) e de quebra foi eleita a melhor jogadora em quadra.

Um amigo, que entende muito vôlei, acredita que as duas, ao lado de Fabi, estejam entre as cinco melhores do mundo na atualidade. Mostra que o nível da Superliga 2010/2011 é um dos melhores de todos os tempos.

No jogo, no Ginásio José Liberatti, as líberos tiveram trabalho, justamente pelo motivo citado acima (passadoras que oscilam muito na recepção). Pelo Vôlei Futuro, uma constatação unânime: finalmente as estrelas jogaram com um time e, coletivamente, tiveram sucesso. Pelo lado do Sollys, ficou claro a falta que Jaqueline, em recuperação de cirurgia no joelho, faz.



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