Bastidores: Já pulei a cerca com o Maurício



Evite qualquer pré-julgamento ao ler apenas o título deste post.

Santo Domingo, 2003. Minha primeira grande cobertura fora do Brasil foi o Pan-Americano da República Dominicana. Não tinha muita noção do que era aquilo, como funcionava, a grandeza e as dificuldades/facilidades do trabalho.

De cara, a cerimônia de abertura parecia um bicho de sete cabeças. Só parecia. Imaginava que haveria uma restrição já no acesso ao acanhado estádio. Ledo engano. Eu, com uma simples credencial no pescoço, poderia ficar no lugar que quisesse. Sem exageros. Resolvi me colocar à beira da pista de atletismo (sem exageros mesmo, já que se desse mais um passo pisaria na última raia e esbarraria em algum atleta). Com uma máquina fotográfica daquelas jurássicas no bolso e o bloquinho na mão, acompanho o desfile dos atletas brasileiros. O porta-bandeira era o levantador Maurício, que até acenou ao ver alguns jornalistas conhecidos tão próximos dele por ali.

O coitado pagou um mico. Para quem não se lembra, a organização entregou para ele uma bandeira brasileira completamente fora dos padrões (achei uma foto de divulgação do COB). Era obrigatório, então, entrevistá-lo.

Maurício no desfile de abertura do Pan-2003

Terminado o desfile, vou atrás de uma entrevista exclusiva. Ele concordou em falar, mas com uma condição:

– Cara, preciso pegar o próximo ônibus que vai para a Vila. Amanhã treinamos cedo. Não posso parar para falar. Vamos conversando no caminho.

Respondi prontamente:

– Está ótimo.

Só não imaginava de que, no caminho da saída da pista de atletismo do complexo esportivo até o estacionamento dos ônibus, eu e Maurício tivéssemos de pular várias cercas, que limitavam o acesso do público ao local. Vencidas as barreiras, literalmente, a entrevista foi feita e publicada no LANCE!



  • Vitor

    O título foi ótimo! hahaha
    Mas é isso aí, jornalista não pode perder a entrevista. No seu caso, ultrapassou todas as barreiras literalmente.

    ps: Que bandeira foi essa ? Eu não lembrava.

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