Atual campeão abre Superliga feminina com vitória. É o grande favorito?



O Dentil/Praia Clube abriu a Superliga Cimed feminina 2018/2019 com o pé direito. Em um interessante duelo com o Pinheiros, em São Paulo, vitória por 3 a 0, nesta terça-feira.

Se eu escrevesse apenas isso, você poderia concluir que o time de Uberlândia, reforçado por uma legião de selecionáveis e campeão da Supercopa na semana passada, é o favorito destacado para o bi, certo? Mas é preciso fazer tal consideração com moderação por vários motivos.

As movimentações do mercado ajudaram a embaralhar bem as cartas disponíveis e deixaram o nível dos times mais alto. Talvez o mais alto dos últimos anos no país. Várias jogadoras voltaram do exterior, 16 estrangeiras foram contratadas e peças importantes do cenário nacional trocaram de clube.

Tudo isso ajudou a Superliga a ter, na visão de treinadores e atletas, seis candidatos aos primeiros lugares. Como bem disse na apresentação da competição Antonio Rizola, técnico do São Cristovão/São Caetano, na atual edição o primeiro pode ser sexto e o sexto pode ser campeão. Não é um exagero.

Tal declaração tem a ver com o equilíbrio de forças de Dentil/Praia Clube, Sesc, Minas, Osasco/Audax, Sesi Bauru e Hinode/Barueri. E ela é corroborada por outros especialistas. Na minha modesta opinião, com razão.

Eu ainda coloco o Praia um pouco à frente dos demais. Pelo tamanho e qualidade do investimento, com nítida melhoria do elenco. Mas o favoritismo não será visto logo de cara, como já não foi visto diante do Pinheiros. A americana Carli Lloyd ainda não tem o entrosamento necessário com as atacantes, um dos fatores que explicam a dificuldade para bater o time paulista: 31-29, 26-24 e 26-24. O melhor da equipe de Paulo Coco deve ser bem visto de dezembro em diante.

Dentil/Praia Clube joga pelo bicampeonato (Ricardo Bufolin/ECP)

Explica, em parte também, o motivo de o Praia ter levado um sacode do Minas na final do Estadual. O placar de 3 a 0 deve mesmo deixar o fanático torcedor minastenista animado. O investimento em Gabi e Natália, principalmente, foi feito para o tradicional clube voltar ao lugar mais alto do pódio no cenário nacional. Bruna Honório foi outra boa aquisição, dando três opções de ataque bem interessantes para o técnico Stefano Lavarini. Com que a manutenção do restante do time-base (Carol Gattaz, Mara, Macris e Léia), o Minas vem mais forte do que nunca.

Hegemônico durante décadas, o Sesc fará a primeira Superliga sem Fabi. E isso não é pouca coisa. Gabiru, a substituta, terá a primeira prova de fogo na carreira na nova função. E será uma peça-chave para dar estabilidade ao passe, visto que Drussyla, Peña e Kosheleva não tem tal característica. A russa, inclusive, é o nome mais aguardado para ser visto na temporada brasileira. Pelo que já fez na carreira e pela expectativa de uma difícil volta às quadras após lesão no joelho. Na final do Carioca, deu um aperitivo do que a torcida pode esperar. Ela parece feliz, adaptada ao país e muito disposta a voltar ao tempos áureos. Por Kosheleva passa grande parte da possibilidade de sucesso da equipe de Bernardinho.

Na sequência, aparece um trio paulista. O Sesi Bauru venceu o Estadual com uma combinação pouco provável, mas com muito potencial, em quadra: Diouf e Tifanny. A italiana é outro grande reforço internacional e, nas primeiras atuações, já demonstrou ter capacidade para decidir. Com ela escolhida como titular na saída de rede, Tifanny, o nome mais comentado da Superliga passada, foi para o banco. Mas acabou sendo usada na ponta por Anderson Rodrigues em diversos momentos da final do Paulista. E deu ao Bauru um enorme potencial ofensivo. Se o técnico ajustar o passe com tal formação os bloqueios adversários terão muito trabalho para tentar parar a dupla.

Diouf no duelo com o bloqueio de Osasco (João Pires/Fotojump)

O Osasco/Audax perdeu o patrocínio da Nestlé, mas conseguiu uma remontagem até surpreendente para quem corria o risco de extinção. Três campeãs com o Praia (Walewska, Claudinha e Natasha), uma americana de respeito (Hooker), um retorno marcante para a torcida (Paula Pequeno) e a continuidade de boas peças (Camila Brait, Mari Paraíba e Leyva). Você já tem aí um time competitivo, em um mercado tradicional e apaixonado pelo vôlei, capaz de incomodar qualquer um dos citados acima.

Por fim, o Hinode/Barueri tem, no papel, potencial para brigar com os cinco outros candidatos ao título. Mas é quem deve ter mais trabalho para se transformar em um time competitivo. Dani Lins volta a disputar a Superliga após a gravidez, Thaisa busca a melhor forma após grave lesão no joelho, Skowronska terá a primeira temporada inteira também após recuperação de lesão, Amanda busca afirmação no cenário nacional, enquanto Elina Rodriguez e Maira são boas apostas. José Roberto Guimarães terá o desafio de fazer as engrenagens se encaixarem para a equipe funcionar.

Abaixo aparecem os seis outros participantes. Brigarão por duas vagas aos playoffs e outras duas vagas na elite, já que os dois últimos cairão para a Superliga B. Pinheiros e Fluminense, pelo demonstrado nos Estaduais, largam em vantagem de São Caetano, BRB/Brasília e os novatos Curitiba e Balneário Camboriú. Façam suas apostas!

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