As reuniões na CBV, o efeito Medioli e os próximos passos



Os primeiros passos para as mudanças mais do que necessárias no vôlei brasileiro foram dados, após longas reuniões na terça-feira, na sede da CBV, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

O encontro que abriu as discussões reuniu alguns técnicos, toda a cúpula da entidade, um representante da Rede Globo, alguns convidados e Ary Graça, presidente da FIVB. Logo depois, saíram os treinadores e entraram vários atletas de renome no país.

Logicamente, o tema Vittorio Medioli fez parte da conversa, já que o e-mail enviado para a CBV, após a final da Superliga, pelo mandatário do Sada/Cruzeiro, causou muita insatisfação ao se tornar público. Veja aqui o conteúdo da mensagem divulgada pelo blog, com exclusividade, na noite de segunda-feira: http://blogs.lancenet.com.br/volei/2013/04/15/email-bombastico-de-dirigente-do-sadacruzeiro-para-a-cbv/

O tom do discurso da entidade foi evitar que a “lavagem de roupa suja”, como diz o jargão, seja feita via imprensa. Esperado e compreensível, eu diria. Também foi levantada a questão do timing, já que a reclamação do cartola cruzeirense foi vista como oportunista, por ter acontecido após a vitória do RJX na final da Superliga.

Entre nós, a relação entre o Sada e a entidade já não é das melhores há anos. Esperei a poeira baixar para dar minha opinião sobre o conteúdo do desabafo. Medioli exagerou em alguns trechos do email, passou do tom ao fazer acusações pontuais contra rivais e contra a própria CBV, mas não surpreendeu ao tocar no assunto calendário, na relação com a Rede Globo e ao admitir que os clubes têm parcela de culpa pelo momento atual do esporte. Ou seremos ingênuos ao dizer que está tudo bem, que não existe nada melhor no mundo, quando técnicos, clubes e jogadores reclamam e pedem mudanças?

O balanço geral da CBV, após o incidente, é de que o produto vôlei não pode ser depreciado publicamente, pois afugentará investidores. Esse último ponto, na minha visão, é uma meia-verdade. Temos de discutir o modelo do esporte no país, como vejo os jogadores se movimentando para tal, mas sem evitar que “coisas ruins” sejam simplesmente varridas para debaixo do tapete. É minha opinião!

Sobre os assuntos discutidos, o mais importante (e que já cansei de defender aqui) é a mudança no calendário. Fiquei feliz ao saber que a conversa com técnicos e atletas tocou nesse ponto e existe uma promessa de novos papos e algumas alterações já na próxima temporada: criação da Copa do Brasil (talvez no estilo Copa Itália), Jogo das Estrelas, que darão um tempo maior de “vida” aos clubes na temporada, além de uma tabela mais inteligente e humana, evitando assim que um time jogue três vezes durante a semana ou fique três semanas sem jogar. É preciso equilíbrio. A decisão agora necessita de um aval da Rede Globo, que ainda tem um longo contrato em vigor com a CBV (veja no LANCE! desta quinta-feira mais detalhes sobre esse tema).

Mais alguns pitacos sobre outros assuntos:

– Bernardinho e José Roberto Guimarães, pela representatividade e importância no vôlei nacional, deveriam fazer parte do Grupo de Treinadores que será formado. Entendo as diferenças pessoais e profissionais deles, mas a palavra de ambos pesa bastante. Espero que eles colaborem neste momento crucial para o esporte.

– Bom saber que o tempo de duração dos jogos realmente está em estudo. Para a TV, principalmente a aberta, o vôlei atual é um pesadelo, já que uma partida de cinco sets destrói a grade de programação. Nas últimas décadas, o esporte se adaptou para ganhar exposição e brevemente mais mudanças irão acontecer para tentar deixá-lo “mais televisivo”.

– Por fim, espero que a união de atletas, que me perece muito sólida, seja um exemplo para que os clubes também tenham o mínimo de alinhamento para discutir o futuro do vôlei. Hoje, com cada um pensando apenas no próprio umbigo, todos perdem.

 

 

 



  • Cleverton

    Olha sinceramente podem criar a Copa do Brasil, jogo das Estrelas e esticar o campeonato, melhor de 5 jogos na final, isso tudo não mudara a situação do vôlei. O que de fato precisa acontecer e a CBV tomar as rédeas e criar seu próprio regulamento sem interferência de emissora. O campeonato vai ser assim, partidas exibidas em horários humanos e na tv aberta, quem adquirir direitos de exibição de tv aberta não poderá concorrer na tv fechada e internet, pagamento de uso de imagem como acontece no futebol as equipes. Duvido que por parte da TV Globo teremos metade da superliga, copa seja transmitido na tv aberta, duvido que as 5 partidas da final serão em TV aberta. Em fim mudara pouco, muito pouco. Soa até engraçado: a CBV é dona dos direitos do vôlei mas quem define o futuro é uma emissora.

  • Adriano

    “Ou seremos ingênuos ao dizer que está tudo bem, que não existe nada melhor no mundo, quando técnicos, clubes e jogadores reclamam e pedem mudanças?”

    E, no entanto, é bem assim que alguns colegas seus gostam de apresentar o vôlei para nós, não é mesmo?

    “Temos de discutir o modelo do esporte no país, como vejo os jogadores se movimentando para tal, mas sem evitar que “coisas ruins” sejam simplesmente varridas para debaixo do tapete. É minha opinião!”

    E, no entanto, o modelo que a CBV impõe é o da mordaça. Os caras não podem nem criticar publicamente algum aspecto da competição ou da confederação que sofrem punição. Acho, sim, que está havendo um avanço na comunicação, mas a passos lentos. Melhor que nada, deve ser.

    “Fiquei feliz ao saber que a conversa com técnicos e atletas tocou nesse ponto e existe uma promessa de novos papos e algumas alterações já na próxima temporada: criação da Copa do Brasil (talvez no estilo Copa Itália), Jogo das Estrelas, que darão um tempo maior de “vida” aos clubes na temporada, além de uma tabela mais inteligente e humana, evitando assim que um time jogue três vezes durante a semana ou fique três semanas sem jogar.”

    Eu acreditarei nisso vendo.

    “Bom saber que o tempo de duração dos jogos realmente está em estudo. Para a TV, principalmente a aberta, o vôlei atual é um pesadelo, já que uma partida de cinco sets destrói a grade de programação. Nas últimas décadas, o esporte se adaptou para ganhar exposição e brevemente mais mudanças irão acontecer para tentar deixá-lo ‘mais televisivo’.”

    Quanto a isso, sou obrigado a discordar. Podem me chamar de purista, mas eu não gostaria de ver o vôlei perder suas características. Eu acho que a TV pode perfeitamente se adaptar, se houver “vontade política” para isso.

    • bsb

      Concordo querer diminuir os sets para 21 pontos é ridiculo. Daqui a pouco vão querer fazer igual volei de praia, melhor de 3 sets até 21. Quando um jogo de futebol bom vai para a prorrogação ninguem reclama, a mesma coisa com o volei se o jogo for de alto nivel e bem organizado, coisa que falta para a CBV, ninguem irá reclamar se for para o tie-break, ou o jogo entre BrasilXRussia nas olimpiadas foi ruim?

  • Eduardo Pacheco

    E qual poderia ser essa medida para tornar o esporte mais televisivo? Diminuir o número de pontos? De sets?

    • Daniel Bortoletto

      diminuir o número de pontos por set

      • Luiz Justo

        Mas aí o jogo não seria tão emocionante. O esquema é que os sets devem acabar em 25 pontos, e não ficar disputando melhor de 2 pontos

  • Bruno Oliveira

    Pensar em conjunto já é uma vitória tanto! Esperar o aval da Globo que é uma lástima, mas o país inteiro, e não só o Voleibol é refém da Globo. Uma pena! A cada dia mais pessoas têm acesso as televisões fechadas, e isso é um fantasma para a Globo, fato. Fato também, que com a popularização do Voleibol, ele se torna interessante, “mas eles (Globo) querem mudanças”, como o Bortoletto mesmo disse: “é um pesadelo!” Eu já me acostumei ao fato do Voleibol, não ser esporte de televisão de televisão aberta, assim como outros esporte e programações. A mim não diminui em nada, e muito pelo contrário, as transmissões não serem pela televisão aberta, mas sei que para o Voleibol isso não é bom, quanto mais popular melhor. Diminuir o jogo? Vai suprir uma necessidade, mas vai tirar o brilho de outra! Nem todos os jogos são disputados a ponto de durarem 2h e 30 minutos! De certa forma, vejo que a Globo “se ligou” para o Voleibol! Aqui no Rio de Janeiro, esse ano, num fim de semana com jogos de Unilever e RJX, o Maracanãzinho lotou com 12.000 ou quase, e estádios de futebol não colocaram nem 5.000 para dentro. Nos Play-off aqui, ingressos se esgotaram em minutos ou poucas horas, cambistas fizeram a festa. Isso é para o futuro, mas daqui a pouco deve-se pensar em arenas e ginásios maiores. Na Polônia os ginásios comportam 25.000 ou 30.000, é o esporte mais popular por lá, tudo bem. Mas se formos comparar a demografia brasileira com a polonesa, aqui com certeza existem mais amantes de Voleibol do que lá. Pela procura que existe pelo Voleibol, mesmo sabendo que o Maracanãzinho é o templo do Voleibol, ele já está pequeno, pelo menos para o porte de uma cidade como o Rio de Janeiro, fico só pensando nas Olimpíadas, ingressos comprados 6, 4 meses antes e ginásio não comportando a procura por ingressos, gente de fora. Enfim, o Voleibol cresceu, que as mudanças venham para melhorar no “todo”, não só jogadores, técnicos, televisão e confederação. DINHEIRO NÃO É TUDO, porque se for O ESPORTE PERDEU A FINALIDADE!!!

  • bsb

    Já passou da hora da CBV fazer essas mudanças, mas pelo que eu sei a Copa da Italia da vaga para os 8 melhores colocados do primeiro turno da classificação da primeira divisão. Acho que este formato não atingiria todas as regioes do Brasil, como seria o ideal, principalmente Norte/Nordeste.

  • Lucas

    Bela matéria Daniel mas discordo de sua opinião a respeito da duração do jogo gerar o desinterese da TV aberta. Essa sempre foi a desculpa das TV’s abertas (Globo principalmente) para evitar o volei na sua grade de programação. Agora, quanto tempo a Globo dedica ao futebol? E às corridas de F1? A cobertura de uma partida de futebol e de uma corrida de F1 duram mais do que duas horas e isso não impede a emissora de ter no futebol o filé mignon. Estive verificando o tempo das partidas dessa Superliga no site da CBV e são raras aquelas que excederam 2h30m. Na verdade a maioria terminou em menos de 2h10m. Alguns dizem que as regras são confusas para o espectador acostumado ao futebol e outros usam o tempo de duração da partida como desculpa, mas o fato é que a maioria das emissoras de TV não veem o volei com um produto capaz de atrair audiência e, por isso, não dão ao esporte a menor importância. Reduzam o tempo de uma partida para aproximadamente 1h (3 sets de 11 pontos) e ainda assim as emissoras reclamarão.

  • vivi

    Porem achei nojento o texto do dirigente do Sada.
    Um texto puramente politico-demagogico, evidenciado nas vezes em q ele disse ter chorado… A mim soou como lagrimas de um grande crocodilo!
    Alias, crocodilagem nao faltou qdo ele disparou sua metralhadora de ofensas contra o RJX e o SESI.
    Pareceu choro de perdedor, afinal de contas, ano passado qdo o Cruzeiro foi campeao, ele ficou caladinho, na dele.
    Isso confirma q ele se aproveitou da situacao p/atacar injustamente Sesi e Rjx.
    Um time investe de acordo com a verba q tem, e se o RJX tinha verba para contratar excelentes jogadores, o q ha de errado nisso?
    Enfim achei um texto de candinha fofoqueira, que ficou guardando todo seu veneno para depois da final. Se ganhasse, ficaria caladinho, como no ano passado. Se perdesse sairia atirando p/ todos os lados e foi o que fez!!!

    • poly

      é estranho que tenha gente que não entende de vôlei para falar a favor de quem o defende. Esse cara no ano passado estava fora de circulação, transplante de figado há menos de 4 meses. Você queria que ele retirasse seu time de quadra em protesto. Não entendo essas intervenções : querem dar mais lucros a CBV e deixar o vôlei morrer?

  • vivi

    Para o volei ganhar mais espaco na TV aberta, e necessario:
    1. Arranjar alguma forma de controlar o tempo de duracao de um set, estabelecendo ujm tempo limite talvez;
    2. Acabar, de uma vez por todas, com o interminavel “vai a 2”, ou seja, a vantagem de 2 ptos p/ fechar um sset. Se um set termina em 21 pontos,mesmo q chegasse a 20×20, terminaria em 21×20, pois sets que beiram aos 30 pontos sao absurdos.
    3. Sou a favor tbem de baixar a pontuacao do set de 25 p/ 21 ptos. Na verdade, sou aa favor de que as partidas passem a ser melhor de 3 sets, assim como jah eh no volei de praia.

  • kaká

    Como fã do vôlei, gostaria de dar minha opinião sobre os debates que vêm sendo feitos em torno do vôlei.
    1- Considero muito válida a proposta de se fazer uma nova competição durante o final de uma superliga e o início da outra, pois considero frustrante ter que esperar sete meses para ver os times em ação. Se para mim, que sou apenas telespectadora, essa demora incomoda, imagina para os atletas, que ficam tanto tempo sem disputar um campeonato importante e para os donos dos clubes que precisam pagar os salários sem nenhum retorno. Alguns poderão alegar que existem os estaduais, mas deve-se lembrar que geralmente esses campeonatos dão destaque a uma ou duas equipes. Também poderão alegar que neste intervalo alguns atletas se dedicam à seleção, mas devemos lembrar que são apenas 12 atletas, que se dividem em dois times, e o restante permanece parado.
    2- Também acho errado o fato de a seleção estar monopolizada por dois times, enquanto outros times estão fechando as portas. Não quero criticar nem o RJX ou o SESI, mas apenas gostaria que pudesse haver uma divisão mais equilibrada entre os times a fim de evitar o favoritismo de uma ou duas equipes. Como pode se falar em campeonato equilibrado quando desde o início já se tem certeza dos dois times que chegarão à final, enquanto em outros times buscam desesperadamente patrocinadores para evitar o fechamento?
    3- Não acho que seja necessário diminuir o número de pontos por set para se adequar ao horário televisivo. Pelo contrário, seria mais justo que a emissora reservasse mais tempo para a transmissão do vôlei, já que a mesma têm os direitos de transmissão reservados. Não serei tão radical a ponto de dizer que a Globo manipule resultados, mas às vezes fica-se com a impressão de que o jogo foi “abreviado” a fim de se encaixar na programação. Além do mais, deveria-se combinar que fossem transmitidos mais jogos pela TV aberta, visto que no Brasil, grande parte da população não tem acesso à tv por assinatura.
    Enfim, quero deixar claro que não sou especialista no assunto, nem tampouco quero ser a dona da verdade, mas apenas expressar a opinião de alguém fanática por vôlei, que quer ver o esporte crescendo cada vez mais no nosso país.

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