Apresentação da Superliga, parte 1 – A força estrangeira



Para atender parte dos pedidos do post anterior, fiz este texto grande sobre os gringos da Superliga. Espero não ter esquecido de nenhum. Se deixei alguém passar, me avisem.

Os estrangeiros são uma atração à parte da próxima Superliga. Estados Unidos, Itália, Cuba, Sérvia, Argentina, Japão, Porto Rico, República Tcheca, Canadá e Venezuela terão representantes na principal competição brasileira.

Reforçando uma tendência das últimas edições da competição, atletas que são titulares em suas seleções veem, atualmente, o Brasil como um mercado atraente. Junte-se a isso o fato de alguns países sofrerem com a crise econômica mundial e tenha um cenário ideal para buscar grandes nomes mundo afora. Os times nacionais com maiores orçamentos foram às compras e encontraram excelentes oportunidades. Com exceção do Sesi, que tem como norma não contratar gringos, e o RJX, que sofreu com o corte da verba de Eike Batista, os outros favoritos ao título, tanto no masculino quanto no feminino, terão astros e estrelas internacionais em seus elencos.

Entre os homens, o Sada/Cruzeiro manteve o cubano Leal, um dos melhores jogadores do Campeonato Mundial de 2010, e contratou o experiente venezuelano Luis Diaz, que já havia atuado anos atrás no país pelo Suzano. O primeiro é titularíssimo e candidato a craque da Superliga, já que potencial não falta. Diaz, por sua vez, será uma opção de banco, já que disputa posição com o próprio Leal e com Filipe. É uma arma interessante para aumentar o bloqueio, já que possui 2,05m, maior do que quase todos os centrais.

Também em Minas Gerais, o Vivo/Minas contratou o sérvio Novica Bjelica, experiente central com longa passagem pela seleção, tendo no currículo título italiano pelo Piacenza, vice da Liga Mundial pela seleção… Ele chega para dividir a responsabilidade com o oposto tcheco Filip Rejlek, um dos pilares do time nas duas últimas temporadas, quando o Minas chegou às semifinais.

Sada/Cruzeiro e Vivo/Minas mantiveram, também, os treinadores internacionais: Marcelo Mendez e Horacio Dileo, argentinos. Ambos conquistaram o respeito dos comandados e a admiração da torcida mineira, talvez a mais crítica do país. Gosto do estilo da dupla: contida, centrada e competente, na minha visão.

O Moda Maringá, um dos novos times da Superliga, possui três estrangeiros no elenco. Vale lembrar, porém, que apenas dois podem ser inscritos, já que a CBV limita a quantidade de gringos. Assim, o técnico Douglas Chiarotti vai contar com o ponta Rodrigo Quiroga, titular da seleção argentina e que na temporada passada defendeu o Minas, e o líbero americano Dustin Watten, que atua pela seleção B de seu país. O terceiro estrangeiro é Momota Shimada, levantador que trocou o Japão, após o terremoto seguido de tsunami em 2011, jogou duas temporadas em Atibaia e sonhava em atuar ao lado de Ricardinho.

Em Canoas, no Rio Grande do Sul, o sotaque espanhol é carregado de italiano. O cubano Angel Dennis, com longo histórico pela seleção caribenha, atuou por uma década na Itália, após fugir do país-natal, e se naturalizou, ao se casar com a também atleta Simona Rinieri. O canhoto, que sempre se destacou pela potência dos ataques e saques, já foi apontado como um dos melhores jogadores do mundo, anos atrás. Está na reta final da carreira, mas é uma interessante opção para os gaúchos, que na temporada passada provaram que idade avançada não é empecilho para realizar boa campanha.

Outro cubano que jogará a Superliga é o ponta Jurquin, que trocou Campinas por Taubaté nesta temporada. Como a maioria dos compatriotas, tem na força sua principal característica. Deve formar a linha de passe com Giba, apesar de ser instável na função.

Entre as mulheres, a rivalidade entre Unilever x Molico/Nestlé tende a aumentar graças aos reforços internacionais. Os dois times foram buscar na Europa suas caras novas para a temporada 2013/2014.

As cariocas, atuais campeãs, contrataram Brankica Mihajlovic, destaque da Sérvia no último Grand Prix. A ponta é a aposta de Bernardinho após a decepção com Logan Tom na temporada passada. Deve fazer uma dupla explosiva com a jovem Gabi. Quem foi mantida foi a canadense Sarah Pavan. A oposto foi uma das agradáveis surpresas da conquista do último título. A canhotinha, que segue carreira paralela no vôlei de praia, em busca de vaga na Olimpíada de 2016, se deu muito bem com Fofão e promete ainda mais.

Já as paulistas contrataram duas europeias de peso: Sanja Malagurski (SER) e Caterina Bosetti (ITA). Jovens, porém experientes, formarão a linha de passe do time de Luizomar de Moura, substituindo Fernanda Garay e Jaqueline. Muita responsabilidade, mas elas têm jogo para tanto. Deve pesar, no início, a falta de entrosamento com a levantadora Fabíola. Em tese, vão sofrer no início da Superliga neste aspecto.

Tentando acabar com a hegemonia de Rio e Osasco, Amil e Banana Boat/Praia Clube também possuem estrangeiras de peso. O time de Campinas trocou a búlgara Vasileva para americana Richards. Ainda tenho dúvidas sobre a aposta de Zé Roberto, mas é preciso dar tempo ao tempo para ter certeza. Ganha em experiência e no passe, perde na força do ataque. A cubana Ramirez também deixou o Amil Vôlei. Já a equipe de Uberlândia manteve a cubana Herrera, que perdeu parte da temporada passada por uma contusão no joelho, e contratou a experiente americana Kim Glass, que durante vários anos fez parte da seleção americana. Formarão um fortíssimo trio com Mari, outra que se recupera de cirurgia no joelho. Mas precisam estar inteiras fisicamente.

Brasília aposta em uma americana quase brasileira: a central Danielle Scott, de 40 anos e cinco participações olímpicas. Casada com o ex-jogador Pezão, Dani é a estrangeira que mais vezes disputou a Superliga. Quase uma “lenda”.

Por fim, duas caras novas: a central Lynda Morales, do Minas, vem de Porto Rico, enquanto a levantador argentina Yael Castiglione jogará pelo Maranhão. A hermana sempre chamou a atenção pela beleza e fatalmente terá, em breve, uma legião de fãs. O port0-riquenha também já recebeu elogios em BH. Vale um duelo de musas, senhores?

Por fim, uma sugestão, já que CBV e clubes começam a fazer uma gestão compartilhada da Superliga. Gostaria muito de ver um jogo inaugural da Superliga com o duelo entre a Seleção Brasileira e um combinado dos estrangeiros que irão disputar a competição. Não é inédito, é comum em alguns centros do vôlei mundial e é certeza de espetáculo. Concordam com minha ideia?

Abaixo, a lista dos gringos e uma ficha de cada um:

FEMININO

Unilever

mihajlovicBrankica Mihajlovic (SER)
Data de nascimento: 13/4/1991
Altura: 1,89m
Peso: 64kg
Posição: ponta

 

sarahSarah Pavan (CAN)
Data de nascimento: 16/8/1986
Altura: 1,96m
Peso: 72kg
Posição: oposto

 

Molico/Nestlé

malagurskiSanja Malagurski  (SER)
Data de nascimento: 8/6/1990
Altura: 1,93m
Peso: 75kg
Posição: ponta

 

bosettiCaterina Bosetti (ITA)
Data de nascimento: 2/2/1994
Altura: 1,79m
Peso: 59kg
Posição: ponta

 

Amil

Kristin Richards kristin(EUA)
Data de nascimento: 30/6/1985
Altura: 1,85m
Peso: 68kg
Posição: ponta

 

Minas

moralesLynda Morales (PUR)
Data de nascimento: 20/5/1988
Altura: 1,88m
Peso: 94kg
Posição: central

 

Banana Boat/Praia Clube

kimglassKimberly Glass (EUA)
Data de nascimento: 18/8/1984
Altura: 1,91m
Peso: 75kg
Posição: ponta

 

herreraHerrera (CUB)
Data de nascimento: 12/3/1984
Altura: 1,81m
Peso: 75kg
Posição: ponta/oposto

 

Maranhão

yaelYael Castiglione (ARG)
Data de nascimento: 27/9/1985, Buenos Aires, Argentina
Altura: 1,86m
Peso: 75 KG
Posição: levantadora

 

Brasília

daniscottDani Scott (EUA)
Data de nascimento: 1/10/1972, Baton Rouge, Estados Unidos
Altura: 1,88m
Peso: 84kg
Posição: central

 

MASCULINO

Moda Maringá

quirogaRodrigo Quiroga (ARG)
Data de nascimento: 23/3/1987
Altura: 1,90m
Peso: 78kg
Posição: ponta

 

wattenDustin Watten (EUA)
Data de nascimento: 27/10/1986
Altura: 1,83m
Peso: 81kg
Posição: líbero

momoMomota Shimada (JAP)
Data de nascimento: 22/10/1987
Altura: 1,85m
Peso: 77kg
Posição: levantador

 

Vivo/Minas

novicaNovica Bjelica (SER)
Data de nascimento: 9/2/1983
Altura: 2,02m
Peso: 86kg
Posição: central

filipFilip Rejlek (TCH)
Data de nascimento: 10/5/1981
Altura: 1,97m
Peso: 85kg
Posição: oposto

 

Sada/Cruzeiro

lealYoandri Leal (CUB)
Data de nascimento: 31/8/1988
Altura: 2,00m
Peso: 104kg
Posição: ponta

 

diaz1Luis Diaz (VEN)
Data de nascimento: 20/8/1983
Altura: 2,05m
Peso: 110kg
Posição: ponta

 

Kappesberg/Canoas

dennis1Angel Dennis (CUB)
Data de nascimento: 13/6/1977
Altura: 1,94m
Peso: 90kg
Posição: ponta/oposto

 

Funvic/Taubaté

jurquinRolando Jurquin (CUB)
Data de nascimento: 7/6/1987
Altura: 2,00m
Peso: 103kg
Posição: ponta/oposto

 

 



  • Zico

    Dá até gosto de ver a superliga feminina com tantas mulheres lindas. Pena que em relação ao jogos a dupla RIO/SP está um pouco a frente das demais. O Praia quase tirou a hegemonia do eixo, quem sabe esse ano vai..
    No masculino, as equipes de Minas são sempre favoritas , seguidas pelo Rio e Sesi.. Gostaria de ver o cubano León ao lado do Wallace – SADA.
    Acho que no meio da superliga poderia ser feito estes jogos assim como na NBA e NBB.

  • Leo

    Ao meu ver, os estrangeiros que se destacarão nessa superliga são: Mihajlovic, Pavan, Herrera e torcendo pela Sanja, na feminina e Leal e Filip na masculina.

  • Bia Ferreira

    A Dani Scott está separada do Pezão.

    Parece que uma oposto americana pode pintar no Minas né?

  • Renato Dias

    Muito estrangeiro bom! No masculino acho que os destaques continuarão sendo Leal e Filip. No feminino as já sabidas Sara e Herrera e Mihalovic acho que vai dar o que falar

    Daniel, sabe se ainda chega uma americana ao Minas ?

    • Daniel Bortoletto

      estavam tentando

  • Roberto

    DANIEL, por que o RJX não contrata o Sanches que era do Cruzeiro ? Com Vinicius na ponta não dá. E quem é esse INDIO que ta no RJX ?

    • Aline

      Sanchez como ponteiro é péssimo, melhor ficar com Vinicius mesmo.

  • Gullherme

    Vai dar gosto ver o Banana Boat. Tomara que todas estejam jogando pelo menos 80% pra começar. Com Mari, Herrera e Kimberly, não terá pra ninguém! As adversárias ficarão loucas e perdidas com tantas atacantes de primeirissima linha…

    • Mauricio

      Primeiro a gente tem que torcer pra Mari e Herrera se recuperarem bem e não sofrerem mais lesões. Tempo pra recuperação, com esse novo calendário, elas terão. Quero muito ver as 3 jogando tudo que sabem!

      • Nilton

        E torcer pra que as ponteiras façam o passe chegr nas mãos da levantadora né… pq tanto Mari como a cubana, nao passam porcaria nenhuma…

  • O que me chamou bastante atenção é que os estrangeiros tanto no feminino quanto no masculino é que a maioria deles são ponteiros. Daniel isso quer dizer que a maior deficiência do vôlei brasileiro São os ponteiros ?

    • Felipe Lima

      Bem observado.

    • Junior

      Temos jogadores de qualidade pra fazer mais um time de alto nível no masculino, com excessão das pontas, é só comparar nossos ponteiros com os melhores ponteiros do mundo que verá o abismo que existe!

  • Alex

    Já esperava que um dia chegaríamos a um nível de Superliga que, ao invés dos nossos atletas tanto desejarem jogar em outros campeonatos, os estrangeiros é que teriam o nosso campeonato como referência. Afinal, estarão jogando ao lado de jogadores campeonissímos. Chama atenção que até pouco tempo era comum apenas vermos jogadores cubanos. Agora, jogadores da Sérvia, Itália, USA também estão dando preferência ao Brasil. Isso é ótimo! Mas ainda quero ver uma jogadora russa por aqui rsrs. Sem dúvidas optar pelo Brasil é a oportunidade de aprender mais e mais com as duas seleções número 1 do ranking mundial.

  • karina

    Os estrangeiros são realmente uma atração à parte, mas…, me preocupa para o futuro, o fato de que as duas maiores equipes femininas tenham como referência no ataque jogadoras estrangeiras, tenho receio de que isso possa vir a prejudicar o desenvolvimento de jovens brasileiras. É só uma preocupação, nada contra os estrangeiros.
    Quanto ao jogo inaugural, acho que dois times mesclados com brasileira(o)s e estrangeira(o)s de times diferentes seria mais legal, tudo misturado mesmo.

  • Rafael

    Não vejo a hora de ver essa turma em quadra. Tomara que muitos jogos sejam televisionados.

  • Wasley

    Estranha-me muito a troca da Priscila Daroit pela Richards no time de Campinas. A não ser que a saída tenha partido da própria jogadora, é estranho ver que o técnico da atual seleção brasileira prefira deixar de desenvolver uma atleta que vem sendo convocada por ele na seleção brasileira para dar lugar a uma atleta estrangeira. Será interessante saber como a Nathália e a Tandara atuarão na equipe de Campinas, pois ambas estavam sendo aproveitadas como ponteiras na temporada passada, mas provavelmente uma delas será aproveitada como oposta. O José costuma utilizar a Tandara como oposta na seleção brasileira, mas achei que ela fez uma Superliga mais regular que a Nathália nesta posição.

  • Marcus

    Daniel, gostaria de saber onde vai jogar a cubana Ramirez…. ? Pois ninguém mais fala dela…. seria uma boa aposta para o time de Barueri, pois com a saída da soninha…to time ficou mais fraco. Obrigado!

  • Junior

    Angel Dennis tem tudo pra ser o grande destaque estrangeiro no masculino! No feminino a dupla da Unilever é a melhor!

  • Hans

    Valeu Daniel. Obrigado pela matéria. Deu pra ter um bom panorama do que vai ser a SL, promete.
    Abraço.

  • Rafael Cruzeiro

    No masculino a disputa vai ser mais acirrada, torcendo para o time celeste. No feminino, o time carioca foi mais esperto (como sempre bernadinho dá um banho nos outros) e contratou melhor, manteve a ótima sarah e trouxe a super “branka”. Vai ser difícil alguém tirar o título do rio.

  • Pingback: Apresentação da Superliga, parte 1 – A força estrangeira | Brasilia Vôlei()

MaisRecentes

Rodada define confrontos da Copa Brasil masculina



Continue Lendo

Dia de aplaudir o Zenit Kazan



Continue Lendo

Praia x Minas e Sesc x Vôlei Nestlé. Quer mais?



Continue Lendo