Agora quarentão, Ricardinho muda hábitos e não quer saber de parar



O levantador Ricardinho faz hoje 40 anos. E se engana quem pensa que o novo quarentão do vôlei brasileiro faz planos para se aposentar.

Em entrevista ao blog, o capitão, presidente e gestor do Copel Telecom/Maringá revela que amigos e adversários até fazem apostas sobre a data da aposentadoria. Mas ninguém se arrisca a cravar uma data antes de 2020.

– O Paulo Roese (técnico do Voleisul/Paquetá Esportes) disse que vou até os 45 anos. O Chico (dos Santos, treinador do Concilig/Bauru) diz que tenho mais sete anos de vôlei pela frente. Ele me conhece de vários anos na Seleção, é um apaixonado pelo meu jogo, não quer que eu fique fora. E isso me motiva. Tenho uma briga constante com os meus 40 anos. É o lado positivo de tantas perguntas e das brincadeiras que ouço dos jogadores. Elas me motivam. Enquanto eu mantiver o nível de excelência atual para poder jogar a Superliga vou ficando. Sinceramente não penso em parar ainda. Gosto de jogar, me sinto bem, tenho prazer. Para sair precisa acontecer algo do além. Não tenho a mínima vontade de me aposentar. Só vou parar quando perceber que não estou no nível dos levantadores mais jovens, que não estou mais aguentando competir com eles.

Ricardinho na fase "light" e "fitness (Fernando Tanaka/Divulgação)

Ricardinho na fase “light” e “fitness (Fernando Tanaka/Divulgação)

Campeão mundial e olímpico na década passada, Ricardinho admite que possui, aos 40 anos, uma condição física melhor do que em alguns momentos do auge da carreira. A explicação foi uma mudança na alimentação e na preparação. Hoje é comum ver o levantador postando no Instagram sobre corridas pelas ruas e parques de Maringá (PR), pratos com alimentos saudáveis, além da utilização de suplementação. Segundo as informações oficiais da competição na temporada 2015/2016, o jogador de 1,93m está com 85kg. Já o mesmo guia da Superliga em 2012/2013 apontava 98kg para Ricardinho.

– Tenho dois profissionais que me acompanham neste processo. O período em que mais fiquei fora de forma foi meu último ano no Vôlei Futuro (há três temporadas). Era muito stress, equipe para acabar… Ali realmente eu me descuidei um pouco. Sempre tive tendência a engordar um pouco, fui um pouco mais cheinho do que os outros, mas nada que me tirasse da quadra. Mas decidi mudar, sinceramente, pela minha saúde e não pela sequência da carreira. Comecei  a seguir algumas pessoas no Instagram que minha esposa já seguia. Passei a acompanhar, me empolgar… Uma vez, numa ida para SP, meus pais me viram mais cheinho e brincaram. Aquilo me incomodou um pouco e decidi ter esse lado mais saudável. Estou acompanhado por nutricionista e nutrólogo. Estou correndo muito. É um prazer. Achei algo que me faz bem no fim de semana, no meu dia de folga, libera endorfina, me dá uma sensação prazerosa. Não gosto e não sou fã de academia. Passei a vida inteira ali dentro e não gosto. Prefiro parque, uma boa pedalada, corrida. Sem dúvida alguma isso pode ajudar a prolongar minha carreira – explica o jogador.

Ricardinho na época do Vôlei Futuro (Diário da (Região

Ricardinho na época do Vôlei Futuro (Diário da (Região

A mudança nos hábitos faz Ricardinho até tirar onda dos companheiros de equipe que têm idade até para serem filhos dele.

– Brinco com eles que termino o treino e não estou cansado, enquanto os meninos estão mortos. Hoje treino naturalmente, igual a equipe, 100% do que eles fazem eu também faço. E me sentindo muito bem, o que é a melhor parte de tudo.

O levantador deve fazer a estreia na Superliga nesta noite, contra o Sesi. Ele está recuperado de uma lesão no ligamento do dedo da mão direita e à disposição do técnico argentino Horacio Dileo. O período sem atuar ajuda a refletir também sobre a função de dirigente que exerce em Maringá.

– No primeiro ano, problemas tiravam muito meu sono. Tinha um pouco de desconfiança se iria dar certo ou não. Agora tenho muito mais confiança. Parece que você vai se adaptando, como faz dentro de quadra, jogando, você sempre acredita na vitória. Esse lance eu não tinha na primeira temporada. Até o meio da segunda tinha um pouco de dúvida. A gente teve um patrocinador que saiu e eu senti um pouco de falta de tesão, mas controlável. Consegui sustentar muito bem, tendo calma, os pés no chão – revela o também cartola.



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