A TV dita cada vez mais o futuro do esporte



Reproduzo aqui um interessante post do amigo Erich Beting, o jornalista que mais entende de marketing esportivo no país. O título do meu post, inclusive, é a cópia exata do material assinado por ele no UOL.

Erich levanta interessante discussão sobre os limites da relação entre Globo e CBV nas transmissões da Superliga. Vale a leitura!

http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2013/02/06/a-tv-dita-cada-vez-mais-o-futuro-do-esporte/

 

 



  • Afonso RJ

    Muito bom o artigo. Hoje em dia a TV cada vez mais se torna imprescindível para o esporte. A Globo (vamos incluir aí o SporTV), realmente tem feito a sua parte com transmissões do vôlei, principalmente o feminino, tanto em quantidade quanto em qualidade. Nunca vi tantos jogos transmitidos da superliga. Ontem, por exemplo, foi uma verdadeira maratona, iniciando-se às 19:30 e indo até quase a meia noite e meia, totalizando cerca de 5 horas de transmissão.

    Por outro lado, o esporte acaba sendo tratado como produto e a TV vai tender a adaptá-lo às suas próprias conveniências. No caso específico do microfone em quadra, seja para captar as instruções do treinador ou no pescoço do árbitro, eu particularmente acho um verdadeiro absurdo. Muitos vão achar que “os espectadores têm o direito de ouvir” ou a TV “tem a obrigação de informar”, ou coisa que o valha. Acontece, que em primeiro lugar, muitos têm essa opinião porque têm a cabeça feita pela retórica manipuladora de locutores e comentaristas, que obviamente puxam a brasa para sua sardinha. Outros, porque simplesmente desconhecem o significado do termo “privacidade”, até com uma certa razão, num tempo em que lixos como o BigBrother alcançam enormes índices de popularidade ou se publica desavergonhadamente em redes sociais até as mínimas intimidades do que se faz na cama. Acho sim, que a presença de microfone muitas vezes por motivos óbvios inibe e atrapalha o trabalho seja de técnico ou juiz, o que em última análise acaba por prejudicar o próprio espetáculo.

    Acho que não só a TV como também a maior parte da mídia, são indispensáveis na parceria com o esporte. Mas por outro lado acho que certos limites devem ser bem estabelecidos e respeitados, pois a interferência exagerada pode até acabar matando a galinha de ovos de ouro.

    Não gosto muito de falar em futebol, mas no caso específico há uma campanha acintosa da mídia que favorece times de grandes torcidas. Aqui no Rio, por exemplo, se Botafogo, Vasco ou Fluminense vão bem, vende-se muito menos jornais ou paperview do que se o Flamengo estiver na frente. Então o interesse comercial fala mais forte do que a isenção jornalística, e a “Flapress” entra em campo. Acaba havendo favorecimento com manipulação de tabelas, arbitragens, patrocinadores, etc… Com isso forma-se um círculo vicioso, pois maior cobertura e favorecimento escancarado acaba atraindo mais torcedores, o que por sua vez gera ainda maior cobertura e maior investimento. Acredito que esse é mais um dos inúmeros fatores que está matando o nosso futebol, hoje ocupando a sua pior posição da história no ranking da FIFA. E a previsão pessimista de muitos é que a se manter essa campanha feroz, a tendência a longo/médio prazo é que o Brasil se torne uma grande Espanha, com apenas dois clubes em reais condições de disputar títulos, praticamente monopolizando os torcedores, enquanto que os demais se tornam meros coadjuvantes. Com isso a mídia vai maximizar seus lucros com a audiência cativa de pelo menos 50% dos torcedores, e não a relativa pulverização atual. Pergunta-se: Esse é o papel da imprensa? Tentar influir ou criar fatos em proveito próprio? Seguindo-se esse raciocínio, abre-se até a possibilidade absurda de serem causados propositalmente desastres ou catástrofes que sabidamente vendem enormemente como notícia!

    A propósito: Está virando rotina. Enquanto escrevo, o Brasil apresentando um futebol totalmente medíocre vai perdendo mais um amistoso internacional dessa feita para a Inglaterra, país de futebol reconhecidamente maquinal, sem inspiração ou criatividade nenhuma e outrora um verdadeiro freguês de caderninho. Enquanto isso, locutores e comentaristas ridiculamente ufanistas e igualmente medíocres fazem das tripas coração para exaltar jogadores que são verdadeiras nulidades e encontrar argumentos para justificar o injustificável. Deprimente!!

  • Luiz Justo

    Vi o jogo entre Amil e Pinheiros pela TV e logo desliguei porque tinha que acordar 5:20 da manhã e fico me perguntando como os jogadores conseguem jogar uma partida de 3×2 as 22:00. O jogo deve ter acado as 00:30 ou 1:00. A Globo não percebe que perde a audiência nesse horário? Só os mais fanáticos ficam até o final e o resto dorme.

    • Bia Ferraz

      Concordo, se já fica difícil para quem está assistindo pela TV imagina que vai ao ginásio?

    • Afonso RJ

      Esse jogo aconteceu nesse horário porque foi sequência de SESI x Sollys Osasco. Normalmente os jogos são às 21 hs. Acho o tipo da concessão válida para que se transmitam os dois jogos. Podem argumentar que poderiam colocar os jogos em dias diferentes, mas não é por aí. Acho muito mais relevantes outros aspectos da interferência da mídia, entre os quais influir na dinâmica do jogo ou alterar-lhe as regras em benefício próprio. O cúmulo disso por exemplo, foi dividir o basquete em quartos com a única finalidade de se empurrar pela goela abaixo do torcedor mais e mais intervalos comerciais.

      • Thamyres

        Concordo com você, visto que é para poder transmitir ambos os jogos, entretanto, o sportv não tem apenas um canal. Isso pode ser pensado.

        O que mais irrita é o “puxa-saquismo” do narradores e comentaristas , não só no vôlei, mas como em todos os outros esportes.

        Jogos de futebol também só são tarde assim por causa da globo, e ainda tem que esperar ao fim da novela para poder ver o jogo. Quem acorda cedo no dia seguinte só pode reclamar e nada mais =/

    • Luiz

      Eu pensei a mesma coisa. Eu lembro da época de 90, quando eu almoçava e esperava para ver uma partida de vôlei às 15 hs. Teve época que era na Band, e outras na Record. Bons tempos! Era um programa em família.

      Agora a gente praticamente sai pra balada e o jogo ainda está passando. Daqui a pouco, a gente vai voltar da balada e o jogo ainda vai estar passando.

  • Caco

    O conteúdo do post é interessante, mas acho que ele usou o exemplo errado. Assisti aos jogos do Fener no ano passado e acompanho a seleção nos campeonatos FIVB e constatei que a postura do Zé Roberto é bem diferente quando está no exterior. Acho que a Sportv é vítima de sua própria adulação ao Zé Roberto e ao Bernardinho. Puxam muito o saco dos dois nas transmissões. Exageram nos elogios e escondem os erros. Resultado: sentem-se os donos do esporte no país. Por que não fazem isso no exterior? Simples. Porque pegaria mal e não pagariam pau para eles.
    É verdade que eles fizeram muito pelo esporte e merecem respeito, mas também o telespectador e a televisão merecem respeito. O que seria do vôlei sem a transmissão televisiva? Uma dica, que não irá acontecer, pois a Globo possui seus interesses nos jogos da seleção, por isso, não irá parar de puxar o saco dos dois: não querem ser filmados, pare de transmitir os jogos das equipes deles. Não dou uma semana para eles voltarem atrás e se portarem mais adequadamente. Sem a transmissão dos jogos o investimento cai, o salário deles cai e, mexeu no bolso, não tem quem não fique mais manso e respeitoso.

  • Felipe Lima

    Muito bem escrito!

    Essa dependência é culpa dos próprios anunciantes, que não se impõem na questão de contratos. Tudo para ter a tal da exposição. Ao ponto de adicionarem “escutar os tempos técnicos” como REGRA de competição. Talvez os jogos estejam passando para depois de 21h pra que os microfones possam captar palavrões e xingamentos sem constrangimentos (a partir desse horário a censura é de 14 anos pra cima!)!

  • Bruno Cesar

    Eu vi até o final e acabou 00:43h. E não foi a primeira vez que um jogo acaba depois de 00:00. 21:30h eu já acho um absurdo, imagine 22:00h…

  • Joao Paulo

    Acho a discusssão válida, mas da forma que foi colocada se restringe à Globo, mas todas as transmissões internacionais também utilizam o microfone nos tempos.
    O Zé Roberto queria voltar ao Brasil, pra isso a CBV abriu as pernas e ele pensa que pode tudo, por isso ignora essa regra, faz chilique e briga. Lá fora a gente nunca viu ele recusar o microfone ou se esconder.
    A volta dele é também prejudicial para a seleção, pois vira uma sucursal do seu time, com líbero obesas e centrais sem o menor poder de decisão.
    A CBV optou pela segurança em manter os 2 técnicos até Rio 2016 se isentando de qualquer responsabilidade, mas o fato é que os 2 estão desgastados.
    Cansamos de ver Bruninho e essa família de velhos no masculino.
    Também não queremos ver essa gorda e a Paula Pequeno no feminino.
    Chega!

  • tiago

    Concordo com tudo que foi escrito,mas ele tinha que citar tb o Bernardinho pois faz a mesma cois ou até pior!no jogo entre unilever e rio do sul ele xingou o camera man e o cara do audio,dizendo que eles estavam atrapalhando!isso ninguem fala ne…

  • Emanuella

    acho que esse negócio do microfone é um pouco de drama, tudo bem não querer, mas nunca vi Zé Roberto dando chilique em competições internacionais por causa do microfone. O cara perde um pedido de tempo para brigar com o camera me parece um pouco exagerado.
    Acho que o único técnico que deveria ser contra isso é o Giovane, que mostra pra gente o quanto ruim ele é. O resto não precisa reclamar tanto.
    Uma coisa que incomoda mais é jogo começando as 22:00hrs. Isso não ta legal não.

  • valeu,cara!!!

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