A Superliga feminina saindo da mesmice



Não me lembro de uma rodada da Superliga feminina nos últimos anos com dois favoritos sendo derrotados no mesmo dia. Minha memória pode até me trair, mas arrisco a dizer que o 28/10/2013 é histórico.

Fico tentando imaginar quais as sensações experimentadas pelas garotas do Rio do Sul na vitória sobre a Unilever, atual campeã e bicho-papão da competição em todos os tempos. Sabe aquele discurso de que “passou um filme pela minha cabeça”? Pode parecer um grande clichê, mas neste caso não é. Já pararam para refletir que a cidade catarinense enfrentou tragédias naturais nos últimos anos? Desgraça, pessoas desabrigadas, cidade destruída, mortes… E ontem o esporte deu uma alegria gigantesca para uma comunidade que sofreu bastante nos últimos anos.

Talvez essa seja a maior graça do esporte. Um pequeno conseguir derrubar um gigante. O orçamento do dinheiro contado superando os milhões de reais de um projeto grande (vencedor e exemplar também, diga-se de passagem).

Noite em claro, festa, sensação do dever cumprido… Os fatos e as sensações se misturam quando um fenômeno assim acontece. E isso é bom demais para o vôlei.

Em escala um pouco menor, o Pinheiros saiu de 0 x 2 para vencer o líder Vôlei Amil no tie-break. Outro resultado surpreendente. Escrevi sobre o time da capital na minha coluna de domingo, citando as vitórias sobre Sesi e Banana Boat/Praia Clube. Uma tabela até certo ponto ingrata e que o Pinheiros supera com louvor e mostrando aos favoritos que irá dar muito trabalho na Superliga.

E vou além: são jogos assim que me fazem ter vontade de acompanhar a competição mais de perto de novo. Admito que a regra dos 21 pontos e os buracos na tabelas estavam me afastando deste início da Superliga. Que novos jogaços, zebras e grandes espetáculos virem rotina na temporada!



  • Guilherme

    Sábias palavras! Texto impecável e espetacular!!!!!!!

  • Michel Pereira de Oliveira

    Concordo plenamente com o seu post.
    Acrescentaria uma observação sobre o surpreendente poder de reação do Pinheiros no quarto set, quando perdia por 18-11 e teve garra pra correr atrás do marcador, encostar, virar, ganhar o set e posteriormente o jogo. É provável que digam que o Campinas/Amil tenha baixado a guarda, talvez isso também tenha contado, mas, as meninas do Pinheiros tiveram frieza e tranquilidade pra reverter o set praticamente perdido. Sempre comento com o meu irmão que desde a última edição o Pinheiros perdeu o status de ‘azarão’. É um time de baixo investimento: fato! Mas a comissão técnica e as jogadoras demonstram um comprometimento ímpar, o que tem sido de crucial importância para os resultados positivos que vem obtendo.
    O Rio do Sul também fez bonito e segurou bem a pressão.
    O ponto negativo da rodada foi constatar que, aparentemente, o Sesi não vai muito longe no campeonato. O time tem bons talentos individuais mas não consegue funcionar como conjunto. Além disso, provocações, desrespeito e afrontes excessivos como os de Pri Dairot, Bárbara, Ivna e Carol já estão se tornando enfadonhas e cansativas; tá na hora dessa turminha falar menos e jogar mais. Gostei de ver Suellen, Suelle, Ju Costa, Bia e Fabiana em quadra, senti falta de Dani Lins e se tivesse uma oposta de ponta somada às citadas e o técnico fosse menos insosso certamente o Sesi ganharia melhor padrão de jogo.
    P.S.1: Daniel, você sabe de alguma conversa nos bastidores sobre uma possível redução no patrocínio da equipe feminina do Sesi (especulação noticiada em outro blog)?
    P.S.2: Estava sentindo falta da sua síntese sucinta das rodadas da Superliga.

    • Alex Miranda

      Ótima observação sobre o Sesi.
      Sabemos que infelizmente algumas equipes são criadas para serem campeãs já no primeiro ano de vida. Outras, ainda dão um prazo maior. Poucas são as criadas para ficarem e ir criando espaço ao longo dos anos.
      É exatamente o que vai acontecer com o Volei Feminino do Sesi. Com 3 anos após a sua criação, o time não embala por nada, parece um “burro empacado”. Acho tão estranho isso acontecer.
      Digo principalmente pelo time montado esse ano. Tem ótimas atletas, mas parece faltar o entrossamento, que por sinal, desde que foi criado nunca aconteceu de terem uma equipe bem entrosada.
      Na verdade iria mais longe… Credito muito dos insucessos do Sesi Feminino ao Talmo de Oliveira. Ele parece não conseguir fazer o seu time virar. A começar por não ter uma equipe titular definida, as trocas constantes de jogadoras (ele vai da primeira a terceira oposta no mesmo set de 21 pontos), e ai o time não consegue se firmar.
      Triste pq o mais provavél que aconteça é que o time do Sesi vire um Juvenil a exemplo do Minas.

      • newton carvalho

        Talmo não dá! Chegou ao Sesi por indicação do amigo dos tempos de seleção (Giovane Gávio), embora tenha feito algo de razoável no antigo Sada Betim e Montes Claros, mas é pouco. O Sesi, para engrenar, deveria contar com uma comissão técnica mais qualificada. Talmo de Oliveira é infelizmente um perdido… uma espécie de professor pardal tentando buscar seu espaço como treinador e sob uma pressão por resultados terrível. Não gosto dele, mas tampouco gostaria de estar na pele dele.

  • Alex Miranda

    Ótimo post Daniel! Vai de encontro com meu pensamento. E mais do que simplesmente classificar jogos como do Rio do Sul e Pinheiros como “zebra”, devemos enaltecer a garra e união dessas atletas, bem como a vontade delas em fazer valer o investimento, mesmo que modesto frente aos grandes, mas muito suado para conquistar.
    Essa é a dinâmica perfeita de uma competição de alto nível, onde grandes ganham e perdem e os pequenos também ganham e não só perdem.
    Os jogos da última rodada consolidaram a ideia de que essa Superliga, que já está sendo especial por ter 14 equipes competindo, inclusive a primeira vez que mais equipes do que no Masculino, é a mais forte também pela qualidade de TODAS AS EQUIPES.
    Rio do Sul e Pinheiros podem não ser os campeões, mas sem dúvidas a participação destes já é honrosa para os amantes do volei.

  • Afonso RJ

    Concordo até certo ponto. Ano passado a Unilever surpreendentemente também perdeu a invencibilidade para o Minas (se não me engano), e o Sollys para outro time de menor investimento (não me lembro exatamente qual) ainda no meio do primeiro turno, o que não impediu que ambos chegassem à final. Nesse formato de fase classificatória em que mais da metadedos times passa para os play offs, uma ou até mesmo umas poucas derrotas não fazem muita diferença.

    A má campanha do SESI já era mais ou menos esperada, pois já não vinha lá essas coisas e para piorar perdeu sua principal pontuadora (Tandara). A subida de produção do Pinheiros também não é de surpreender. Ano passado fez uma ótima superliga, e o time foi mantido na base e reforçado para a atual temporada.

    Assisti ontem pela WEB o jogo da Unilever, e o que eu vi (sem querer desmerecer a belíssima vitória do time da casa) foi um time desmotivado, com o Bernardinho poupando jogadoras (Fofão não começou jogando, Gabi não pisou em quadra e Jucieli só entrou por contusão da Carol) e em ritmo de véspera de feriado, pois só volta a jogar daqui a mais de um mês (No Tijuca Tenis Clube, dia 29/11, contra o Minas. Excelente essa tabela, né?). Prova disso foram os pouquíssimos pontos de bloqueio, que são um dos pontos fortes da Unilever, mas que é um fundamento que exige um alto nível de concentração para a correta leitura do jogo adversário.

    DELENDA EST CARTHAGO
    SETS DE 25 PONTOS JÁ. QUERO MEU VÔLEI DE VOLTA!!!!!!!!!!!!

  • Guilherme

    Walewska e Gattaz de volta à seleção????

    • Daniel Bortoletto

      sim. está no outro post

  • ALINE

    Daniel, vamos dar o braco a torcer, estou adorando os sets de 21ptos.
    Com 21ptos,os jogos estao mais dinamicos e emocionantes. Aprovei os 21ptos.
    Plageando o slogan da Embratel: Galera “FAZ UM 21!!!”

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