10 perguntas: Douglas Cordeiro



Na semana passada, o Sada/Cruzeiro conquistou a Copa Brasil ao superar o Sesi. Foi o 29º título cruzeirense desde 2010, uma marca impressionante. Na Superliga, vitória na quarta-feira sobre o Lebes/Canoas e liderança mantida.

E nada melhor do que um dos ícones do início do projeto para explicar como as engrenagens do Sada/Cruzeiro funcionam tão bem há tanto tempo: Douglas Cordeiro.

O ex-central, de 39 anos, participou ativamente das conquistas durante sete temporadas. Aposentado desde 2015, ele mora atualmente na paradisíaca Fernando de Noronha. E segue acompanhando o vôlei e as vitórias dos ex-companheiros.

Douglas Cordeiro, um ícone do projeto do Sada/Cruzeiro (Divulgação)

Douglas Cordeiro respondeu por escrito, na noite de quarta-feira, as perguntas enviadas pelo blog.

1 – Para começar, como vai a vida aí em Noronha após a aposentadoria?
Noronha é e sempre será um paraíso. Me identifiquei com a ilha desde que vim morar aqui com 8 anos. A família Alves Cordeiro é uma das mais tradicionais da ilha. Meu avô desembarcou na ilha em 1916 e tanto meu pai como a maioria dos meus tios nasceram no arquipélago. Não posso dizer que estou curtindo minha aposentadoria pois hoje me dedico na gestão da pousada que temos e que justamente leva o nome do meu pai: Seu Dodó. É um desafio completamente diferente dos que eu tinha nas quadras.

2 – Vi nas redes sociais no fim de semana uma competição organizada por você na ilha. Me conte como foi, quantas pessoas participaram, como surgiu a ideia…
Noronha, apesar de pequena, tem muitos amantes do voleibol. Ficamos aqui um tempo sem o ginásio da escola, local onde dei meus primeiros passos no vôlei, por causa da construção de uma nova quadra. Eu tinha dois uniformes do Sada/Cruzeiro autografados pelos jogadores e lancei a ideia do mini torneio no grupo de What´s App dos amantes do vôlei na ilha. A dupla vencedora levaria para casa as camisas. Foi um alvoroço geral… Teve gente que nem conseguiu dormir na noite anterior ao torneio. Conseguimos formar cinco duplas. Gostaria que tivesse sido mais, mas muitos trabalham e acabaram não podendo participar. Mas apesar de ter sido um mini torneio de mini só ficou o nome, pois a emoção foi gigantesca.

3 – Vamos falar de Sada/Cruzeiro. Você, que conhece tão bem o projeto e as pessoas que estão lá há tanto tempo, como explica essa fome insaciável por títulos?
O sucesso sempre será justificado primeiramente pelas pessoas envolvidas e suas respectivas competências, tanto dentro de quadra quanto nos bastidores. Some-se a isso um grande visionário, idealizador e principalmente um apaixonado pela modalidade, que é o senhor Vittorio Medioli, que investe milhões e consegue empresas parceiras para irrigar o projeto mais vencedor da história do vôlei brasileiro e um dos maiores do mundo.

4 – Como você define o técnico Marcelo Mendez?
O Marcelo, quando chegou à equipe, já trazia uma bagagem com conhecimento e experiência internacional. Mas acredito que seu amadurecimento aconteceu por completo aqui no Brasil. Inicialmente com a equipe de Montes Claros e depois se consagrando no Sada/Cruzeiro. Acho que ele é a soma de um treinador com grande visão técnica, com uma capacidade tática louvável e principalmente um conhecedor do ser humano. Na minha opinião, essa última virtude é o que mais justifica o sucesso dele.

5 – Daquele time da temporada 2010/2011, início da sequência de títulos, seguem por lá Filipe e Serginho. O que você tem a dizer desta dupla tão vitoriosa no projeto?
São jogadores extraordinários. O Serginho foi o companheiro que mais convivi. Foram cinco anos no Minas e seis no Sada/Cruzeiro. É um cara que não se cansa de ganhar e joga com sangue nos olhos sempre. Acredito que jogará em alto nível por muitos anos ainda. O Filipe é e sempre será um craque nato. Ele é de uma habilidade incrível e poucos conseguem fazer o que ele faz com uma bola de vôlei. Sempre foi uma referência dentro de quadra e inflama os companheiros que jogam ao seu lado. Acredito serem atletas que mereciam ter tido oportunidades na Seleção Brasileira por tudo que já fizeram e conquistaram no vôlei brasileiro. Das melhores lembranças que tenho da minha carreira esses dois estão em quase todas.

6 – Muitos (inclusive eu) achavam que as saídas de Wallace e William poderiam diminuir os títulos do Sada. Por enquanto não é isso que acontece. Como você vê isso?
Na minha opinião esses dois são os melhores em suas posições. William conheço desde a Seleção Brasileira infanto de 1997. Sempre fui um admirador de sua habilidade. Se chamar para jogar bola de gude, ele vai se sair bem. Deus lhe deu um grande dom e acredito que demoraram muito pra enxergar isso. Wallace é na minha opinião o melhor oposto do mundo e deve se manter nesse status ainda por um bom tempo. Conheço ele e sei que não vai se contentar como o segundo melhor. Sempre buscará a maestria. Com a saída deles, essa expectativa de queda na equipe era algo natural. Mas o que não se pode esquecer é que os que foram contratados para substituí-los são excelentes jogadores também. O Uriarte vem mostrando uma evolução e uma capacidade de adaptação ao estilo brasileiro que poucas vezes vi num jogador estrangeiro. O Evandro sempre foi um grande pontuador, mas vale frisar que hoje vive a melhor fase da sua carreira, indiscutivelmente. E para concluir tem-se uma equipe que está acostumada com decisões e possui uma grande capacidade de se adaptar e colocar os que chegam na situação de ter sempre que decidir títulos. Aí quando engrena… O resultado todos estão vendo.

7 – No próximo ano Leal estará à disposição da Seleção Brasileira. Acha que ele vai sofrer com adaptação, com algum tipo de boicote por ser cubano de nascimento?
Leal já está mais do que adaptado e pronto para defender as cores da Seleção. É óbvio que vai existir um certo desconforto por parte de alguns, isso é natural. Tem gente que pelo simples fato de respirar já incomoda, imagina essa situação… Vai ser a primeira vez que um estrangeiro vestirá a camisa verde-amarela. Ou seja, situação nova, sentimentos novos. Espero que tudo se acerte e que o entendimento seja sempre no sentido de fortalecer o voleibol brasileiro. É inegável que a contribuição que o Leal traz para a Seleção é gigantesca. Espero que sejam hospitaleiros com ele e o deixem o mais confortável possível para que possa vestir a camisa brasileira como se fosse a cubana e trazer muitas alegrias e títulos ao vôlei brasileiro.

Com a bandeira de Pernambuco após uma partida (Divulgação)

8 – Gostaria que você relembrasse algum momento da sua passagem que você sempre se recorda com carinho. Pode ser algum bastidor, uma conversa em particular, alguma comemoração…
Os momentos mais marcantes na minha carreira foram o terceiro jogo da semifinal da Superliga contra o Vôlei Futuro, no qual fomos para a primeira decisão da competição contra o Sesi. Perdemos a final, mas no outro ano estávamos decidindo de novo e justamente contra o Vôlei Futuro conquistamos o primeiro título da Superliga. Além desses dois teve a conquista do Mundial em Betim 2013. Acredito que esse jogo foi um dos melhores da minha carreira, talvez o melhor (Nota do blog: Douglas Cordeiro começou a final contra o Lokomotiv Novosibirsk no banco de reservas. Entrou no lugar de Isac ainda no primeiro set e não saiu mais. Terminou a decisão com 11 pontos, atrás apenas de Wallace – 13 – e Leal – 12).

9 – Você pretende, no futuro, voltar ao vôlei? Assistente, técnico, gestor?
Nunca consegui me desvencilhar por completo do vôlei. Tenho planos em mente e pretendo colocá-los em prática num futuro próximo. O vôlei nunca sairá de mim.

10 – Palpite para os semifinalistas da Superliga masculina?
Acredito que será muito difícil uma semifinal que não seja entre Sada/Cruzeiro, Sesc , Sesi e Taubaté.

CARREIRA

  • Pernambucano de nascimento, Douglas Cordeiro fez carreira em Minas Gerais. Chegou com 19 anos ao Telemig/Minas. Fez parte da equipe tricampeã da Superliga. Atuou pelo tradicional clube mineiro até 2004. Em 2008, após passagens por On Line/São Leopoldo e Ulbra, ambos no Rio Grande do Sul, e pelo Santander/Banespa, em São Paulo, acertou com o Sada/Betim.
  • Em 2009, o Sada acertou a parceria com o Cruzeiro. E Douglas Cordeiro era um dos pilares do time. Depois chegaram Wallace, Marcelo Mendez, Filipe, Serginho…
  • Em março de 2015, Douglas Cordeiro homenageado com uma placa pelos 200 jogos com a camisa cruzeirense, antes de uma partida contra Montes Claros, em Contagem.
  • Principais títulos: campeão mundial 2013 e bicampeão sul-americano pelo Sada/Cruzeiro e hexacampeão da Superliga (três pelo Sada e três pelo Minas), além de Copa do Brasil e Estaduais.


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