10 perguntas – Adenízia: “Precisei aprender a jogar como as italianas”



Entre 1999 e 2015, Adenízia foi sinônimo do projeto de Osasco. Mineira de nascimento, ela começou ainda adolescente, ganhou espaço até se consolidar como um dos grandes nomes do time, o atual Vôlei Nestlé.

Ganhou seis edições do Campeonato Paulista, duas da Superliga, Sul-Americanos e até o Mundial. Pela Seleção, fez parte da conquista do bicampeonato olímpico em Londres-2012.

Desde 2016, a meio de rede de 31 anos defende o Savino Del Bene Scandicci. Na atual temporada, após 21 partidas, o time da brasileira soma 48 pontos, dois atrás do líder Imoco Conegliano. Uma campanha e tanto, colocando o Scandicci entre os candidatos ao título.

Adenízia

Adenízia em ação na Itália, pelo Savino Scandicci, contra a marcação de Tirozzi (Divulgação)

Nesta entrevista, por email, Adenízia fala ao blog sobre o momento (é a maior bloqueadora da competição), sobre as expectativas para a temporada da Seleção e o desejo de ser mãe.

Confira abaixo o papo com Adenízia:

1 – Você diria que vive a melhor fase da carreira? Sonhar com o título italiano é uma realidade atualmente?
Hoje vivo uma fase muito boa. Lógico que é importante jogar no Brasil, mas procurei novos desafios. Joguei por 15 anos na mesma equipe. Cheguei num país onde não me conheciam, por mais que fosse de Seleção Brasileira e Campeã Olímpica. Hoje me conhecem e sabem como eu jogo. Fui a melhor central da temporada passada, e nesta estou liderando em bloqueios. Estou muito feliz por esse campeonato que eu e minha equipe estamos fazendo.

2 – Seus números individuais no bloqueio são os melhores desde o início da temporada italiana. O que você agregou de conhecimento ou aspecto técnico no fundamento nesta passagem pela Itália?
Tive muita dificuldade no começo. É um Vôlei totalmente diferente do jogado no Brasil. As brasileiras, além de pegar mais alto, são mais fortes e habilidosas. As italianas são rápidas. Então, às vezes, você não consegue chegar montada na ponta ou na saída. E tive que aprender a jogar como elas, precisei treinar muito. Agradeço muito ao Mauro Chiappafreddo, que foi meu treinador no ano passado. Ele me ajudou bastante nesse fundamento.

3 – Qual sua situação contratual com o Scandicci? Pretende seguir no vôlei europeu por mais quanto tempo?
Ainda não sei o que vou fazer. Tenho portas abertas nos clubes, penso nas possibilidades. Mas primeiro quero ir com a minha equipe para a fase final da Série A, este é o meu foco agora.

4 – Qual o principal ponto positivo de viver na Itália? E o negativo?
O ponto positivo é estar perto de muitos lugares. Tive dois dias de folga no réveillon e fui para Paris com o meu noivo. Estou perto da Turquia, Suíça, França e posso conhecer vários lugares, viajando de trem. Para mim, é muito positivo poder conhecer outras culturas e países. Por outro lado, tem a saudade da minha família, do meu noivo, do meu cachorro e poder reunir o pessoal em casa.

5 – E o negativo?

Quando chega o final de semana, as demais jogadoras vão ver suas famílias e eu acabo ficando um tempo sozinha. O que não é de todo ruim, pois gosto de viajar por conta própria e curtir a minha casa. Mas esse é o ponto negativo.

6 – 2018 é um ano importante para a Seleção, com disputa do Mundial. É sua grande meta na temporada?
É difícil falar da Seleção, sempre fico na expectativa se vou ou não. O Zé Roberto fala mesmo poucas semanas antes dos treinamentos começarem. Você confia no que fez durante o ano no clube. A meta de qualquer atleta é estar na Seleção. Estou fazendo o meu melhor no Savino e se for convocada, será a coroação do trabalho que fiz. O Mundial é um campeonato muito importante, que nós ainda não ganhamos, e de muita responsabilidade.

Adenízia

Block da Seleção com Natália e Adenízia em partida contra a Sérvia (FIVB Divulgação)

7 – Adenízia, você tem tido contato com a comissão da Seleção neste momento de entrada na reta final da temporada europeia?
Não.

8 – Camila Brait e Dani Lins foram mães recentemente. Você pensa nisso, faz planos ou é algo ainda distante para você?
Sem dúvidas, sonho em ser mãe. Vejo a Brait e a Dani, acho lindo, acompanho as duas. Quero sim, mas no futuro. Preciso tocar minha carreira primeiro.

9 – Tem acompanhado a Superliga? Faz alguma aposta para os playoffs?
Não tenho acompanhado muito, por conta do fuso horário. Estamos quatro horas na frente, e quando os jogos acontecem, é madrugada aqui. Eu converso com a Tandara, que é mais próxima, com a Lara, Fabi e Gabi, e pergunto como foi. Acho que vi apenas um jogo inteiro nessa temporada, por causa do fuso horário.

10 – Deixe uma mensagem para seus fãs no Brasil
Quero mandar um beijo a todos os meus fãs, aos torcedores do vôlei. Sinto muita falta dessa energia, do calor da torcida. Vocês incentivam ponto a ponto. Aqui a torcida é boa, sim, mas nada como a do Brasil. Um beijo a todos vocês!

 



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