Inovador com Legion, série Watch Dogs enfim mostra potencial para entrar no panteão dos games



Watch Dogs: Legion chegou ao PC, PlayStation 4, Xbox One, Google Stadia, PlayStation 5 e Xbox Series X e S (posteriormente) no apagar das luzes de outubro, quando o mercado já estava voltado para o lançamento da nova geração. A estratégia da Ubisoft em lançar dois títulos de peso em um intervalo de duas semanas, já que Assassin’s Creed Valhalla foi lançado mais recentemente, é controversa. E vale investir neste temática hacker?

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O novo game tem uma ambiciosa proposta, que é a de tornar qualquer NPC um protagonista jogável e agente da Dedsec, que acaba, em um futuro distópico cujo cenário é uma fascinante Londres, levando a culpa por conta de atentados à capital britânica, com explosivos, promovidos pelo Zero-Day – o vilão, que não é o único, e a catapulta para o enredo. A partir do ato terrorista, ocorrida no prólogo do game, uma organização paramilitar privada chamada Albion é contratada para manter a “ordem”. E há abuso de autoridade com veia totalitária – o que é retratado em abordagens violentas nas ruas e protestos de rebeldes.

O QUE DÁ CERTO

Diferente de seus predecessores, Watch Dogs: Legion aposta na versatilidade dos atributos de cada personagem, ou seja, as mecânicas de hacking fazem parte do contexto, mas não são mais o cerne do mesmo. E o sistema de recrutamento funciona muito bem. É divertido explorar a cidade ciente da eficaz proposta randômica. A cada esquina pode aparecer uma espiã hollywoodiana, um operário de obra, um traficante recheado de armas pesadas, um hacker como Elliot Alderson (da popular série “Mr. Robot”), um policial ou até uma senhora que mal consegue caminhar.

Os perfis dos transeuntes são objetivos e, em certos casos, cômicos (como personagens que sofrem de flatulência e, por isso, podem atrapalhar a sua invasão furtiva).

O que leva o jogador ou a conseguir recrutar nem sempre é simples, mas não chega a ser enfadonho. Pelo contrário, mesmo que você, possivelmente, escolha dois ou três favoritos que vão conduzir a sua campanha.

Aliás, recomendo se desafiar no modo permadeath, que faz com que o seu agente morra definitivamente – e, sim, a sua “legion” pode ficar sem ninguém e você, veja só, verá a tela de game over e terá que reiniciar do zero.

Outros fatores que pesam o lado favorável da balança são a ambientação dos cenários, que valem minutos de apreciação e palmas aos desenvolvedores, e a gameplay nas partes de tiroteio e combate. Em tempo: o Bagley, a inteligência artificial que guia o player ao longo de toda a narrativa (uma espécie de J.A.R.V.I.S. para o Homem de Ferro), tem um carisma singular – transmitido através de ótimas dublagens.

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O QUE DEIXA A DESEJAR 

Vi muitas críticas a respeito do fato de Watch Dogs: Legion, por não ter um protagonista, tirar a personalidade ou ser um ônus da proposta ousada. Discordo. E explico: em meio a tantos jogos genéricos no mercado, o terceiro game da série Watch Dogs traz um frescor, sobretudo pelos títulos em profusão lançados neste último trimestre de 2020.

Legion mira alto e merece louvor, mesmo que esbarre em falhas, como o roteiro previsível e inconsistente e missões e cenários de ação que se tornam repetitivos, pouco desafiadores.

Por falar em cenário, o jogo também peca em não motivar o suficiente para sair dirigindo pelo mundo aberto. E há escassas cenas que exigem veículos (que têm uma direção imprecisa, assim como as suas respectivas câmeras) e uma direção sagaz, além de contar com missões secundárias pouco atrativas – como clubes de luta “ok” e desafios de embaixadinhas com bola de futebol (aqui, admito ter “perdido” bons minutos, contudo).

CONCLUSÃO

O potencial para crescimento, se explorado ainda diante desta proposta, é tremendo, ainda mais levando em consideração os recursos da nova geração de consoles. A série entra no caminho para enfim chegar ao panteão dos games. E eu confesso ter me divertido como nunca quanto a Watch Dogs. Ao considerar no fim das contas, percebi que o processo, apesar dos pesares, foi prazeroso e superou as minhas expectativas, que não estavam altas, principalmente pela quantidade de games pipocando neste período.

Inovador e “fora da caixa”, Watch Dogs: Legion, no geral, pesando na balança, é um jogo mediano e que está na casa da nota 7, porém com alto teor de diversão e até encantamento com as possibilidades que o sistema de jogar como qualquer personagem oferece. Vale a jogatina descompromissada.

* O Press Start agradece à equipe Ubisoft por ter cedido uma cópia de Watch Dogs: Legion (PS4/PS5) para a realização desta análise



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