Gunplay impecável, recursos do PS5 e necessidade de perseverança: o que esperar de Returnal



No início deste mês, os usuários de PS5 enfim foram agraciados com Returnal, o primeiro game de peso inédito e exclusivo da plataforma. E o trabalho da Housemarque foi, embora contraditório, executado com uma eficiência capaz de estimular o jogador a repetir, repetir, repetir, repetir… e repetir. Mas é preciso perseverança para progredir.

Vale a pena jogar: Returnal (PS5) | Tecnoblog

De cara, é necessário explicitar o quão injusto o difícil game pode ser taxado, já que, por se tratar de um roguelike, faz o player não acostumado ou fã do gênero se questionar a respeito da produtividade quanto à jogatina – principalmente por não haver ponto de salvamento em local ou momento algum.

Vai ser comum você se pegar reclamando do quê de injustiça que há no ar, mas, antes de adentramos a fundo nos prós e contras de Returnal, veja uma sinopse sublinhada pela própria desenvolvedora:

“Após o pouso forçado neste mundo que muda de forma, Selene deve pesquisar a paisagem árida de uma antiga civilização para escapar. Isolada e solitária, ela se vê lutando com unhas e dentes pela sua sobrevivência. Repetidas vezes ela é derrotada – forçada a reiniciar sua jornada sempre que morre.

Por meio de um jogo implacável de RPG tipo masmorra, você descobrirá que, assim como o planeta muda a cada ciclo, os itens à sua disposição também mudam. Cada loop oferece novas combinações, forçando você a ultrapassar seus limites e a combater com uma estratégia diferente.

Trazida à vida por efeitos visuais incríveis, a beleza sombria do mundo decadente ao seu redor está repleta de surpresas explosivas. Com combates de alto risco e com munição de bala, reviravoltas viscerais em ambientes rígidos e contrastantes. Você vai explorar, descobrir e lutar em uma jornada implacável, onde o mistério espreita todos os seus movimentos.

Projetado para extrema repetibilidade, o mundo processual de Returnal convida você a tirar a poeira da derrota e enfrentar novos desafios em evolução a cada renascimento”.

Returnal lança novo trailer sobre gameplay – Pizza Fria

O QUE FUNCIONA

A jogabilidade de Returnal é um deleite e o principal chamariz do game. Na semana do lançamento, li alguns comentários acerca da movimentação rápida da Selene, porém creio ser proposital e adequada à proposta dinâmica. As mecânicas para se atirar e gerir os equipamentos randômicos e o gunplay em si cativam.

O gunplay, aliás, compensa o ciclo estressante de retorno à estaca zero, já que também é comum o seguinte questionamento: “Perdi uma hora numa run e não cheguei perto de avançar ou pegar um item definitivo para o inventário, será que vale a pena eu investir mais algumas horas?”. Explorar, atirar e escapar dos frenéticos momentos de bullet hell – quando a tela é assolada por tiros e pirotecnias – pesam consideravelmente a favor do “sim”.

Returnal ainda faz ótimo uso dos recursos do PS5, sobretudo em relação aos gatilhos adaptáveis do DualSense e a vibração inteligente do joystick. A trilha sonora é impecável e imerge com maestria. Ademais, o recurso “Tempest 3D AudioTech” dá um identidade única para o jogo e faz com que a jogatina com um fone seja preponderante para, ao reconhecer sons através das três dimensões, sentir os biomas de forma multifocal.

Returnal traz criaturas horripilantes em um planeta alienígena — Foto: Divulgação/PlayStation

O QUE DEIXA A DESEJAR

Por falar nos quesitos técnicos, considerei que os gráficos deixam a desejar pelo selo estofado da nova geração. Não está no patamar dos exclusivos do PlayStation, tanto que, para um leigo quanto aos lançamentos do PS5, poderia ser facilmente identificado como um jogo da geração passada, embora tenha ray tracing, gráficos em 4K, 60 frames por segundo – ou seja, componentes que um título de nova geração precisa ter.

Há falta de polimento em algumas texturas de cenários, que, quanto ao design e ambientação, estão louváveis. Os monstros alienígenas, alguns à la Lovecraft, também estão bem desenvolvidos e cabulosos ao longo dos seis biomas. Os artistas criativos merecem os aplausos.

Retornado aos contras: nas cerca de 45 horas que levei para zerar o game, percebi que a história tinha potencial para ser uma isca mais atraente para iniciantes em roguelikes e ampliar a base de interessados. No início, até fiquei intrigado, mas, como depois de algumas mortes recorrentes não houve sinalização de avanço, passei a ficar desestimulado com o enredo – que, no fim das contas, é mediano.

Em tempo: troquei figurinhas com alguns amigos que haviam jogado, e boa parte teve uma impressão parecida.

CONCLUSÃO: VALE O INVESTIMENTO?

Como sabemos, o preço no Brasil (cerca de R$ 350) é de se lamentar. Creio que, para o gamer brasileiro médio, nenhum jogo valha tal valor (ou raríssimos, se consideramos alguns aspectos, subjetivos ou objetivos), mas Returnal é indicado apostar quem procura por um game com uma identidade marcante e jogabilidade viciante. Eu definiria o novo jogo da Housemarque como um desafiador roguelike de porta de entrada com uma história razoável.

Outro atrativo é o fato de Returnal ser “rejogável” sob dois prismas: insistência para explorar melhor e avançar ou a busca para aprimorar o tempo dedicado anteriormente. Returnal não chegou com o pé na porta como Hades, mas é inegavelmente um dos principais lançamentos do ano e tende a figurar no GOTY 2021. Numa boa promoção, então, se torna um prato cheio.

* O Press Start agradece à equipe PlayStation por ter cedido Returnal para a realização desta análise



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