Juvenal, um grande homem apaixonado



Entrevistei Juvenal Juvêncio pela última vez em julho deste ano, em meio à briga política com Carlos Miguel Aidar que implodiu o São Paulo. Apesar da aparência comprometida pela saúde física, Juvenal surpreendeu pela saúde da alma. Com 83 anos (mas nunca revelou a idade, mesmo com a insistência desse repórter no encontro), falava pausadamente, olhando para o além, gesto natural daqueles que já se preparam para se despedir das coisas terrenas. Foi humilde como poucas vezes, ao admitir que seu terceiro mandato consecutivo no São Paulo foi um erro.

Juvenal falava em comprar brigar para derrubar Aidar, mas, raposa política que era, sabia que a guerra poderia não demorar muito. O ex-presidente que renunciou ao cargo após denúncias de irregularidades já vivia sob seu mar de lama e Juvenal sabia no quê aquilo podia culminar. Neste momento, afirmou:

– Quando eu recompuser o erro (por ter indicado Aidar como sucessor em 2014), estarei realizado.

No primeiro instante, a declaração com ar de revanchista me fez ter pena daquele senhor. Eu pensava: por que esse homem prefere seguir nesse meio sujo mesmo após tantas conquistas a viver a última parte da vida em paz? Ele respondeu:

– Sou casado há 50 anos. Como faço, mando minha mulher embora? (risos). Essa coisa chama paixão, não razão. Quero viver saudável e para isso não posso perder a paixão.

Foi a última resposta da entrevista, que me fez sair da casa daquele grande homem em dúvida se ele se referia à paixão pelo São Paulo ou pelo poder. Acho que as duas coisas.



MaisRecentes

‘Hudson é um bad boy elegante’



Continue Lendo

Quando se faz jus ao termo trabalho



Continue Lendo

São Paulo e as expulsões a base de anti-inflamatório



Continue Lendo