Fim de feira



A semana que passou foi (mais) um retrato fiel do clima de fim de feira que virou o São Paulo. Na terça-feira, Gustavo Vieira de Oliveira (ex-gerente de futebol) e Alexandre Bourgeois (ex-CEO) deram entrevistas onde expuseram fatos amplamente conhecidos de quem vive os bastidores do clube. As declarações fortes (especialmente de Bourgeois, que diz ter sido intimidado e ameaçado fisicamente por um assessor da presidência) poderiam chocar, mas bizarramente passaram a ser tratadas como corriqueiras dado o nível (ou falta dele) que tem caracterizado o Tricolor nos últimos tempos.

A pior quebradeira do São Paulo não é a financeira. É a moral. O clube que um dia foi sinônimo de democracia e alternância de poder hoje só destaca pelas baixarias das reuniões do seu Conselho Deliberativo e das fofocas e difamações espalhadas para prejudicar desafetos. Não há dinheiro e nem perspectiva de arrumá-lo. O elenco foi dizimado em nome de um alívio de contas que se sabia estéril. O Morumbi está obsoleto em relação às novas arenas. Títulos? Apenas um nos últimos seis anos, ainda assim de uma competição de segundo escalão.

Não há patrocínio nem credibilidade para encontrar quem invista num clube em que o “mal-entendido” é a tônica, que vê sua dívida oscilar R$ 100 milhões entre um dia e outro, que sempre precisa de notas oficiais para se explicar, menos quando o assunto são comissões obscuras. O São Paulo que um dia foi de de Rogério, Raí e Telê hoje é de Juvenal, Carlos Miguel e Jack.

A cada entrevista, Juan Carlos Osorio mostra ter percebido que foi enganado e deixa claro não ter estômago para aguentar a várzea (o termo é chulo, mas peço desculpas ao leitor por não haver definição mais precisa) que se transformou o clube. Imagine como uma pessoa apelidada de Lorde deve enxergar tudo isso. Não surpreenderá se, cedo ou tarde, pegar suas coisas e voltar para a Colômbia.

A torcida comprou a briga do técnico, talvez ciente de que ele seja uma das últimas reservas de boa índole de um clube que pode até terminar entre os quatro primeiros no Brasileiro, mas moralmente já foi rebaixado.

Fernando Faro é editor do LANCE!



  • Roberto Guerrero

    Bons tempos em que nós, tricolores de coração, nos dizía-mos, “DIFERENTES”. Hoje nos nivelamos por baixo. A atual Diretoria, ou seus Diretores, querem aparecer mais que os atletas, os verdadeiros donos do espetáculo. Vemos constantemente, Diretores dando entrevistas, esculhanbando desafetos, expondo situações que só interessam a quem quer denegrir nossa imagem, lavando roupa suja em público, com o único e pernicioso intuito de APARECER. Uma pena, lamentável.

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