Diário de Viagem: Na terra de Eduardo Galeano, futebol é mais que uma paixão



Do enviado especial Gabriel Carneiro

É inacreditável o tanto que se fala de futebol no Uruguai. Do aeroporto ao táxi, do restaurante ao supermercado, do hotel à farmácia. Há jornais, revistas, programas (e canais, muitos canais) de televisão, álbuns de figurinhas dos campeonatos nacionais de outros países e camisas que não acabam mais. Do Peñarol, do Nacional, do Danubio, do Flamengo, do Real Madrid, do Barcelona, do Boca Juniors, do São Paulo. E tudo isso foi visto em um só dia andando por Montevidéu, a capital sul-americana de menos de um milhão e meio de habitantes.

Nesta terça-feira eu devo descobrir se essa profusão de camisas de futebol é comum no dia a dia do Uruguai ou se pode ter sido uma homenagem singela a Eduardo Galeano, o homem que desbravou as veias abertas da América Latina, dissecou o futebol ao sol e à sombra e morreu nesta segunda, aqui em Montevidéu, cidade onde um de seus leitores chegou para acompanhar o importante duelo entre Danubio e São Paulo pela Libertadores.

Galeano parecia movido por um intenso desejo de contar histórias de temas sociais e também humanos. E quer algo mais humano que o futebol? Ou melhor, algo mais humanizador que o futebol? E olha que o escritor uruguaio tem uma frase marcante em que diz que “o futebol se parece com Deus”… E quer algo mais divino que o homem? Ou algo mais humano que Deus? A Deus, também, Galeano rezou por lindas jogadas “sem se importar com o clube ou país que as oferece”. Já passou da hora do futebol ser olhado de forma diferente, porque ele é muito mais do que milhares de reais, transferências, demissões, tabelas e regulamentos. Ele é arte. E como toda forma de arte, ele é permanente.

“Futebol ao sol e à sombra”, com suas curiosidades, loucuras e metáforas, é um livro permamente. Eduardo Galeano, com sua luta em incontáveis esferas, é um ícone permanente. E permanente, também, é a paixão do povo uruguaio por futebol, guiada pelos campeões mundiais e nutrida até hoje. Pois mesmo que não haja títulos, há paixão. E ela basta. Que Danubio e São Paulo ao menos tentem honrar esse legado na quarta-feira. O jovem jornalista agradece.



  • Eu não sou vamp,por que me chamou de vamp ? Ó o casal de filhos que eu tenho…Mas eu não sou vamp !

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