A chuvosa Medellín dos ‘Escobars’



Chove muito em Medellín desde segunda-feira, quando o São Paulo chegou à cidade colombiana. A previsão é de muita chuva no momento da partida desta quarta-feira, que escureceu mais cedo por conta do clima. Tudo escuro. Uma pena.

Medellín é uma cidade impressionantemente linda sob o sol. Do afastado aeroporto ao centro da cidade, o caminho é todo envolto de montanhas, árvores, verde, muito verde. De cara, já manda embora o temor de quem a visita pela primeira vez ainda bombardeado com um histórico de narcotráfico.

A casa do Atlético Nacional, adversário do São Paulo, está muito mais segura do que era em um passado recente. Todos dizem isso aqui, orgulham-se de não terem mais que responder somente sobre as guerrilhas, Farcs e Escobar. Quer dizer, dependendo de qual.

Se for sobre Andrés Escobar, o ex-zagueiro da seleção local na Copa do mundo de 1994, nos Estados Unidos, não é problema. Andrés ainda é visto como um herói nacional para os amantes do futebol, que são muitos dos lados de cá. Mas, como sabemos, foi vítima da estupidez do ser humano. Ao menos é bem lembrado pelos seus compatriotas.

Para quem não sabe, Andrés fez foi assassinado em 1994 pouco depois de ser considerado culpado pelo fracasso da Colômbia no Mundial, ao fazer um gol contra diante dos donos da casa. Um absurdo. Algo para se esquecer. Algo de que os colombianos não se orgulham.

Como não se orgulham do outro Escobar famoso do país: Pablo. O maior traficante de drogas da história da Colômbia e, quiça, do Mundo, também é tema recorrente em Medellín, tem até um bairro em sua homenagem, mas o desconforto das pessoas em falarem sobre o lendário personagem salta aos olhos. Também pudera.

Só que foi justamente Pablo Escobar que rendeu a maior surpresa de minha viagem até o momento. No primeiro táxi que tomei assim que deixei o aeroporto, tomei a liberdade de fazer um juízo de valor diante do simpático motorista e foi repelido. Eu disse que a cidade certamente melhorou muito depois da morte do poderoso traficante, em 1993. Mas ele discordou.

– Olha, senhor, não sei. Na época de Pablo, era um comando só, ele controlava tudo, não havia disputas. Hoje, está muito dividido, são várias facções pequenas brigando pelo comando do tráfico. E o governo não ajuda. Não sei se não era melhor nos tempos de Pablo – disse.

Reagi com surpresa e dei de ombros. Mesmo porque não iria ter tempo de permanecer em Medellín para comprovar se meu novo amigo de fato tinha razão. Preferi me voltar mais para as coisas boas da cidade, apesar da chuva teimar em tirar o belo colorido. Mas pensei: quem sabe, quando a chuvar parar de cair, meu amigo não tenha mudado de ideia. Medellín merece tempos melhores.



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