Tudo que você precisa saber sobre os times argentinos da Libertadores 2019 - Toco y me voy

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Tudo que você precisa saber sobre os times argentinos da Libertadores 2019



O River Plate foi campeão da última edição contra o Boca Juniors, no Santiago Bernabéu (Foto EFE)

Nestes 60 anos de Copa Libertadores, a Argentina lidera em número de títulos: são 25 no total. Não é por acaso que a cultura futebolística do país gira em torno da máxima competição continental. Esta semana se iniciará uma nova etapa e todos os “hinchas” de fé, sangue quente e paixão intensa desejam levantar mais uma Copa. A que foi conquistada pelo River Plate em 2018 na final mais importante de sua rica história, a que todos querem voltar a ganhar, a que vários querem saborear pela primeira vez.

Esta edição, que começa esta terça-feira (5) e termina dia 23 de novembro, a Argentina será representada pelos grandes de Buenos Aires (River Plate, Boca Juniors, San Lorenzo e Huracán), um de Rosário (Central) e um de Mendoza (Godoy Cruz). Além das seis equipes, quatorze treinadores argentinos disputarão o torneio deste ano: Miguel Russo (Alianza Lima), Eduardo Domínguez (Nacional), Claudio Vivas (Sporting Cristal), Gustavo Quinteros (Universidad Católica), Jorge Pautasso (Melgar), Daniel Garnero (Olimpia), Mariano Soso (Emelec) e Néstor Clausen (San José).

O River é o grande candidato devido sua conquista recente e pela hegemonia de Marcelo Gallardo. O Boca não fica atrás, tem um elenco de alta qualidade e precisa recuperar a moral perdida na edição passada; além de ir em buscar da sétima Libertadores para se igualar ao Independiente como os maiores campeões da América. O San Lorenzo tem mais ilusão que resultados, desde o ano passado enfrenta pobreza no nível de futebol desempenhado. O Huracán opta por um passo de cada vez e mira passar da fase de grupos. Já Rosário Central e Godoy Cruz, são as equipes com expectativas mais baixas.

 

RIVER PLATE

 

Juan Fernando Quintero é o novo camisa 10 e o grande destaque do River Plate na atual temporada (Foto AFP)

Com o selo Gallardo, ídolo máximo do clube, o River Plate tocou o céu no ano passado ao vencer o Boca Juniors na final mais lendária da história do futebol sul-americano. A mentalidade é uma marca registrada deste ciclo. Com a liderança do treinador e do capitão Léo Ponzio, o River dependerá apenas de si mesmo neste ano. Campeão em 2015, semi-finalista em 2017 e de novo campeão em 2018, o time do Monumental é o melhor da Libertadores nos últimos anos. Nesta edição vai por mais: quer ser bicampeão, algo que uma equipe não conquista há 18 anos. E foi justamente o Boca Juniors de Carlos Bianchi que conseguiu em 2000 e 2001.

Os argentinos estão no grupo A com Internacional, Alianza Lima e Palestino. A equipe de Porto Alegre nunca enfrentou os millonários pela Copa Libertadores. Contra times brasileiros, o River tem em seu retrospecto: dez vitórias, quatro empates e quinze derrotas. É o conjunto argentino que mais jogou o torneio continental, com 36 participações. Foi campeão quatro vezes (1986, 1996, 2015 e 2018) e finalista em duas oportunidades (1966 e 1976).

Juan Fernando Quintero é o homem mais importante do atual River Plate. Com a saída de Pity Martínez, herdou a histórica camisa 10 e tem sido desde então o gerador do jogo do River. No ano passado, ainda como reserva, fez dois gols na competição: um contra o Independiente e outro na finalíssima no Santiago Bernabéu. O goleiro Franco Armani, por sua vez, é o amuleto da equipe e sempre decisivo quando acionado. Buscará sustentar sua alta performance para dar mais uma alegria ao hincha millonário e, além disso, ser convocado para a Copa América.

No momento, a equipe de Gallardo vive um presente com decepções. Apesar de ter conquistado quatorze dos últimos dezoito pontos possíveis nessa fase final de Superliga (buscando a classificação da Libertadores 2020), o elenco tem sofrido com um número alto de lesões neste início de ano. Já são nove jogadores e dez lesões. Muitos deles são atletas centrais na estrutura de Marcelo Gallardo. A competição exigente e o calendário apertado são causas naturais da situação: o conjunto enfrentou nove partidas em 37 dias. E tudo foi fortalecido após um intenso final de ano que acabou em 22 de dezembro com o terceiro lugar no Mundial de Clubes.

 

HURACÁN

 

Lucas Barrios é o grande destaque do atual Huracán (Foto: Divulgação)

O “Globito” fará sua quinta participação no torneio e está no grupo B, com Cruzeiro, Deportivo Lara e Emelec. Contra o time mineiro, jogou apenas duas vezes em 2015: empatou 0 a 0 no Mineirão e venceu por 3 a 0 na Argentina.

Antonio Mohamed, é o atual treinador e ídolo do Huracán, onde estreou em 1988 e subiu à primeira divisão em 1990 (como treinador levou a equipe à elite em 2007). Essa é sua quarta etapa no time de Parque Patricios. “El turco” voltou ao clube que ama para jogar a Libertadores, e com ele, a carta de gol: Lucas Barrios, um 9 de seleção. O atacante de 34 anos que passou pelas categorias de base do time argentino, chegou com uma estante de títulos letal: foi campeão do torneio continental em 2017 com o Grêmio, disputou o Mundial da África em 2010 e duas Copa América (2011 e 2015) com o Paraguai; além do império que construiu no Borussia Dortmund com Jurgen Klopp e por seus 172 gols em 416 jogos.

Lucas Gamba junto de Barrios, é o jogador mais desequilibrante e um dos homens que Mohamed seguirá potenciando. Antony Silva, paraguaio de 35 anos, é outro destaque. O goleiro é titular em sua seleção, já disputou a Libertadores e chegou para substituir Marco Díaz. Andrés Roa, craque colombiano, é outro que tem se consolidado como uma das figuras do torneio local.

 

GODOY CRUZ

 

Santiago García é a figura do Godoy Cruz desde 2016 (Foto: Cristian Lozano)

Sem grandes reforços mas mantendo a base, o Godoy Cruz encara a Libertadores com um elenco recheado de garotos da base. Da lista, apenas seis atletas têm mais de 25 anos. No total, o clube argentino participou quatro vezes do torneio continental. Estreou em 2011, se classificou outra vez no ano seguinte (nas duas ocasiões ficou fora na fase de grupos), em 2017 foi eliminado pelo Grêmio nas oitavas de final. Nesta edição, divide o grupo C com Olimpia, Sporting Cristal e Univ. Concepción. 

Se há algo que caracterizou o time de Mendonza nos últimos anos, provavelmente os melhores de sua história, é a ordem e nunca desviar o foco de seu objetivo primordial: consolidar seu lugar na série A e não sofrer com as médias (método que define os rebaixamentos da Superliga). E conseguiu. Com esta fórmula, sem fazer grandes gastos em contratações e sempre apostando em jogadores da base, “el Tomba” garantiu seu lugar na atual Copa Libertadores, depois de lutar até os últimos dias no torneio local de 2017-18 contra o Boca Juniors pelo primeiro posto. Terminou a temporada no segundo lugar e alcançou a melhor campanha dos seus 97 anos de história.

No entanto, 2019 não começou com o mesmo brilho. A surpresa saída do treinador Diego Dabove em dezembro foi desestabilizante. Em outra aposta da atual diretoria, o encarregado de substituir o técnico foi Marcelo Gómez, que veio de dirigir o time reserva do Vélez. Mas seu ciclo durou pouco: depois de cinco derrotas e apenas uma vitória, foi despedido. Foi assim que Lucas Bernardi voltou ao banco de suplentes da equipe. O treinador já havia dirigido o time de Mendonza na temporada 2016-17, ano em que disputou também a Libertadores e classificou a equipe às oitavas de final.

 

SAN LORENZO

 

San Lorenzo foi campeão do torneio em 2014 (Fotobaires)

Depois de um ano sem disputar a Libertadores, o “Ciclón” regressa ao campeonato sem muitas expectativas. O título de 2014 foi o triunfo mais importante da história e algo inédito para a instituição, mas o presente está longe de repetir o feito. Jorge Almirón assumiu o San Lorenzo no final do ano passado em um momento conturbado. O técnico tem experiência no torneo continental: foi vice-campeão com o Lanús em 2017 e no ano passado foi até as oitavas de final com o Atlético Nacional.

Devido a fase, pediu reforços em grande quantidade. No total, dez jogadores chegaram nesta janela de transferências. O técnico confiou, como fez nos outros clubes, em jogadores que já havia dirigido antes. Todos os novos não se acomodaram ainda e os resultados positivos não chegaram. Nicolás Blandi é o grande destaque, principal arma ofensiva e capitão da equipe. Esteve presente no título conquistado em 2014, sob o comando de Edgardo Bauza. Fabricio Coloccini, aos 37 anos, é a grande referencia na defesa e uma das figuras do conjunto. Fernando Belluschi, é o responsável por conduzir a equipe, de seu nível futebolístico depende o time de Almirón.

No momento, a equipe de Boedo se encontra na última posição com 17 pontos e não venceu as últimas doze rodadas. A nível grupal, enfrenta escassez de cabeça fria e debilidade em finalizações, além da troca de toques sem ideia e falta esquema tático alinhado. Almirón não conseguiu encontrar o plano de jogo perfeito. Ainda não se pode notar as peculiaridades de seu estilo de subjugar o adversário tomando a bola, com ataques baseados em movimentos trabalhados e chegadas com superioridade numérica na área rival. Há níveis individuais muito baixos e a equipe sofre com a falta de um condutor. No ataque não há mudanças nem por individualidades nem por algum passe filtrado que quebre linhas. Os laterais também não são determinantes e, como consequência, os atacantes têm chances escasas.

Os argentinos ocupam lugar no grupo F com Junior, Melgar e Palmeiras. O time paulista nunca enfrentou o “Ciclón” na Libertadores, o único histórico é na Mercosur de 99: vitória do San Lorenzo por 1 a 0 em Buenos Aires e vitória do Verdão por 3 a 0 em São Paulo.  

 

BOCA JUNIORS

 

Carlos Tévez esteve presente na conquista de 2003 pelo Boca Juniors

O mundo Boca não permite freios e a sétima conquista da Libertadoras é o desejo de todos. No time xeneize, a Copa não se negocia. Para isso, deverá enfrentar a fase de grupo com campeões: o Athletico Paranaense vem de conquistar a Sul-Americana 2018, já o Tolima e o Jorge Wilstermann venceram seus torneios locais. O Boca também comemorou um título na última temporada: Superliga 2017-18. O Furacão e os xeneizes nunca se enfrentaram. Contra equipes brasileiras, a equipe de Tévez comanda com 20 vitórias, 15 empates e 12 derrotas. Com 28 participações no campeonato continental, foi campeão seis vezes: 1977, 1978, 2000, 2001, 2003 e 2007.

A braçadeira de capitão é de Tévez e Benedetto. O 9 conquistou a torcida e é sempre ovacionado na Bombonera. Ano passado brilhou com gols importantes contra o Palmeiras e nas finais contra o River. Já Carlitos, apesar de lutar pela titularidade, vive um ano especial. Aos 35 anos, garantiu que é sua última temporada no futebol e seu grande desejo como torcedor, jogador e símbolo, é conquistar mais uma Libertadores (foi campeão em 2003). Outro que vem se destacando é Mauro Zárate. O craque não teve minutos na final do ano passado e sabe que nesta edição pode ser fundamental, já que vem fazendo gols e sendo o principal jogador de 2019.

Do atual elenco, apenas três sabem o que é conquistar a Libertadores: Tévez (Boca em 2003) e Julio Buffarini e Emmanuel Mas (ambos pelo San Lorenzo em 2014). Os demais buscarão pela primeira vez essa coroa que o Boca se mal acostumou a ganhar na década de 2000 e não vence há 12 anos.

Após o insucesso contra o River no Bernabéu e falta de resultados, Guillermo Barros Schelotto deixou o time xeneize para migrar ao futebol dos Estados Unidos. Em seu lugar, Gustavo Alfaro ex-Huracán assumiu o cargo. O novo técnico já dirigiu San Lorenzo, Rosário Central, Al-Ahli e Gimnasia. Seus títulos foram sob comando do Arsenal (Supercopa Argentina 2012, Copa Argentina 2013 e Sul-Americana 2007).

 

ROSÁRIO CENTRAL

 

Rosário Central conquistou a Copa Argentina em 2018

Onze dias após sua estreia como técnico de uma equipe profissional, Paulo Ferrari se tornará o oitavo treinador do Rosário Central na Copa Libertadores. Edgardo Bauza foi substituído pelo ex lateral-direito, que atuou como coordenador das categorias de base do clube. A partida prematura de Bauza – após o título da Copa da Argentina e um desempenho ruim na Superliga – levou a diretoria a apostar em um homem de 37 anos que se aposentou em junho do ano passado.

Germán Herrera, arma da casa, é referência dos “canallas”. Aos 35 anos, não tem mais Ruben ao seu lado (foi para o Atlético Paranaense), mas segue sendo um dos mais decisivos, como na recente Copa Argentina, na qual jogou três partidas como titular e marcou quatro gols. Néstor Ortigoza, de inesgotável talento, é líder dentro de campo, dono da camisa 10 e de uma experiência e hierarquia que o fazem jogar em qualquer estádio do continente.

O time de Rosário está no grupo H e enfrentará Grêmio, Libertad e U. Católica. Contra os gaúchos tem duas vitórias em seu história: 1 a 0 no Brasil e 3 a 0 como mandante pelas oitavas de 2016. É sua décima terceira participação na Libertadores. Teve melhor atuação em 2001, com Bauza como técnico, quando perdeu na semifinal para o Corinthians. A última edição que disputou foi em 2016: chegou às quartas de final.

 

CONFRONTOS

05/03 – Godoy Cruz x Olimpia (19h15)

05/03 – FBC Melgar x San Lorenzo (19h15)

05/03 – J. Wilstermann x Boca Juniors (21h30)

06/03 – Alianza Lima x River Plate (21h30)

06/03 – Rosário Central x Grêmio (21h30)

07/03 – Huracán x Cruzeiro (19h00)



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Autora

Stephany Afonso

Tem 21 anos e está no LANCE! desde a grande final entre Boca Juniors e River Plate na Copa Libertadores. Atualmente reside em Buenos Aires e vive a essência do futebol argentino na pele. Estudou na Universidad de Buenos Aires (UBA), cobriu a Copa do Mundo Rússia pelo Yahoo e coleciona participações na Rádio Jovem Pan e TV+ABC.

blog.stephanyafonso@gmail.com

@steafonsoo