Treinador mais vitorioso, Marcelo Gallardo completa cinco anos no River Plate - Toco y me voy

Treinador mais vitorioso, Marcelo Gallardo completa cinco anos no River Plate



Com a conquista da Recopa, Marcelo Gallardo se tornou o treinador que mais conquistou títulos na história do River Plate

Grandes histórias muitas vezes começam com eventos insignificantes e aleatórios, embora possam ser devido aos caprichos do destino ou à uma misteriosa sincronia organizada por um marionetista universal. É por conta disso (ou por algum outro desígnio) que o mundo River deve muito a Ramón Díaz. Além de seus nove títulos como treinador, o “riojano” realizou uma contribuição fundamental – embora involuntária – para o clube de seus amores: renunciou o cargo a tempo para Marcelo Gallardo se tornar seu sucessor.

Se “pelado” tivesse adiado mais dois dias a sua saída – depois de conquistar os títulos do Torneio Final e da Superfinal de 2014 -, se não tivesse feito uma coletiva de despedida no mesmo dia em que Gallardo se reuniu com os dirigentes do Newell’s, motivando a comunicação urgente de Enzo Francescoli, nada do que veio depois teria acontecido.

Após trinta campeonatos disputados, dez voltas olímpicas e treze finais em apenas cinco anos, Gallardo quebrou todos os recordes e marca história como um dos ídolos mais especiais do millonário. Durante seu ciclo, utilizou oitenta e sete jogadores, revelou trinta promessas e foi o principal motor de um investimento de milhões de dólares num projeto que envolveu a remodelação e modernização do centro de treinamento da equipe.

“Napoleón” é o treinador que passou mais tempo no clube, feito que nenhum comandante sul-americano conseguiu nas últimas décadas – ressaltando que foi campeão todos os anos como comandante do River Plate -. Em 258 jogos acumulou 133 vitórias, 52 derrotas e 73 empates. Gallardo está a dezoito apresentações de alcançar os 276 duelos de Renato Cesarini e, assim, tornar-se o quinto técnico com mais partidas disputadas pelo River Plate: atrás de Ángel Labruna, José Maria Minella, Ramón Díaz e Daniel Passarella.

Nestes anos, “Muñeco” conquistou o território inimigo sempre que teve a oportunidade: o Boca Juniors foi sua vítima na Sul-Americana de 2014, Libertadores 15 e 18, e Supercopa 18. A ode a Gallardo não tem ponto final, embora, sem dúvida, sua estrofe mais inspirada já tenha sido escrita no dia 9 de dezembro passado. Nas palavras do jornalista Diego Iglesias: “A final de Madrid foi a chance de apagar a série B”. E Gallardo conseguiu.  Mesmo não podendo dirigir a equipe do banco de reservas, sua equipe refletiu exatamente o brilho que vem exibindo desde sua chegada.

Gallardo conquistou ao menos um título em cada ano como treinador do River

Marcelo nasceu em Merlo, cidade da província de San Luis. Sonhava em ser piloto de avião até que foi por acaso a um teste da equipe millonária com dois amigos. Com 12 anos revelava ao mundo um craque em potência. Foi aceito pelo clube e todos os dias precisava viajar duas horas para chegar até o centro de treinamento com apenas dois pesos por dia. Quando sentia fome, acabava gastando o dinheiro e precisava ser criativo para conseguir voltar para casa. Com 17 anos, estreou na equipe principal e em seis temporadas de futebol profissional conquistou: quatro torneios Apertura, um Clausura, uma Libertadores e uma Sul-Americana. Saiu em 1999, indo para o Mônaco, sua primeira vez na Europa, onde deu de cara com o treinador Didier Deschamps, atual campeão mundial dirigindo a seleção da França.

Era artista da bola com o 10 nas costas, passou também pelo francês PSG e foi campeão em épocas seguidas pelo Nacional, como jogador e técnico. A história se repete no River, onde foi um dos jogadores mais destacados na década de 90, teve três passagens pela equipe e coleciona oito títulos com a camisa millonária, sendo um deles a Copa Libertadores de 1996.

Gallardo pertenceu à fila sem fim dos camisas 10 destros da Argentina, que buscavam assumir a dinastia deixada pelo pé esquerdo de Maradona. Era um jogador de cabeça levantada e bola colada no pé que transformava qualquer cobrança de falta num pênalti com barreira. Mas também era aquele rebelde que surgia em primeiro plano nas maiores confusões em campo, principalmente nos clássicos contra o Boca Juniors, como quando deu um soco no rosto do goleiro Pato Abbondanzieri em 2004. Hoje, aos 42 anos, reinventou-se. Poliu os excessos mantendo os traços originais mais selvagens que o conduziram ao estrelado. Com isso, tornou-se um dos maiores campeões do River Plate, dentro e fora de campo, e o principal treinador argentino de 2018, após conquistar a maior taça Libertadores de todos os tempos.

“El Muñeco” conquistou a Copa Libertadores como jogador e técnico pelo time millonário

É o primeiro a chegar ao centro de treinamento da equipe e o último a sair. Aos finais de semana, quando o River não joga, Gallardo está na tribuna do Monumental como um espectador em todos os encontros das diferentes categorias de formação do clube. Em sua planilha, carrega uma lista com 57 nomes e seus respectivos aniversários, dos jogadores aos médicos, da equipe técnica aos massagistas, dos roupeiros aos cozinheiros e seguranças. Para ele todos são família. Não abdica dessa filosofia de que todos ganham juntos, mas chama para si as responsabilidades do insucesso, porque dentro de qualquer família há sempre o patriarca. Em 2015, quando conquistou a primeira Libertadores pelo River como treinador, o ex-volante havia perdido a mãe dias antes da conquista. Desde então, adotou o clube como família.

O técnico é conhecido por ler muito nos tempos livres. Recentemente, contou ao Infobae, site de notícias argentino – que se apaixonou pela biografia de Pep Guardiola, que explica alguns dos segredos da construção do tiki-taka do Barcelona antes de dirigir o Bayer e, mais tarde, o Manchester City. Alguns desses traços foram implantados por ele no River, como o jogo ofensivo na velocidade de circulação e pressão alta para recuperar a bola em terrenos mais avançados. Marcelo Bielsa, “el loco”, é outra das suas grandes referências como treinador.

Seu contrato com a equipe millonária tem validade até dezembro de 2021. Muito se fala sobre sua possível ida à Seleção Argentina ou para algum clube Europeu. Rodolfo D’Onofrio, presidente do River Plate, assegurou que o vínculo de Marcelo Gallardo será renovado.

 

Títulos de Gallardo como treinador do River Plate:

Copa Sul-Americana 2014
Recopa 2015
Copa Libertadores 2015
Suruga Bank 2015
Recopa 2016
Copa Argentina 2016
Copa Argentina 2017
Supercopa Argentina 2018
Copa Libertadores 2018



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