Tévez tem titularidade ameaçada em último ano de carreira - Toco y me voy

Tévez tem titularidade ameaçada em último ano de carreira



(Foto: Divulgação)

Não é o Carlitos de 2003, nem mesmo o do Corinthians, Manchester ou Juventus. Dono de um ofício, símbolo de protagonismo e apelidado por Sorín como o “capitão da vida”, ninguém carrega um espírito vencedor com o de Tévez. No mundo Boca, sonham com que volte a ser o de antes. O jogador emblemático de 2015/16 e, muito mais, o de seu início de carreira.

Com 35 anos, Tévez anunciou que não continuaria no Boca Juniors se os irmãos Barrios Schelotto seguissem no comando da equipe. O novo técnico, Gustavo Alfaro, chegou para viver sua primeira experiencia em um clube tão popular como o da Bombonera com a ideia de ter Carlitos ao lado. Em sua primeira coletiva reverenciou o “jogador do povo”. Avisou que Tévez seria titular e logo depois anunciaram que o ídolo voltaria a vestir a histórica camisa 10. O cenário parecia favorável, mas não foi desta maneira que a temporada seguiu.

O desgaste físico e o número de atacantes em boa fase, donos de uma velocidade que é a identidade xeneize, fizeram com que Tévez ocupasse o banco de reservas. Seu rendimento abaixo das expectativas de Alfaro fez com que a estrela disputasse titularidade com Mauro Zárate, ex-Vélez, um craque mais atual que segue dando mostras de que quer ser titular. O funcionamento da equipe com Zárate no ataque ganhou mais velocidade e precisão. O atacante deu maior mobilidade, algo que Tévez não pode gerar. Além do mais, é o jogador que mais deu assistências no time xeneize e um dos que possui maior rendimento. No último final de semana, foi autor de um belíssimo gol de falta.

A alternativa de que joguem juntos traria um problema ao treinador já que também deveria modificar o esquema tático. Se Tévez e Zárate jogam juntos, o que ocorreria com Pavón? E a possível “dupla de 9” com Darío Benedetto e Ábila? Benedetto com dois anos e meio no clube mas sem títulos internacionais, vem dando as caras com personalidade e gols, sobretudo com boas atuações na Libertadores do ano passado. Após Fernando Gago deixar a equipe de La Boca, Darío não precisou da faixa de capitão para que hoje o “hincha” o veja como um líder e símbolo intocável. Com Tévez, não há a mesma paixão de sempre.

No final do ano vence seu contrato com o Boca, o jogador de Apache pendurará as chuteiras depois de dezoito anos de carreira. Porém, com 26 troféus em sua galeria pessoal, busca por mais. Desde a temporada passada, o argentino ressalta que quer dar adeus ao futebol levantando mais uma Taça Libertadores com a camisa azul e ouro. Esse também é um dos motivos de não ter se aposentado antes. No entanto, não espera vivenciar a possível conquista do banco de reservas. Carlitos terá até março, quando o time xeneize estreia na máxima competição continental, para provar que merece a titularidade em seu último ano como jogador.

A VOLTA DA CAMISA 10

A 10 do Boca Juniors é a camisa emblemática de Maradona e Riquelme. Tévez herdou o número que pertencia a Lodeiro, em seu regresso pós Itália numa festa que lotou a Bombonera para sua apresentação. Carlitos brincou com a bola, cumprimentou as arquibancadas e beijou o gramado diante do setor popular, onde está a barra brava da equipe. Nas tribunas em seu apoio estava Maradona, que torcia por sua volta. Esse Carlos Tévez é o que voltou no melhor momento de sua carreira, logo de ter chegado à final da Champions com a Juventus, e que terminou 2016 vencendo o River no Monumental, o dia em que o Boca agarrou a ponta do campeonato para permanecer neste posto por toda temporada.

Neste ano, após saída de Cardona que carregava o 10 nas costas, o presidente Daniel Angelici definiu que o número seria novamente repassado a Tévez. A camisa mais importante será novamente sua e o desejo é que venha acompanhada de maior confiança e protagonismo, após um ano de menos rodagem do que era esperado. O argentino se viu mais tempo entre os reservas do que dentro de campo como titular. Foi difícil adaptar-se após sua volta do futebol chinês, onde também não viveu sua melhor temporada. Quando sentiu que estava pronto, Guillermo, treinador da equipe em 2018, não via o mesmo.

A camisa 32 e 23 foram vestidas por ele em segundo plano. Por uma decisão própria, anunciada quando voltou do Shangai Shenhua. Não queria a responsabilidade de vestir a 10 e a deixou para Cardona. Também não queria a faixa de capitão. E muito menos, nos temas extra futebolísticos no qual havia se involucrado em seu regresso anterior em 2015. Este Carlos Tévez dizia estar mais relaxado e que só queria disfrutar o clube que amava.

O “jogador do povo” tem história nos gramados, mas, entre um jogador muito bom e um craque, existem algumas virtudes que não são compradas. O futebol é dinâmico, é visceralmente atravessado por confiança e liderança. Jogadores como Carlitos, são imunes ao medo e movidos pelo coração, uma qualidade que nem todos os jogadores têm. Os fanáticos gostam dessas atitudes, mas cobram sua melhor forma. A garra não se negocia no Boca e isso fala muito do que hoje representa Tévez para os xeneizes.



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