Suspense de Messi gera dúvidas sobre retorno à seleção argentina - Toco y me voy

Suspense de Messi gera dúvidas sobre retorno à seleção argentina



(Foto: JOHN MACDOUGALL/AFP)

A Argentina dirigida por Jorge Sampaoli, iniciou 2018 com esperança de uma grande performance na Copa do Mundo. O que não aconteceu. A confiança começou a ser abalada nos amistosos prévios. O entusiasmo que gerou a sofrida classificação para o Mundial da Rússia não teve impacto no jogo e resultados. Sampaoli deixou o comando no final da competição e após um positivo interinato, Lionel Scaloni assumiu o cargo que não era desejado por nenhum treinador cobiçado pela Associação de Futebol Argentino. Além da eliminação nas oitavas de final contra a França, atual campeã do mundo, a seleção argentina e a AFA, no esportivo e institucional, tiveram um ano em que a improvisação rumou ao caos. Foi o fim da linha para uma geração que vestiu a camisa albiceleste durante anos. Já Lionel Messi, deixou a seleção em modo de descanso após um Mundial que trouxe fardo sobre suas costas. Carregar a ”culpa” de um fracasso o obrigou a optar pela ausencia no território que ainda não foi vitorioso.

 

Claudio Tapia sugeriu o retorno de Leo, embora seja uma decisão exclusiva do jogador. Apesar de terem se encontrado em Madrid na final da Copa Libertadores entre Boca Juniors e River Plate, foi um encontro fugaz em que o assunto não foi tratado em profundidade. “Leo nunca deixou a seleção e eu não tenho dúvidas de que, quando for convocado, ele voltará”, disse o presidente da AFA, que estava esperançoso no retorno do jogador. Messi, que está a 208 dias sem jogar pela seleção, já perdeu seis confrontos: Guatemala, Colombia, Iraque, Brasil e dois contra o México. O capitão do Barcelona, que havia declarado também em 2016 o “fim” de sua trajetória pelo conjunto nacional, prefere não falar com a imprensa sobre sua volta, e não se apressa, já que ainda não tem nada definido. Hoje tem outras prioridades esportivas. O primeiro semestre do ano é marcado por uma obsessão: conquistar a Champions League, uma taça indescritível desde 2015, quando começou o reinado do Real Madrid. Messi já a levantou em 2006, 2009, 2011 e 2015, mas necessita outra. Precisa interromper a hegemonia. Foi o que prometeu em seu discurso como capitão no início da temporada.

 

– Tenho uma relação com Messi e conversaremos para que volte em 2019. É uma conversa que tenho pendente. Para nós é muito importante contar com ele. Todos os treinadores querem dirigi-lo, e eu, ainda mais – expressou Scaloni, na última conferencia de imprensa realizada em 2018.
Com estilo de jogo vertical, dinamismo e de contra ataques rápidos, Scaloni busca encontrar o melhor modo de incluir Messi ao funcionamento da equipe, rompendo a ideia de uma seleção que dependa exclusivamente dos talentos do camisa 10 e jogue em função dele. Nos meios argentinos, um anseio já é expressado para a nova era da equipe nacional: que não seja uma seleção baseada em Messi, mas sim, uma seleção com Messi. Não deve mais ser o nazareno argentino carregando a cruz pesada em ascensão e solidão. Nem mesmo estarão “seus amigos” habituais, porque a renovação já está em andamento. Javier Mascherano e Lucas Biglia já deram adeus à seleção, e cada vez sobram menos jogadores históricos. Está claro que a mudança de gerações na Argentina será brusca. Sergio Aguero está fora dos planos de Scaloni, já que o treinador buscará dar rodagem a jogadores como Mauro Icardi, Lautaro Martínez e Paulo Dybala.

 

– Messi estará na próxima Copa América, tem vontade de ganhar algum título pela seleção, é o único que falta. Não sabemos o que ele pensa, mas por sua maneira de ser, deve estar ansioso para vestir a camisa albiceleste outra vez. É um jogador pulsante e desequilibrante, imprescindível para a Argentina e eu gostaria que ele conquistasse este título que falta, Leo merece – disse Julio Ricardo Villa, campeão da Copa do Mundo de 1978. Falar sobre Messi é algo que entusiasma o ex jogador da seleção dirigida por César Luis Menotti, e como integrante do grupo que pela primeira vez conquistou um Mundial para a Argentina, não evitou comparar aquele momento histórico ao da atual seleção, tendo como exemplo o rendimento distinto que apresenta Messi em relação ao explosivo goleador que é no Barcelona.

 

– Uma equipe não se pode armar de um dia para o outro, são necessários testes e Menotti naquela época conseguiu mudar a história do futebol argentino com um projeto de quatro anos que nos coroou campeões. Igual o título de 1986, com Carlos Bilardo como treinador. São conquistas que trouxeram hierarquia ao futebol argentino. Atualmente houve um retrocesso, a maioria dos jogadores estão no exterior e precisam viajar para a concentração, chegam cansados e se juntam dois ou três dias antes de um jogo, sem tempo para nada. No Barcelona Messi tem um tempo de trabalho, na Argentina um treinador não tem continuidade a muito tempo – ressaltou.

 

Em seu país, é exaltado por uns e contestado por outros. Muitos não o aceitam pelo simples fato de nunca ter jogado em solo nacional e por não brilhar na seleção como é feito todos os anos pelo Barcelona. A “pulga”, como é denominado, nunca levantou uma taça de Copa do Mundo. Nem sequer ganhou uma Copa América. The Best, o prêmio da FIFA que aponta o melhor jogador do ano, virou as costas para ele nas últimas três edições (Cristiano Ronaldo venceu duas vezes e Luka Modric venceu em 2018). No entanto, todos sabem, até mesmo os seus críticos mais duros, que Lionel Messi é o jogador mais brilhante que deu o século 21 e talvez seja – e mais discutível – o mais espetacular de todos os tempos. Ele, principalmente, levou a Argentina ao Mundial de 2018 (seus três gols no jogo decisivo contra o Equador foram o resumo ideal das últimas eliminatórias para o conjunto albiceleste). Com ele, a Argentina chegou a quatro finais e nunca pode comemorar (Copa América 2007, 2015 e 2016, Mundial 2014), no entanto, Messi foi campeão do Mundial Sub-20 em 2005 e dos Jogos Olímpicos de 2008.
Apesar de participar do fracasso argentino na Rússia e ter atuação muito contestada e criticada, Messi terminou o ano como o goleador máximo, com 51 gols. Dois de vantagem sobre Cristiano Ronaldo e nove sobre o terceiro, Robert Lewandowski. O craque terminou sua campanha com 48 gols pelo Barcelona, e quatro com a camisa albiceleste, quantidade que lhe permitiu recuperar o posto perdido para Harry Kane (56 gols) em 2017. Aos 31 anos, marcou mais de 50 vezes em oito dos últimos nove anos. Ficou abaixo dessa quantidade apenas em 2013, cuando marcou 45 gols em 47 partidas. Em 2012 se superou com 91 tentos (79 pelo Barcelona e 12 pela seleção argentina). Messi investe em fantasias para romper sistemas. Seu futebol não pode ser definido: tem que ser observado porque, sobretudo, melhora com os anos. Leo mudou a maneira como o jogo é visto para os seguidores do sucesso, para os que colocam o resultado sobre as virtudes e tentativas. Alterou o eixo da análise. Destrói o tempo. Com ele, não há perspectiva sem distância. Ninguém seria capaz de medir sua grandeza hoje e ninguém seria capaz de dizer o quanto sentiremos sua falta quando pendurar suas chuteiras.

 

A grande questão é óbvia: resta saber se a coroa o alcançará. Esse é o sonho que o “rei” ainda tem por cumprir. Para Messi ainda falta aquela foto, a da consagração, com um troféu nas mãos e a camisa albiceleste. O flash não saiu na Alemanha em 2006 (José Pekerman o deixou no banco na partida pelas quartas de final), ou na África do Sul em 2010, com Diego Maradona como técnico, nem no Brasil em 2014, onde esteve mais perto deste grande sonho, muito menos na Rússia em 2018. A Copa América, talvez, lhe dará alguns dos sorrisos que precisa: esteve perto nas finais de 2007, 2015 e 2016.

 

A seleção argentina já tem um segundo amistoso confirmado para março. Além do confronto contra a Venezuela no dia 22, no Estádio Wanda Metropolitano do Atlético de Madrid.  Outra partida será disputada no dia 26, com a República Checa no Stadio Dresden, do Dynamo Dresden, equipe que atua na segunda divisão alemã. Para ambos duelos, se espera com ansiedade a convocação e o “sim” de Lionel Messi.


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