O fim da peregrinação: San Lorenzo volta a Boedo - Toco y me voy

O fim da peregrinação: San Lorenzo volta a Boedo



O "Ciclón" comemorou seu retorno ao bairro com cerca de cem mil pessoas que invadiram o local onde voltarão a construir o estádio tomado pela ditadura em 1979

O “Velho Gasômetro” é um pedaço da história do futebol argentino. O San Lorenzo voltou pra casa e cerca de cem mil “corvos” se reuniram para celebrar a recuperação de suas terras. O ponto de partida dos festejos não poderia ser outro: a igreja do padre Lorenzo Massa, o homem que em 1908 concedeu um espaço da sua igreja para que crianças do bairro não jogassem futebol perto dos trilhos do trem. Com a ajuda do padre, no “quintal da igreja” o clube foi fundado. Hoje podemos entender o motivo pelo qual esses hinchas nunca perderam a fé.

No final da década de 70, o San Lorenzo foi obrigado a vender o Velho Gasômetro (símbolo de outra época, o Wembley portenho) ao governo militar. Depois, o Carrefour adquiriu o terreno para construir seu primeiro hipermercado no país.

Na etapa de Osvaldo Cacciatore como prefeito da cidade, ele advertiu o grande número de estádios localizados em Buenos Aires. De acordo com uma versão, San Lorenzo, Huracán e Vélez foram convidados a ter um único estádio. E como o Velho Gasômetro era antigo, feito de madeira e as entradas eram complexas em um bairro em crescimento, o clube foi pressionado, envolvido em dívidas e ordens de falência, a vender a terra.

A equipe estava passando por uma profunda crise e jogou, num mar de lágrimas, seu último jogo no Velho Gasómetro um empate sem gols contra o Boca Juniors, em 2 de dezembro de 1979.

Às 0 horas desta segunda-feira, 1 de julho, o clube novamente tomou posse formal da “Terra Santa”, onde se localizava o “Velho Gasômetro”. Torcedores fizeram uma °procissão” no local (Foto: Franco Fafasuli)

Enquanto o Ciclón voltava à primeira divisão (caiu em 1981) e seguia seu percurso por outros estádios, o governo aprovou a venda ao banco Mariva em troca de oito milhões de dólares. E o San Lorenzo aceitou a terra do que é hoje a Cidade Esportiva. Em 1994, já com Fernando Miele como presidente, o Novo Gasômetro foi inaugurado.

Desde então, movido pelo sentido de pertencer e pela paixão de bairro, marca do fanatismo argentino, os torcedores se mobilizaram para voltar ao seu lar, estrelando uma luta louvável, uma ode à identidade. Em 2008, por meio da Lei de Reparação Histórica, a instituição recuperou 4.500 metros quadrados do terreno. Mas a luta continuou, com a aquisição de propriedades perto da sede e o maior sonho: a busca pela restituição da propriedade que ocupava o hipermercado.

A Lei de Restituição Histórica foi impelida pela subcomissão do torcedor. Em 8 de março de 2012, mais de cem mil hinchas se reuniram na Plaza de Mayo para reivindicar suas terras. A gestão liderada por Matías Lammens e Marcelo Tinelli conseguiu o impulso decisivo: em 15 de novembro de 2012, saiu a Lei de Restituição Histórica. O clube pagou em parcelas a recompra do terreno e na última sextafeira assinou as escrituras.

-É o evento mais importante da história do San Lorenzo, pelo valor emocional, porque é o estádio onde meu pai costumava ir, mas também porque, em termos racionais, é o que colocará patrimonialmente o clube como um dos mais importantes da Argentina. Isso nos dá uma perspectiva imbatível de médio e longo prazo, é o toque final. Quando começamos (a luta), nos perguntaram se preferíamos voltar a Boedo ou ganhar a Copa Libertadores, e em sete anos conquistamos as duas coisas – as palavras do presidente Matías Lammens refletem o que os torcedores vivem em Boedo.



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