No futebol moderno, os detalhes ganham partidas - Toco y me voy

No futebol moderno, os detalhes ganham partidas



(Foto: AFP)

Não é fácil jogar entre linhas. São necessários dois tipos de jogadores: aquele que detecta espaços e se move para gerar um passe, mas também um jogador que apela à sua visão e leitura do jogo para encontrar as latitudes em que a bola pode ser jogada. Essas são as virtudes que permitem que uma equipe progrida no campo de jogo com garantias, sem dividir a bola ou recorrer ao duelo individual. Foi o que permitiu ao River Plate vencer o Boca Juniors no primeiro jogo da semifinal da Copa Libertadores. Na vitória por 2 a 0 com gols de Rafael Santos Borré e Nacho Fernández, o autor do segundo gol foi o grande protagonista.

Em aspectos táticos, estratégicos e até emocionais, o River voltou a ser superior ao Boca. Suas engrenagens empregam um mecanismo flexível, porque os jogadores interpretam um plano global, mas também têm a capacidade de detectar o que é melhor o tempo todo. É uma equipe detalhista. E no futebol moderno, os detalhes ganham partidas.

Uma pergunta sem resposta é por que os anos passam e o River tem jogadores melhores que o Boca. Talvez tenha a ver com o olhar de Gallardo, com o treinador que define a estratégia, com o sistema de jogo, com seus cinco anos de trabalho em Nuñez. No campo podemos ver a diferença. Hoje o River obriga outros a verem como se joga.

Alfaro caiu outra vez na armadilha de Soldano pela direita para marcar Casco. O expôs novamente numa função que não sabe realizar. O Boca gastou uma fortuna em reforços para inventar um centroavante a jogar de 8 em um dos jogos mais importantes do ano? Depois, existem níveis individuais que são mais por culpa própria. Bebelo Reynoso é um sujeito talentoso que apaixona nas práticas. No Monumental, não entendeu a temperatura de um clássico de semifinais de Copa. São essas noites que definem os jogadores de partidas importantes.

Colocar Bebelo no lugar de De Rossi fala de outra ambição. Não jogou apenas para deixar o gol de Andrada zerado. O estranho foi que, no segundo tempo, em vez de seguir com sua tática “alfarista”, optou por nomes ofensivos sem um plano. Uma equipe enorme como o Boca não pode apostar tudo em uma só jogada.

Já no final, os xeneizes acumularam atacantes com o objetivo de conseguir um gol pela qualidade individual. Mas não havia quem lhes fizesse chegar a bola. Tévez, Wanchope, Mauro Zárate – quem mais retrocedeu para buscar o jogo – e Eduardo Salvio não tinham ferramentas para desequilibrar, muito além do talento.

Weigandt, Lisandro López e Capaldo terminaram o jogo com problemas físicos. Antes saíram Soldano, Mac Allister e Reynoso, exaustos de tanto correr. A equipe de Gallardo exige em outro nível e com a pressão também desgasta até os defensores mais preparados.

Com o clássico 4-1-3-2, a equipe de Gallardo apostou em suas armas habituais. Conexões rápidas, saídas limpas a partir da linha de fundo, projeção constante dos laterais, posições alternadas sem referências, toques de primeira para avançar em velocidade e alta pressão para recuperar a bola o mais rápido possível. Assim, ele apresentou suas virtudes habituais para lidar com o ritmo do encontro ao seu gosto.

 

 

 



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