Jogadoras argentinas vivem luta histórica pela profissionalização no futebol - Toco y me voy

Jogadoras argentinas vivem luta histórica pela profissionalização no futebol



Dia histórico: em comemoração ao dia da mulher, time feminino do Boca Juniors jogou na Bombonera pela primeira vez e venceu o Lanús por 5 a 0

O futebol feminino cresce como a grama de um campo abandonado. Na Argentina, referência regional na luta pela paridade de gênero, a igualdade nas quatro linhas tem sido adiada pelos clubes. A luta pela profissionalização das jogadoras invadiu todos os estádios e protestos do país. O esporte tem cada vez mais aderentes mas a principal competição é amadora e a seleção recebe pouco apoio.

A alegação das atletas é clara: um salário para jogar. Atualmente, as jogadoras recebem apenas vales para refeição e transporte, com valores muito diferentes dependendo do clube e equilibrar os tempos entre o trabalho e o treinamento é uma odisseia. Algumas treinam sem almoço, outras chegam cansadas ​​depois de um árduo dia de trabalho e as exigências das equipes às vezes envolvem até quatro treinamentos por semana.

A luta começou com Macarena Sánchez, ex-jogadora do UAI Urquiza que criou movimentos exigindo reconhecimento como profissional. Macarena recebeu ameaças de morte após intimar seu clube para ser regularizada. Através deste “barulho”, a AFA definiu que implementará algumas medidas. Além de vestiários feitos para mulheres, também se iniciará a Copa Argentina feminina, que servirá para a inclusão das cidades do interior que não participam do torneio atual. Desde 2018, o futebol feminino na Argentina tem uma primeira divisão, com 16 clubes, e uma segunda, com 20. Todos são de Buenos Aires ou Rosário. As equipes do resto do país competem em ligas locais e estão excluídos de participar em competições internacionais.

Além da Macarena, a seleção argentina também lutou pela voz feminina. Após doze anos, o grupo alcançou a classificação para a Copa do Mundo da França, que inicia em junho deste ano. Com muito esforço e após protestar por melhores condições de trabalho, o conjunto voltará ao cenário internacional e terá como rivais a Inglaterra, o Japão e a Austrália.

O protesto foi realizado em setembro de 2017, quando a seleção voltou ao “trabalho” depois de dois anos sem treinador. A AFA também não havia cumprido com o pagamento dos vales: cerca de 140 pesos (14,00 reais) voltados para o transporte das jogadoras até o centro de treinamento (fora da capital), onde eram obrigadas a treinar no campo sintético. Também careciam de concentração e comodidade: nas poucas viagens que faziam para jogar amistosos, as integrantes do elenco precisavam dormir em ônibus para cumprir seus compromissos.

– Muitas vezes o valor do transporte público não dura até o fim do mês e preciso pedir ajuda aos meus pais para seguir mantendo este sonho de que um dia o futebol feminino, aqui na Argentina, possa ser um pouco melhor – contou Adriana Sachs, zagueira de 24 anos do UAI Urquiza, uma das quatro potências em atividade junto ao River Plate, Boca Juniors e San Loreno. Sachs é empregada de limpeza no clube que representa.

Nesta semana Claudio Tapia, presidente da AFA, anunciou que a instituição acompanhará economicamente os dezesseis clubes da primeira divisão feminina. No próximo sábado, serão anunciadas as demais reformulações e exigências para que a modalidade se torne potência no país.

“Las pibas solo quieren jugar a la pelota”



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