Conheça escola de futebol na Argentina para crianças com Down - Toco y me voy

Conheça escola de futebol na Argentina para crianças com Down



(Foto: Divulgação)


Pela falta de espaços esportivos para crianças com síndrome de Down, os graduados em psicologia Martín Finzi e Francisco Lanusse criaram a escola de futebol “Tirando Paredes”, que hoje tem sede no Club Atlético Atlanta, em Buenos Aires. O projeto começou em setembro de 2013 e o nome de batismo carrega significado especial: por um lado, derrubar um murro e romper com a limitação, por outro, uma metáfora futebolística, em função de passar a bola e buscar um retorno.

O objetivo inicial, que ainda continua sendo um objetivo primordial, era não apenas dar aulas de futebol para crianças que muitas vezes são excluídas dessas atividades em outras áreas, mas também proporcionar uma oportunidade de recreação, desenvolvimento, inclusão e promoção da autonomia em outros aspectos da vida cotidiana. O projeto iniciou com três professores e três alunos. Em cinco anos, o crescimento é notório: hoje o staff conta com sete docentes e quase quarenta alunos entre meninos e meninas divididos em dois grupos (de 7 a 13 anos e de 14 em diante).

– O maior mito com o qual nos encontramos é que havia muita gente que pensava que pessoas com síndrome de Down não podiam praticar esportes e, quando contávamos que queríamos abrir uma escola especializada, elas nos perguntavam se estávamos certos disso. Escolhemos o futebol porque nós gostamos, primeiro por este motivo. Depois de teorizar e pensar mais profundamente, escolhemos porque é um esporte coletivo. O futebol tem algo impressionante sobre como você se conecta com os outros e pensa sobre o que está fazendo – contou Francisco Lanusse, um dos fundadores da “Tirando Paredes”.

Um dos pilares da escola é conceber a atividade como um ensino de futebol convencional, sem fazer grandes adaptações. Toda sexta-feira pela tarde se repete a dinâmica na sede social do Atlanta: após chegar, o alunos formam um círculo junto aos professores para conversar sobre como foi a semana de cada um. Todos tem a oportunidade de falar e contar algo significativo que aconteceu com eles. Em seguida, há um aquecimento e uma série de exercícios técnicos (passe, definição e coordenação, entre outros). O momento mais esperado por todos é o do jogo e o dia termina com uma nova conversa em grupo.

Embora a aprendizagem da técnica e tática do futebol tenha um papel central nessa experiência de esporte inclusivo, sempre respeitando os tempos e os desejos de cada um dos participantes, a incorporação de valores também desempenha um papel fundamental. Companheirismo, o grupo acima das individualidades, o esporte como agente de saúde, o respeito ao próximo e o bem estar físico e emocional são algumas das diretrizes que se busca estimular nas crianças. Em cinco anos, os professores testemunharam o progresso dos alunos, alguns dos quais participaram sem faltas desde o início das atividades. O crescimento não é visto apenas no jogo, mas, ainda mais importante, no desenvolvimento diário e familiar.

– Alguns chegam cabisbaixos, não te olham nos olhos, morrem de vergonha de cumprimentar os colegas ou apenas falam com os professores porque estão acostumados a interagir com um adulto e com quem lhes facilite a fala. Há muitos avanços de personalidade, autoestima, motivação e interesse pelo outro. Muitas vezes, participar de uma aula é mais efetivo que um mês de terapia, ambos são necessários, mas vir aqui dá a eles um grau muito maior de autonomia e experiência do que uma sessão de terapia. Como as crianças fazem terapias o tempo todo, como fonoaudiologia, sofrem com um milhão de exigencias intelectuais e pouco tempo para se divertirem com os outros – disse Lanusse.

Atualmente, a “Tirando Paredes” organiza torneios internos a cada dois ou três meses para trabalhar no tema da competição, como ela influencia e como as crianças vivem. Os professores enfatizam que o importante não é ganhar, mas participar, se divertir e aceitar que, embora um dia seja marcado por derrotas, o próximo pode ser marcado por vitórias. Além do futebol, a escola realiza algumas atividades de recreação e permite que os alunos vivenciem outros tipos de experiências: ida ao teatro, visita aos treinamentos da Seleção Argentina, oportunidade de voluntariar em um festival de arquitetura e eventos internos como o “dia do amigo”, quando cada um pode convidar um amigo para a aula.

Desde a sua criação, o projeto tem sido visitado por jogadores profissionais, muitos dos quais jogam ou jogaram no Atlanta. A equipe profissional teve no ano passado um dia de integração com a escola. Os atletas presenciaram um treinamento habitual dos meninos, e posteriormente, os receberam dentro de campo. Atualmente, tanto os fundadores como os alunos possuem um sonho ainda maior: receber a visita de Lionel Messi.

– Acreditamos que parte da inclusão deve ser feita dentro de um clube. O Atlanta abriu as portas para nós e somos mais uma atividade dentro da instituição. Temos espaço e os meninos são sócios do clube. Nos casos em que eles não podem pagar pela taxa, recebem bolsas do time para realizarem as atividades – contou Lanusse.



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