Até mais!



Em um dia de 2001 comprei minha primeira mala de rodinha da vida para no dia seguinte pegar um avião para o Rio de Janeiro. Começaria a trabalhar no maior diário esportivo do país. Mudança de cidade, emprego novo.

Essa passagem pelo Rio de Janeiro que começou em 2001 me deu aprendizado, experiência, amigos para a vida inteira, hábitos que me orgulho (como o de não ter carro, por exemplo). Me deu até um casamento.

Comandei a edição carioca do LANCE! por onze anos, criei mais de 20 mil capas diferentes, editei uma infinidade de reportagens, cobri a Copa de 2006 na Alemanha, participei de um congresso de jornalismo na Índia, joguei futebol no estádio Vicente Calderón em Madri com Figo e Roberto Carlos. Trabalhei com muita gente competente. Alguns seguem no diário, outros foram para outros cantos.

Fui para uma outra casa da qual me orgulho muito (a ESPN) e voltei para São Paulo, um desejo antigo.

Mas segui ligado ao LANCE! como colunista. Nunca escrevi um livro, mas a angústia de escrever uma coluna posso garantir que é enorme. Qual tema tratar? Será que este assunto é a pauta mais importante? Será que este dado está certo? Será que este parágrafo está claro? Será que alguém vai ter paciência de ler isso aqui, em um mundo em que tempo é o bem mais precioso e ninguém quer gastá-lo se isso não valer muito a pena?

Esta é a minha última coluna no LANCE!. Não foi a mais difícil de escrever pelo assunto (escrever sobre experiências pessoais é muito mais fácil do que sobre esporte). Mas teve a dificuldade enorme que uma despedida tem. E eu sou péssimo para dizer tchau.

Lembro bem do meu último dia como editor-executivo. Fui à sala do publisher Walter de Mattos Júnior para ter com ele a pior conversa possível: tinha chegado a hora de ir embora. Chorei. Isso aconteceu na mesma sala em que tive outras centenas de papos, alguns duros, outros incríveis. Mas qualquer tipo de conversa naquele ambiente tinha um padrão: a sensação de ter aprendido alguma coisa assim que saía dali e voltava para a redação.

Minha relação com o LANCE! é tão especial que outro dia, quando me reuni com diretores da empresa para falar sobre o fim da minha coluna, foi um dia delicioso. Um almoço descontraído, conversa interessante. Foi muito mais um encontro de bons amigos do que um protocolo de desligamento. Quando ouvi de um deles que ele trazia uma notícia “ruim” (e eu já sabia do que se tratava), nem consegui enxergar assim.

Caro leitor, peço desculpas por gastar este espaço precioso para falar de mim em vez de falar da eliminação do Flamengo, da classificação do Cruzeiro, do Felipe Mello, da queda do Corinthians ou do Brasileiro que está pegando fogo. Mas acho que é compreensível e o momento exigia.

Pra falar a verdade, ainda não consigo encarar isso como uma despedida. De alguma forma sempre farei parte desse time mesmo que seja na arquibancada.
LANCE!, obrigado por tudo.



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