Bem-vindo à Seleção, Tite!



Assim que o árbitro apitou pela última vez na partida contra a Bélgica na Copa da Rússia, um novo cenário se colocou diante de Tite. Saiu de campo o treinador infalível que comandou um projeto “perfeito” e “salvou” o Brasil, entrou em campo a possibilidade de um trabalho de longo prazo que tem chances até de ser melhor do que o realizado até agora.

A cortina se fechou para sempre em um palco que tinha a maior derrota futebolística da história (o 7 a 1) e um péssimo trabalho de Dunga, que quase impediu a presença da Seleção na Rússia.

Por mais que o trabalho de Tite possa ser elogiado, a avaliação dele teve a imensa colaboração destes dois eventos: o 7 a 1 e a segunda passagem de Dunga. Em qualquer análise, estas duas tragédias entraram na balança. Depois de um 7 a 1, qualquer coisa é melhor.

A ponto de uma eliminação brasileira nas quartas-de-final de uma Copa do Mundo ser classificada como “boa” campanha. Em qualquer outro cenário histórico, cair nesta fase da competição nunca seria melhor do que razoável. Com boa vontade.

Até outro dia o brasileiro via com uma certa dose de exotismo e por um ângulo superior seleções que voltavam para casa eliminadas e eram recebidas com aplausos nos seus países. Foi isso o que aconteceu quando Tite e alguns jogadores pousaram no Brasil domingo. Deveriam ser recebidos com pedradas? Claro que não. Mas por que exatamente merecem aplausos se não pelo fato de que não foram humilhados como foram quatro anos atrás?

Tite ainda vai decidir se aceita continuar no comando da Seleção. Todo mundo espera que sim, inclusive eu. É o melhor treinador brasileiro disparado, é inquieto, aprende com erros (não parece, mas eles aconteceram na Rússia). Tem boa chance de ir bem.

Mas a base de comparação agora será outra. Ele vai precisar fazer muito mais do que Felipão e Dunga. E não apenas mais. Subindo um pouco o sarrafo: ele terá de fazer mais do que ele mesmo fez até aqui.

Suas convocações serão olhadas com mais rigor, o comportamento da principal estrela da companhia será cobrado… Se nas próximas competições que participar, Tite for surpreendido pela estratégia do treinador rival em 40% dos jogos, isso deverá ser falado. Foi isso o que aconteceu na Rússia: México e Bélgica criaram dificuldades grandes para o Brasil, mas relevamos. Afinal, viemos de um 7 a 1.

A maior tragédia futebolística da história levou nosso futebol a uma espécie de pré-sal do prestígio e respeito. Por mais que seja impossível esquecê-la, precisamos dar os passos necessários adiante. Aquele jogo não pode mais ser base de comparação.

Depois dela já tivemos Dunga e Tite, que conseguiu recuperar nossa força e respeito, até um certo nível. O desafio agora é outro e o treinador brasileiro tem de estar preparado para um novo cenário. Neste novo cenário, fracassos não serão recebidos com palmas, coletivas pós-derrota não serão um pedido para que o treinador permaneça pelo amor de Deus, erros de preparação e de estratégia serão olhados com uma lupa mais poderosa.

Bem-vindo à Seleção Brasileira, Tite!



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