Evolução



Neymar começou muito mal a Copa do Mundo. Fora de forma, irritado, individualista. Não evoluiu quase nada na segunda partida. Na terceira, já em melhor forma, fez seu melhor jogo até então. Ontem, contra o México, teve a sua melhor atuação nesta Copa do Mundo.

Na véspera do jogo Tite avisou: o principal jogador do Brasil estava livre das dores e no máximo de sua forma física e técnica. Em campo, ele mostrou tudo isso com gol, jogo coletivo e brilho individual.

A melhor notícia que o Brasil poderia ter nesta Copa do Mundo até aqui já existe: Neymar e o Brasil estão evoluindo juntos. Se o craque brilhou ontem, o time foi o melhor que se viu do Brasil desde que a bola começou a rolar nos gramados da Rússia.

Mas não é só Neymar. Willian fez uma partida brilhante, atuando pelos dois lados do campo, abrindo espaços, criando jogadas. Os dois laterais, que eram considerados reservas quando a Copa começou, estão dando conta do recado com serenidade. Ontem, Fágner calou os críticos com boa atuação, tirando os primeiros minutos iniciais em que o México foi melhor no jogo.

Chegamos a Tite. Ele também teve a sua melhor atuação nesta Copa do Mundo até aqui. Se contra a Costa Rica suas mudanças funcionaram meio na base do abafa, ontem ele transformou um jogo que começou complicado. Tirou Willian de uma posição, liberou Neymar para atuar em uma faixa maior do campo. As mudanças demoliram o ímpeto mexicano e a vitória chegou, sem facilidade, mas com uma boa dose de segurança.

Gabriel Jesus virou um ponto de discussão. Não tem entregado o que se espera de um centroavante porque não tem feito gols. Em compensação, tem feito um trabalho tático importante. Ontem, se sacrificou pelo funcionamento do time. Marcou pelo lado do campo, desarmou e contribuiu de sua forma.

Claro que quando Firmino entra e faz um gol, a pulga fica atrás da orelha do torcedor brasileiro. Por que não mudar? Toda escolha significa uma perda: já sabemos o que Jesus entrega para a Seleção. É possível que Firmino entregue o mesmo e ainda mais, com boa atuação ofensiva como a que sempre demonstrou no Liverpool e mesmo na Seleção.

Mas estamos falando da teoria. Tite nunca se caracterizou por ser um treinador inquieto na escalação de seus times. Conservador à sua maneira, gosta da repetição e a utiliza como arma. Trocar um atacante seria algo fora da curva na sua trajetória.

Outro ponto indica que não haverá mudanças. Todos os jogadores que Tite insistiu responderam positivamente em algum momento. Paulinho contra a Sérvia, por exemplo, quando fez o gol que abriu o caminho da vitória brasileira.

Coutinho, que era o principal nome brasileiro, ontem foi discreto. Se tem jeito de má notícia, pode não ser. Se o olhar for para o seguinte sentido: Coutinho discreto não atrapalhou o desempenho do Brasil. Foi o dia de Willian e Neymar brilharem.

Esta é uma questão importante no time brasileiro e que não pode ser descartada: a quantidade de bons jogadores que podem brilhar em diferentes jogos.

Até sexta-feira, o clima será de tranquilidade. As coisas estão melhorando. Mas estamos falando de uma Copa do Mundo em que tudo pode ir para o buraco em dez minutos de mau futebol. O Brasil já teve alguns minutos assim.



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