Chamem o Super Tite



Exceto uma ou outra mudança na convocação, o que você, caro leitor, mudaria na preparação da Seleção Brasileira? Aposto que quase nada.

Foi formado um dream team da área. O melhor treinador, assessorado pelos melhores sujeitos cada um em seu departamento. Todo mundo se mudou para o Rio de Janeiro para ficar perto da CBF. A estrutura da Granja Comary foi reformada. A sequência da preparação em Londres seguiu na mesma linha e deu tudo certo. Os amistosos foram escolhidos a dedo, priorizando este ou aquele adversário dependendo do tipo de jogo que Tite gostaria de confrontar e que poderia aparecer na Copa.

Além disso, os times de análise de desempenho dos principais clubes do país fizeram uma espécie de mutirão para investigar todos os detalhes dos adversários na Copa. Um trabalho caprichado e muito bem feito.

As eliminatórias com Tite no comando foram perfeitas. O time saiu do risco de eliminação para a classificação em um estalo. Sem sobressaltos. Chegou até a Copa sem Daniel Alves, é verdade, e com Neymar um pouco fora da forma ideal por conta da contusão no pé.

Diante de tamanho cronograma executado a perfeição, era quase impossível imaginar que o Brasil chegaria no seu terceiro jogo da primeira fase na situação em que se encontra, sob risco (pequeno é verdade, mas vivo) de eliminação.

Esta é a situação mais enroscada que a Seleção Brasileira vive numa primeira fase de Copa desde 1974, quando empatou os dois primeiros jogos e precisava de uma vitória contra o Zaire na última rodada. Acabou acontecendo.

Quando tudo é feito da maneira correta e mesmo assim não sai como o esperado, é a hora de chamar alguém acima do bem e do mal, que terá a palavra exata para controlar os ânimos e ao mesmo tempo injetar confiança no país. O nome dele é Tite.

O treinador brasileiro (o melhor disparado que temos por essas bandas) virou uma espécie de guru brasileiro. Um herói. O salvador que nos tirou do humilhante quinto lugar da tabela das eliminatórias para o hexa, em voo quase direto.

A publicidade brasileira é um bom retrato disso: em um time cheio de excelentes jogadores, carismáticos, famosos, com ótimas expressões, a figura que mais aparece em comerciais é a do comandante, sempre trazendo uma palavra ou um discurso que dá sentido a tudo, nos acalma e nos dá força para seguir em frente.

Assim, sobrou para o treinador a dura missão de: 1) montar um time competitivo mesmo com alguns dos jogadores do elenco machucados ou sem a plena condição física. 2) cuidar do temperamento do principal astro da companhia dentro de campo, Neymar. Cuidar para que nada que venha de fora interfira no seu emocional, cuidar para que os parças não atrapalhem nada e que o cabeleireiro não invente muito no próximo penteado.

Talvez seja muita coisa para um ser humano sem super-poderes. Mas como Tite foi alçado a uma outra categoria de ser vivo, é com ele que está toda esta responsabilidade pelo menos até a bola começar a rolar.

Se tudo correr bem o Brasil passar, alguns problemas permanecem, mas ao menos o nível do jogo poderá melhorar. Se ocorrer uma tragédia, cairemos na realidade: não existe super-herói.



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