O doping da confiança



Converse com algum esportista de qualquer modalidade e vai ouvir que em suas grandes conquistas houve um momento específico em que ele foi desafiado, passou pelo desafio e a partir daí uma injeção de confiança tomou conta da situação deixando o caminho até a glória menos difícil.

O tenista vai dizer que ter salvo cinco match points pavimentou o caminho de uma vitória. O nadador vai dizer que olhou ao lado e viu que seu principal rival estava perdendo força, o jogador de basquete vai dizer que aquela cesta improvável de três pontos derrubou o adversário. E o jogador de futebol vai contar que uma vitória em situação adversa deu tanta confiança para o time que a partir dali tudo passou a dar certo.

Quem participou da campanha do pentacampeonato com a Seleção costuma dizer que o jogo contra a Inglaterra foi este momento. O Brasil saiu perdendo, teve jogador expulso, mas virou e avançou para a semifinal da competição.

O são-paulino vai dizer que a vitória contra o River Plate na Libertadores de 2005 foi o combustível da conquista, assim como o corintiano vai falar sobre a disputa contra o Santos de Neymar no mesmo torneio em 2012.

O Brasileirão ainda não chegou nem na metade e nenhuma análise pode ser definitiva, mas dois jogos realizados no último fim de semana têm este potencial de “doping” por confiança.

No sábado o Palmeiras beirando uma crise encarou o São Paulo, último invicto do campeonato. Nunca na era Allianz Parque o Tricolor chegava para um jogo neste estádio com ambiente tão favorável. E o primeiro tempo reforçou as expectativas, com o time do Morumbi controlando a partida. A segunda etapa mostrou uma história totalmente diferente e do Palmeiras virou o placar em poucos minutos.

Pelo lado palmeirense, pode ter sido a vitória que acalma o ambiente e injeta a confiança que andava abalada. Para o São Paulo justamente o contrário: no jogo da afirmação, o time fraquejou. Remar em busca da retomada da confiança não será tarefa das mais simples.

Domingo, Flamengo e Corinthians se enfrentaram em um Maracanã cheio e festivo. Jogo duro, defesa do Corinthians segurando o empate, espetando o rival em alguns contra-ataques… O gol de Vizeu depois dos 30 minutos do segundo tempo deu a vitória ao Rubro-Negro, que ampliou sua distância na liderança para quatro pontos.

Este também era um jogo com potencial de dar confiança ao time. O Fla encarou o atual bicampeão paulista e campeão brasileiro, que mudou de treinador mas tenta manter sua forma vitoriosa de jogar. E conseguiu um triunfo sofrido, que veio pelo fato de o time não desistir e não perder a concentração em momento algum.

Vitórias como esta tem alto poder de confiança em qualquer equipe. Este placar é para ser lembrado pelos jogadores quando encararem outras pedreiras parecidas. Em contrapartida, a derrota são-paulina é daquelas que também virá à cabeça dos jogadores quando encararem outros jogos parecidos. “Da outra vez falhamos… é o que eles pensarão.”

O esporte é feito por imposição física, técnica e inteligência. E uma enorme dose de confiança, que alguns conseguem desenvolver e outros não.



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