Na forma da convocação, Inglaterra deu show. O Brasil segue careta.



Ao que tudo indica o que de melhor a Inglaterra produziu e produzirá na Copa do Mundo aconteceu na quarta-feira: o anúncio do time que vai a Rússia foi feito de uma maneira diferente e muito inovadora. Jovens torcedores do país inteiro filmados em situações cotidianas trouxeram cada um dos 23 nomes que vão para a Rússia. Tudo feito de maneira muito caprichada e cuidadosa, sabendo contemplar etnias, minorias, etc, etc… Assista ao vídeo neste link aqui. .

A lista dos 23 não agradou muito aos torcedores, que fizeram críticas pesadas nas mídias sociais. E a forma da apresentação acabou pagando o pato. Muita gente achando que o correto seria fazer uma coisa formal, treinador engravatado, a lista sendo lida e, ao fim, uma entrevista coletiva. Assim como foi feito ao longo da história no Brasil e que agora se repetiu com Tite e suas palavras messiânicas.

Quando a bola rolar será sobre o jogo que os holofotes estarão apontados. Mas fato é que a apresentação inovadora da seleção da Inglaterra fez um barulho danado. Está todo mundo falando sobre isso.

Não é a primeira vez que os ingleses trazem o universo pop de maneira inteligente para o futebol. Em 90, o New Order (banda das mais relevantes do mundo) criou a música oficial da seleção inglesa para a Copa. (assista ao vídeo neste link aqui. Em 96, uma música chiclete, que gruda na cabeça, embalou a campanha da Euro 96, disputada naquele país. Assista aqui.

Do lado de cá do Atlântico também temos ótimos exemplos de ideias interessantes relacionadas à Copa. O vídeo de publicidade argentina este ano é, de novo, dos mais emocionantes de se ver, fazendo uma provocação à Rússia careta de Putim. (Assista neste link.

O Brasil por outro lado, segue amarrado ao de sempre. A apresentação dos convocados foi novamente formal, engravatada, cheia de formalidades e enorme expectativa, flashes pipocando enquanto Tite falava… ok, mas não têm nada a ver com o Brasil e com o símbolo do futebol brasileiro de alegria, descontração e arte (mesmo que estas qualidades estejam longe de serem algo concreto hoje).

A publicidade brasileira, como sempre, é baseada toda no heroísmo e na superação. Como se jogar futebol fosse um martírio compensado com uma taça levantada ao final. Nada mais avesso da visão que o futebol brasileiro sempre teve de leveza e diversão.

Já passou da hora de o Brasil “desencaretar” em seus produtos relacionados ao futebol e à Seleção Brasileira. A forma como as coisas têm sido feitas no país neste aspecto transformam a coisa quase como em uma guerra, em que nossos soldados são enviados contra tudo e contra todos. Eles precisam provar com o suor da camisa e a máxima de que o ” brasileiro não desiste nunca” do que são capazes.

Menos. Lá fora, o futebol brasileiro ainda é visto como a expressão cultural da alegria do nosso povo. O encanto que ele provoca não tem relação com o sofrimento e a superação, mas com a ideia de que fazemos arte como quem chupa um picolé sem compromisso.



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