Chega de falar de arbitragem!



Todo mundo estava esfregando as mãos. Depois de meses de pasmaceira e jogos ruins, os estaduais acabaram e o Brasileiro começou. Campeonato sempre disputado, vários times brigando pelo título, uma dificuldade imensa de apontar favoritos e uma quase certeza de que arriscar um palpite é sinônimo de quebrar a cara.

A primeira rodada já foi bem interessante, com alguns ótimos jogos. Sim existem partidas muito boas no futebol brasileiro. O massacre do Atlético Paranaense mostrou o time de Fernando Diniz praticando um futebol envolvente e muito legal de se assistir. E a imensa vitória do Grêmio sobre o Cruzeiro no Mineirão também foi exemplo de bom futebol bem disputado e de alto nível.

Porém, este Campeonato Brasileiro tão aguardado por todo mundo está correndo um risco grande: o de ficar pautado rodada a rodada pelos erros de arbitragem.

Claro que não dá para ignorar totalmente que os juízes erraram e erraram feio já na largada. A partida do Flamengo foi um show de horrores, equívocos, insegurança… e terminou pautada pela péssima jornada do trio de preto.

Até agora estão discutindo se Rildo foi de fato empurrado no pênalti que deu a vitória ao Vasco contra o Atlético Mineiro. Os programa de TV, as mídias sociais, o boteco da esquina, o porteiro do prédio…todos têm uma pauta única: o juiz errou ou não errou? É esquema contra o meu time ou não é?

O VAR não será implantado, por uma mistura de incompetência e oportunismo da CBF, que nunca quis o sistema e empurrou custos absurdos para os clubes, que também recuaram. Cartolas preferem não brigar pelo auxílio eletrônico para poderem brigar em um microfone cada vez que um juiz prejudica seu time. Parece mais simples. A ausência do recurso é terreno fértil para que o apito seja sempre protagonista.

Fato é que essa raiva, essa necessidade de debater impedimentos milimétricos e transformá-los em um complô mundial contra este e a favor daquele contamina demais o ambiente do futebol.

A primeira rodada nos reservou alguns bons duelos, outros ruins. Mas o espaço para debater o jogo jogado ficou espremido entre um erro de arbitragem aqui e uma interferência indevida ali.

O Brasileiro já começou pilhado neste sentido depois da controversa final do Paulista, que rende assunto até hoje. Falou-se muito da interferência externa na arbitragem e quase nada sobre um time que vem empilhando títulos ano a ano jogando de uma mesma forma pragmática. Ou de outro que gastou uma fortuna e ainda não vê o resultado em campo.

Interessante como essa obsessão pela arbitragem não se manifesta ao se analisar jogos do futebol europeu, que estão na nossa TV ao longo de todo ano. Será que os árbitros de lá são tão melhores assim? Não creio. Mas ali é possível olhar partidas de times como o Manchester City, Barcelona ou Real Madrid e desfrutar do futebol. Erros acontecem, mas não ficamos reféns deles. Preferimos o jogo.

É possível assistir, desfrutar e falar de futebol brasileiro, desde que haja este desejo. Ou a gente toma essa atitude e começa a priorizar o jogo aqui ou teremos mais 37 rodadas falando muito de juiz e pouco de futebol.



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