Porque gostamos de Renato Gaúcho



A frase mais importante dita por Renato Gaúcho após a vitória do Grêmio contra o Monagas, quarta-feira, não teve nada a ver com a partida, vencida com facilidade.

Foi sobre o possível interesse do Flamengo nele. A resposta foi misteriosa: “domingo (após a final do Estadual) falarei sobre o assunto.”

Outro ponto também foi destaque. Na entrevista coletiva, ele falou sobre a preleção para a partida. Foi passado para os jogadores um vídeo. Não, não era um vídeo de como o rival entraria em campo, opções táticas, nem mesmo sobre o próprio Grêmio. Mas um arquivo do YouTube de um gol deleo, Renato, de bicicleta depois de um chapéu no adversário. A partida era de um campeonato carioca contra o América de Três Rios.

Espertíssimo, ele decidiu trazer a público o seu gol na mesma semana em que Cristiano Ronaldo fez um golaço de bicicleta nas quartas-de-final da Liga dos Campeões. Como se sabe, o treinador costuma dizer que jogou muito mais do que o português. Não é verdade, mas quem se importa? Nem ele mesmo.

Renato Gaúcho já está colocado entre os melhores treinadores do Brasil na atualidade. Com sua marra irresistível, é um dos caras mais carismáticos do futebol do país. E, além do temperamento, entrega bom futebol e resultados.

Ele ainda leva uma certa vantagem comunicativa sobre outros treinadores do Brasil. Não tem a pretensão e de certa forma trata com um certo desdém o discurso muito técnico. Como se treinar um time de futebol não demandasse estudo de detalhes, de métodos, de formas de lidar com pessoas… enfim, como se não fosse um grande esforço e como se ele tivesse todos os conceitos dentro de seu cérebro desde sempre. Como se treinar um time de futebol fosse como ter habilidade com a bolas nos pés.

Repare nas entrevistas de Renato. Mesmo quando questionado sobre questões técnicas da partida, suas respostas são sempre evasivas, explicam pouca coisa. Não que ele não tenha respostas. Mais provável é que não tenha muita paciência para falar sobre o assunto.

Isso é o ponto que faz do treinador do Grêmio uma figura tão interessante. Porque ele não faz nenhuma questão de erudição, prefere explicar tudo o que acontece em um campo de jogo na base da malandragem, pela sua vivência no futebol, sua autoconfiança sempre nas alturas. E isso cativa demais o torcedor, que se sente mais próximo do sujeito.

Por mais que questões táticas cada vez mais são determinantes na construção de um time, nem todo mundo está disposto a ir a fundo nelas. Muita gente prefere explicações de outra natureza, mais fatalistas como “o futebol é assim” ou “eu conheço futebol”.

Esta é a forma como Renato Gaúcho tem construído esta parte da sua carreira. De um treinador que trabalhava por empreitadas, saía dos clubes e passava tempos enormes curtindo a vida, ele se transformou em um dos caras mais desejados do futebol brasileiro.

Mas não se engane: não foi apenas o seu jeito boleirão que conquistou jogadores, crítica e torcedores. Foi a mistura do seu conhecimento, demonstrado no seu trabalho no Grêmio, com a simplicidade e despojamento de quem vai à praia de sunga e chinelo para bater um futevôlei.



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