Futebol é mais importante do que os cumprimentos



O São Paulo conseguiu domingo fazer o que poucos times tem conseguido e que ele mesmo tem enorme dificuldade para conseguir: venceu o Corinthians. Placar magro, 1 a 0, adversário com desfalques importantes (o principal dele, Rodriguinho, vetado no aquecimento), mas fato é que o Tricolor leva uma pequena vantagem para o confronto de volta, amanhã, em Itaquera.

Havia muito a se falar do jogo, das estratégias e, por fim, de como o São Paulo conseguiu fazer algo que tem sido tão difícil para ele, que é vencer um clássico. E como o Corinthians de Carille perdeu um jogo grande, algo pouco comum em sua trajetória como treinador. Mas o debate ficou por conta de um fato que aconteceu antes de a bola rolar: Diego Aguirre não cumprimentou o treinador do Corinthians.

Na abertura de sua entrevista coletiva após o jogo o treinador do Corinthians foi perguntado sobre o assunto e respondeu duro, dizendo que havia sido uma falta de respeito do rival e etc. Pronto. Foi a faísca necessária para que todo o debate sobre o jogo girasse em torno do não-cumprimento do treinador são-paulino.

Em tempo: jornalistas estão lá para perguntar o que for necessário. Esta era uma pergunta pertinente, mas não era o único assunto sobre a partida.

Aguirre tentou mudar o rumo da conversa e pediu para ser perguntado sobre o jogo. Algumas questões surgiram até que a história do não-cumprimento voltou à pauta.

A nova geração de treinadores que está começando a ganhar terreno no Brasil tem uma qualidade que sempre deve ser ressaltada: é uma turma que gosta de falar do jogo. De aspectos táticos, de estratégia, de pontos fortes, pontos fracos, treinamento… parece ser uma geração mais científica do que aquela que ainda resiste no Brasil, mas aos poucos está saindo de cena.

Há duas semanas o treinador do Corinthians esteve em um programa de TV e se sentiu muito à vontade, a ponto de ir ao quadro tático do estúdio e mostrar variação de jogadas, etc. Fora do ar, disse que tinha gostado muito de participar porque pode falar do que mais entende e do que mais gosta.

Domingo, no Morumbi, provavelmente incomodado com a derrota, Carille subiu o tom e deu uma relevância grande para algo menor do que o que aconteceu em campo. Pode ter sido o sangue ainda quente pelo revés, pode ter sido, ao contrário, a frieza de levar a conversa para um caminho distante do jogo, já que ele falava após uma derrota. Ou pode ainda ser simplesmente Carille sendo humano como todos somos.

Mas é fato que faltaram explicações de lado a lado. O que impossibilitou o São Paulo de conseguir mais um gol e ficar em situação mais confortável para a volta? O que faltou o Corinthians que não conseguiu empatar a partida, mesmo com o rival encolhido e aparentemente cansado no segundo tempo?
Amanhã os dois times se enfrentam novamente, desta vez em Itaquera, para decidir quem irá a final do Paulista. Para o bem do futebol, que Aguirre dê um abraço apertado em Carille antes da partida, que os dois se cumprimentem educadamente após o apito final e que, nos vestiários sobre mais espaço para se falar do jogo. Que é o que realmente mais importa.



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