O que o torcedor deseja



Se você perguntar para um grupo qualquer de torcedores o que eles desejam de seus times provavelmente vai ouvir o sonho de atuar como as equipes do Guardiola, ganhar o maior número de títulos possíveis e de quebra humilhar seus principais rivais em confrontos diretos.

Mas há um desejo dentro do coração de cada torcedor que nem sempre é expressado, mas nunca está ausente: o de ver o time se entregando em campo até seu limite. E dá para dizer que, na lista de prioridades, a entrega está em primeiro lugar entre as obrigações que um sujeito que está em casa ou no estádio acompanhando seu time quer de seus jogadores.

Esta semana, tivemos dois bons exemplos disso. Na quarta-feira, o Internacional entrou em campo com uma missão das mais ingratas: reverter uma vantagem de 3 a 0 que o Grêmio havia lhe imposto no fim de semana. Após a derrota acachapante no Olímpico domingo, colorados criticaram os jogadores, exigindo mais intensidade, vontade, etc.. Coube a D’Alessandro vir a público para tentar colocar as coisas no lugar. Disse que nunca faltou vontade, mas que o Inter é pior do que o Grêmio neste momento da história. Sinceridade como poucas vezes se viu. Aproveitou e devolveu a cobrança, dizendo que o torcedor de verdade tem de estar com o time na hora boa e na hora ruim.

Fim da história: o Colorado, mesmo com um time muito inferior ao rival Grêmio, venceu a partida por 2 a 0 no Beira-Rio. Não deixou o Tricolor jogar, dividiu todas as bolas, lutou até o último segundo. Resultado: saiu aplaudido de campo. A classificação não veio, mas o torcedor reconheceu que na lista de prioridades o seu time cumpriu a principal delas.

Terça-feira a missão do São Paulo não era tão ingrata, mas diante pela forma como aconteceu a derrota por 1 a 0 no jogo de ida para o São Caetano no Anacleto Campanella pelas quartas-de-final do Paulista, a confiança da torcida estava em baixa e as cobranças em alta. O Tricolor ficou bem longe de apresentar um futebol convincente no Morumbi, mas desde o primeiro minuto de jogo lutou para chegar à vitória. Foi premiado por uma falha do goleiro Paes que resultou no primeiro gol e aqui é possível analisar a situação de duas formas: a primeira pela falha em si. A segunda pela pressão na bola que fez Trellez. Pressão na bola, algo raro no time em muito tempo. Depois, Diego Souza fez o segundo gol que levou o time à classificação. Os 18 mil torcedores que enfrentaram um dilúvio na cidade para ir ao jogo se sentiram representados por quem estava em campo. Foi o suficiente para saírem aliviados ao menos do estádio.

Vontade, raça, etc… nem sempre é isso o que falta a um time de futebol quando ele não vence. Intensidade pode ser a palavra mais adequada. Só este ingrediente não é o suficiente para se chegar às vitórias. Mas sem ele o caminho da derrota é sempre o mais fácil de se seguir.

Inconscientemente a torcida parece perceber isso. E sempre vai cobrar o que ela chama de “amor à camisa”. Se sentir representado pelos caras que estão no campo é o que um torcedor quer em primeiro lugar. Sempre.



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