O Estadual destruído



O gol de barriga do Renato, o gol de falta de Pet, o cruzamento de letra de Leo Lima para a cabeçada de Souza, o gol de Dimba contra o Vasco…

Até outro dia mesmo o carioca batia no peito e dizia que tinha o estadual mais legal do Brasil. Em um momento em que já se discutia a fragilidade destes campeonatos, o tamanho q ele ocupava no calendário, a importância de um Brasileiro que ocupasse a maior parte do ano e, por fim, o olhar necessário para as competições internacionais, o torcedor do Rio de Janeiro ainda estava satisfeito com o que ele via no seu quintal.

Enquanto outros time focavam suas energias para a Libertadores, os cariocas estavam ali, satisfeitos com o seu torneio que, de fato, era o mais festivo do Brasil. Rivalidade grande, mas com aquela ginga e descontração cariocas. Maracanã lotado. E, não adianta, você pode ir em qualquer estádio do mundo e não verá a energia que o Maracanã lotado tinha. Possivelmente é a cidade que mais tem uma integração total com seu principal estádio em todo o planeta.

Aí chegamos aos dias de hoje. São Paulo viveu as emoções das quartas-de-final do seu estadual. Apenas o Palmeiras deixou a classificação bem encaminhada. Todos os outros pequenos complicaram para os rivais grandes. O Tricolor perdeu para o São Caetano, o Corinthians para o Bragantino e o Santos empatou com o Botafogo de Ribeirão Preto. Sobraram emoções para os jogos de volta.

No Rio Grande do Sul teve Gre-Nal e outra sapatada do Grêmio no Inter. Estádio cheio, rivalidade no limite. Em Minas Cruzeiro e Galo se enfrentaram recentemente também com casa cheia.

No Rio também tivemos clássico no fim de semana, que ficou marcado muito mais pela contusão séria do botafoguense João Paulo após solada de Rildo do que exatamente pelos gols. E não foram poucos, o Vasco venceu por 3 a 2. 10.978 pagantes foi o público. Considerando outros clássicos do Estado, foi considerado bom.

Há um desinteresse gigantesco pelo estadual do Rio, na contramão do que sempre foi este campeonato para os cariocas. O regulamento é tão confuso que se torna quase impossível entendê-lo. O maior exemplo disso foi uma tuitada no perfil oficial do Boavista que dizia o seguinte:

“Esse regulamento é tão louco que já me despedi umas duas vezes da competição aqui no Twitter e ainda há chances.”

As semifinais da Taça Rio começam no meio da semana e teremos dois clássicos: Vasco x Botafogo e Fluminense x Flamengo. Menos mal que os dois jogos serão no Engenhão. Nada de Cariacica, Arena Pantanal ou Volta Redonda. O Maracanã, que sempre serviu como um gigantesco motivo para se ir aos jogos no Rio, não será utilizado nesta fase mais uma vez.

Talvez seja o momento que finalmente o torneio caia no gosto do torcedor carioca, com dois clássicos, os grandes medindo forças.

Caso isso não aconteça e os jogos forem parecidos com tudo o que aconteceu no estadual este ano, teremos a materialização de um feito que precisa ser registrado. Os cartolas cariocas tinham em mãos algo raro, um estadual que os torcedores gostavam e valorizavam muito. Conseguiram fazer com que ele se transformasse num torneio constrangedor.



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