O maior desafio de Raí até aqui



No embate entre Cueva e o São Paulo, semanas atrás, coube a Raí papel de destaque. Foi ele quem costurou a reaproximação entre clube e jogador e impediu que alguma figura mais intempestiva mandasse o sujeito embora. O peruano pediu desculpas por sua postagem desastrada no Instagram, amargou uns dias de geladeira no CT sem ser relacionado para jogos, voltou a conviver com o elenco e, por fim, voltou a entrar em campo.

Foi o primeiro grande teste para o homem-forte do futebol tricolor e o ídolo foi muito bem.

O segundo grande desafio, bem maior, bate à porta de Raí neste momento. A situação é a seguinte: ele, no comando da diretoria de futebol, entende que Dorival Júnior precisa de mais tempo para trabalhar, confia no trabalho do treinador e, portanto, defende sua permanência no clube. Ocorre que pelos lados do Morumbi não se pensa assim. Conselheiros querem a saída imediata do técnico, entendendo que ele foi incapaz de fazer funcionar um time que foi brindado com bons reforços.

Aqui vale um parênteses: o São Paulo perdeu Hernanes e Pratto e para seus lugares a diretoria contratou Diego Souza e Nenê. Sem falar am Anderson Martins e Jean (goleiro), que nem titular tem sido. São tipos de jogadores muito diferentes, então é possível dizer com clareza que a estrutura montada a duras penas em 2017 foi parcialmente destruída em 2018. Ou seja, está se montando (ou tentando montar) um novo time juntando peças de difícil encaixe.

Vale destacar que as contratações foram endossadas e costuradas pelo próprio Raí.

Pois bem, o desafio que se impõe ao ídolo neste momento é o de suportar a pressão vinda da diretoria e bancar a permanência de Dorival, se esta é a sua crença. Se ceder ao desejo que vem do Morumbi e abrir mão de Dorival Júnior, não se justificará a sua própria presença no comando do futebol são-paulino. Se o papel que cabe à função é o de atender aos anseios dos engravatados, então não há sentido em se ter um ídolo bem remunerado para a função.

Quando assumiu, Raí ressaltou diversas vezes que teria carta branca para exercer seu trabalho. É exatamente isso que está sendo colocado à prova neste momento.

É justo fazer críticas ao trabalho de Dorival Júnior neste momento. Seu aproveitamento é de 42%, abaixo de seu antecessor Rogério Ceni. Algumas de suas escolhas são questionáveis,a tentativa de aproximar Cueva de Diego Souza no primeiro tempo da partida de quarta-feira foi uma péssima ideia. Por outro lado, em sua defesa, ele tem o fato de que não queria jogadores com as características dos que chegaram. Dorival priorizava a velocidade, lhe deram jogadores lentos. Mas ele está tentando fazer um prato saboroso com ingredientes que aparentemente não combinam. Até agora não conseguiu a não ser em breves momentos de um e outro jogo.

A saída de Dorival neste momento significará a interrrupção de mais um trabalho com menos de um ano de duração. Não há possibilidade de se montar um time assim. Se Raí defende sua permanência, pensa corretamente. Mas vai precisar bancar isso e mostrar força.



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