Todos os agentes do esporte devem lutar para acalmar os ânimos



Batizado como “Clássico da Paz”, o Ba-Vi do fim de semana terminou em vexame. O jogo foi encerrado aos 32 minutos do segundo tempo porque jogadores do Vitória foram sendo expulsos um a um até chegar ao número que, pela regra, a partida não poderia prosseguir. Tudo começou quando Vinicius fez o gol de empate para o Bahia (1 a 1), comemorou dançando em frente à torcida do rival e foi agredido por adversários. A briga se estendeu para a arquibancada e, em seguida, para as ruas no entorno Barradão. O detalhe é que este clássico marcava a volta das duas torcidas no estádio, depois de um período de torcida única.

No Mato Grosso do Sul também teve clássico e também teve vexame. O atacante Jeferson Reis, do Operário, espancou um gandula, que comemorou o gol do Comercial marcado aos 45 minutos do segundo tempo, anotando 1 a 0 no placar.

Juninho Pernambucano foi estraçalhado nas mídias sociais por opinar que a atitude de Vinícius Júnior de fazer o gesto do “chororô” no jogo contra o Botafogo foi desrespeitosa. Acabou pedindo para não ser escalado na final da Taça Guanabara, tamanho ódio a que foi sujeito.

Tratando-se de um sujeito Inteligente, preparado e esclarecido, é difícil acreditar que Juninho Pernambucano tenha feito sua crítica por ser ídolo do maior rival do Flamengo, o Vasco. Muito mais razoável crer que as palavras do ex-jogador foram no sentido da reflexão necessária para acalmar os ânimos. E isso não tem nada a ver com o papo de que “o futebol está ficando chato”, como muitos gostam de dizer para defender qualquer coisa. Mas como o ódio já está correndo nas veias de todos, aconteceu o que aconteceu.

Casagrande foi “brindado” com um texto publicado no Instagram pelo pai de Neymar, insatisfeito com as críticas que seu filho sofreu do ex-jogador e comentarista da Globo. Se Casagrande falou que Neymar é “mimado”, teve de ler nas entrelinhas da resposta que é refém das drogas, como se isso não fosse uma doença, mas uma atitude de alguém sem vergonha na cara e só.

Outro dia escrevi sobre o estado de tensão que vivemos no mundo do futebol apesar de ainda estarmos em fevereiro. Treinadores brigam com repórteres, torcedores xingam treinadores e dirigentes, imprensa não tem paciência para esperar o desenvolvimento de um trabalho dos times… Mas diante da tristeza que foi o fim de semana, vale voltar ao assunto: ou todos os agentes envolvidos param, respiram, acalmam e refletem ou a guerra vai vencer o futebol.

Como todos sabemos, não dá para separar o que acontece dentro de campo do que acontece na sociedade em geral. Está claro que as cidades estão mais violentas, a segurança é terrível, as pessoas são mais individualistas do que nunca e que os nervos estão à flor da pele em todas as esferas. Mas os agentes do futebol precisam se movimentar para que o ódio não envenene definitivamente um ambiente que deveria ser um passatempo, uma diversão, embora com altíssima dose de paixão que nenhum outro passatempo pode proporcionar.

Hora de cartolas orientarem jogadores que a provocação para um pode ser a ofensa para outro, de jogadores entenderem que o clima está fervendo, de a imprensa não inflamar ainda mais o ambiente. Hora de reforçar que o seu triunfo não significa a aniquilação do adversário. Que a comemoração da vitória é gostosa por si só e que não é necessário humilhar o rival.

Parar, respirar, pensar, refletir. Nesta ordem é o que todos os agentes envolvidos com o esporte devem fazer neste momento. Para diminuir uma temperatura que está alta demais.



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