O peso sobre os ombros de Neymar



“É evidente que, quando você compete contra jogadores de alto nível, você tem que ir eliminando eles para ver aumentar as suas chances. Estamos aqui para ajudá-lo.”

A frase poderia ser de um técnico de algum atleta que está disputando a Olimpíada de Inverno em alguma modalidade individual. Mas não. Ela foi dita por Daniel Alves sobre Neymar, após a derrota do Paris Saint Germain para o Real Madrid na partida de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões, quarta-feira.

O placar de 3 a 1, com grande atuação de Cristiano Ronaldo a partir da parte final do primeiro tempo e desempenho apagado de Neymar sobretudo na segunda etapa, deixou o time merengue bem perto da classificação, em um jogo que o time francês dominou as ações e poderia ter saído com a vitória.

O curioso da frase de Daniel Alves é o fato de ela ser focada em um aspecto pessoal, de um único jogador: o desejo de Neymar de ser o melhor do mundo. O rival na ocasião foi Cristiano Ronaldo, que ganhou este round da luta, se é que podemos fazer esta comparação.

Neymar em momento algum escondeu que sua principal motivação ao trocar o Barcelona pelo PSG foi buscar o título de melhor jogador do mundo. E este desejo declarado cobra sua conta toda vez que ele entra em campo. É inevitável. Quando ele entra em campo e do outro lado está um “rival direto” pelo posto, a chance de o debate estar 100% concentrado ali, é enorme. E foi o que aconteceu na quarta-feira.

No jogo, o brasileiro começou bem como seu time, mas a partir do gol de empate feito por Cristiano Ronaldo, o futebol de Neymar foi desaparecendo. Claro que pode ser apenas uma coincidência a subida do nível de jogo de um e a queda do outro. Mas como o debate ficou inevitavelmente concentrado nos dois personagens da partida, foi algo impossível de não ser reparado.

Como conduziu sua carreira nesses termos, Neymar entrou no que parece ser um caminho sem volta. Cada vez que entrar em campo seu desempenho pessoal estará sendo analisado e, mais ainda, estará sendo comparado com aqueles que Daniel Alves disse que devem ser eliminados. Quarta-feira, um deles estava do outro lado do gramado e fez dois gols que contribuíram demais para a vitória do Real Madrid.

Não há outra alternativa para o Brasileiro a não ser conduzir o PSG à classificação para a próxima fase da Liga dos Campeões.Jogo será em Paris, sua atual casa, com o apoio de sua torcida. O placar é muito adverso, mas não impossível de ser virado.

O problema é que, se a classificação não vier, restará a Neymar a dor da eliminação, o pouco desafiador Campeonato Francês (uma espécie de torneio protocolar para o PSG) e a Copa do Mundo.

Como a baliza estipulada por Neymar e seu staff é o prêmio de melhor do mundo, ele terá que brilhar muito para que o sonho não vire um pesadelo. Foi colocado sobre seus ombros um peso enorme e uma obrigação desnecessária.



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