Calma! Ainda estamos em fevereiro



Um sujeito desavisado que desembarcasse no Brasil nos últimos dias teria uma certeza: a temporada do futebol brasileiro está no seu momento decisivo. Campeonatos estão em sua fase mais aguda, os elencos já foram minuciosamente analisados, o trabalho de treinadores muito bem avaliados e agora é a hora da cobrança. Hora em que a torcida está com os nervos à flor da pele de um lado e que os profissionais envolvidos no processo estão rangendo os dentes.

Porque afinal, foi no curtíssimo espaço de menos de uma semana que pelo menos três manifestações violentas foram vistas. Se o estrangeiro chegasse aqui por esses dias, teria percebido a tensão no ar.

Primeiro foi a conturbada eleição corintiana. Andrés Sanchez foi eleito novamente o presidente do clube e, em vez de sair carregado nos ombros dos corintianos, teve de se esconder dentro do banheiro feminino do ginásio do clube para não ser massacrado por torcedores contrários à sua candidatura. Sobrou até para a equipe da ESPN Brasil, que estava no local apenas cumprindo a sua obrigação, a de registrar os fatos. Repórter e cinegrafista foram covardemente agredidos.

Na terça-feira, o Botafogo passou um enorme vexame ao ser eliminado da Copa do Brasil pelo nanico Aparecidense. Derrota por 2 a 1 na primeira fase de competição. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, foi recebido com pedras por um grupo de torcedores enraivecidos pelo papelão. Não é o caso de se fazer uma transfusão de sangue de barata e passar a acreditar que uma eliminação dessas não causaria raiva na torcida. Mas por outro lado estamos apenas em fevereiro. Ainda há muito chão e muita cólera para ser gasta ao longo do ano.

Na quarta-feira o São Paulo entrou em campo mais uma vez pelo Paulistão. Contando pela primeira vez com o time quase ideal (com Cueva, Nenê e Diego Souza juntos), fez um gol no começo do jogo contra o fraquíssimo Bragantino, mas depois sofreu para não levar o empate. Abusou da lentidão e da fragilidade defensiva. Foi o suficiente para sair de campo coberto por uma sonora vaia do pequeno público que foi ao Morumbi.

A madrugada de quarta para quinta-feira terminou com um Osvaldo de Oliveira enraivecido depois da vitória suada do Galo contra o Atlético Acreano pela Copa do Brasil. Ele partiu para cima de um repórter após não gostar de uma pergunta feita. Foi contido por membros da equipe de comunicação do clube e por repórteres que lá estavam. Dá para contar nos dedos as vezes em que o fleumático e educado Osvaldo perdeu a paciência. Esta foi uma delas, no comecinho de fevereiro, quando ainda há muita coisa para acontecer ao longo do ano.

Se a coisa continuar neste ritmo, não vai causar estranheza se até o fim do ano repórteres passarem a andar com armadura, treinadores chegarem para a coletiva com lanças pontiagudas e torcedores se armarem de pedras cada vez que saírem de casa.

Ainda estamos em fevereiro. Há de se ter calma porque a temporada é dura, o calendário é cruel e há muita água para se passar debaixo da ponte.

Ainda bem que o carnaval está chegando. Quem sabe o mundo do futebol recolha as armas, caia na folia e volte mais leve para o restante do ano. Ainda tem muita coisa.



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