Abismo entre o futebol do Brasil e Europa é maior no começo do ano



O abismo é maior no começo do ano

Um vídeo da rede de TV do Uruguai TCC é uma daquelas pedras preciosas do YouTube que valem ser revistas de vez em quando. Trata-se de um vídeo promocional do Campeonato Uruguaio com as cenas mais bizarras possíveis: túneis de acesso ao campo caindo aos pedaços, gramados encharcados sendo enxugados com colchões de espuma jogados no chão, um lance em que a bola fica viva dentro da pequena área cercada por oito jogadores e nenhum consegue acertar um chute decente e o mais sensacional de todos: um boi correndo dentro do campo.

A Associação Uruguaia de Futebol quis proibir a divulgação da peça por denegrir a imagem do futebol do país. Mas o “estrago” já estava feito e o vídeo pode ser encontrado
aqui.

De uma coisa, ninguém pode discordar. A TV uruguaia tratou com muito bom humor as mazelas do futebol que ela mesmo tem os direitos de transmissão.

Domingo, a rodada do futebol brasileiro começou exatamente depois que terminavam os melhores jogos do futebol europeu. Para a comparação ficar ainda mais desigual, Liverpool x Tottenham fizeram um jogo espetacular, decidido nos minutos finais (com uma arbitragem controversa, isso é fato). E depois disso tivemos Nova Iguaçu x Flamengo, Vasco x Volta Redonda e Brasil x Pelotas x Internacional. Também tivemos Palmeiras x Santos e Cruzeiro x América, é verdade. Mas mesmo nestes jogos com nível técnico melhor e torcida no estádio a diferença de nível de jogo é tristemente assustadora.

O colega Julio Gomes observou muito bem no Twitter: neste começo de temporada brasileira, a diferença do nosso jogo para o praticado nos principais centros da Europa é ainda maior. Graças a soma de: times ainda entrando em forma + campeonatos estaduais.

O que chama a atenção neste cenário é a defesa por parte de alguns do que produzimos aqui como se fosse uma questão de soberania nacional. Algo como “quem está reclamando deveria se mudar para a Europa”, quando evidentemente não é este o ponto.

Se há uma percepção de uma oceânica diferença entre o futebol praticado aqui e lá fora e uma crítica sobre isso, é porque não estamos falando de algo irremediável. Porque se fosse, era o caso de apenas lamentar e seguir a vida.

Quando a resposta a uma crítica dessas é respondida com uma espécie de “patriotismo” meio tosco, perde-se oportunidade de avançar e mudar este estado de coisas.

A televisão uruguaia resolveu brincar com a própria indigência de organização e produziu um sucesso. O vídeo, feito há alguns anos, segue sendo compartilhado pelo mundo.

Aqui no Brasil temos dificuldade com a crítica. Não é possível crer que seja por se acreditar que o futebol produzido aqui é de bom nível. Parece ser mesmo um orgulho patriótico quase infantil.
Provavelmente esta é a melhor forma de deixar as coisas exatamente como elas estão, como se vivêssemos dentro de uma bolha cheia de boas lembranças do bom futebol. Nas poucas oportunidades em que esta fronteira é rompida e existe um confronto direto contra rivais europeus, o choque é grande.



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